Comidinhas

Bom dia galera!

Depois de um final de semana de sucesso na cozinha, decidi escrever um post sobre as comidas daqui, afinal, era uma pergunta frequente logo que chegamos na França: “Como é a comida daí? Estão se adaptando?”

Então nada melhor do que partilhar com vocês, com algumas fotos, nossas aventuras na gastronomia francesa… mesmo que até o momento sejam poucas.

A “comida gastronômica francesa” foi incluída, em novembro de 2010, na lista de Patrimônio Imaterial da Humanidade por um comitê da Unesco, tendo sido a primeira gastronomia (o que abrange culinária, bebidas, materiais usados no preparo e rituais) a receber tal título.

Tive uma aula sobre o assunto, e a verdade é que no dia-a-dia os franceses, em especial as novas gerações, se alimentam como nós, estudantes no exterior… comendo sanduíche de baguete ou panini (quase a mesma coisa mas prensado) no almoço, muitas vezes em pé, para economizar tempo. Apesar disso, ainda percebemos um certo ritual nessa refeição rápida: entrada, prato principal, sobremesa e café.

Mas afinal, o que essa gastronomia tem de especial para ser Patrimônio Cultural Imaterial da Humanindade? Os especialistas consideram que a gastronomia francesa, com seus rituais e sua apresentação para se preparar a comida, reúne as condições necessárias para tal título. Na aula, a professora explicou que é o preparo em conjunto com a família e/ou amigos, tomando um bom vinho, jogando conversa fora, o sentar na mesa sem pressa e o reunir-se com as pessoas, que trouxe o título. É a valorização da refeição!

Confesso que lembrei muito da minha família, da casa da minha mãe, onde nos reuníamos religiosamente todos os dias ao meio-dia para almoçarmos juntos. E me perguntei: “no Brasil não é assim?” 😉

Na nossa casa era! #saudades

Importante salientar que, no geral, os franceses comem bem (em qualidade e quantidade), mas dificilmente comem fora de hora e em exagero. Talvez seja este o segredo das silhuetas finas em relação a outras nacionalidades. E nós reparamos, já na primeira semana, como as pessoas são magras aqui… nada de exagero, mas não encontramos franceses obesos, cena comum, infelizmente, no Brasil. Aqui as pessoas não fazem lanches (exceto as crianças), tendo apenas as 3 refeições principais, sendo nosso hábito muito estranho para os franceses.

 

Bem… mas vamos as nossas aventuras aqui!

Inicialmente íamos ao supermercado e, como não entendíamos nada, procurávamos produtos conhecidos como, por exemplo, presuntos e queijos não muito diferente dos que comíamos no Brasil. Aos poucos, decidimos experimentar os desconhecidos… afinal, de que adianta estarmos aqui e não experimentarmos os produtos franceses? No mercado já erramos bastante, em especial no item queijos, pois há muito que são fortes, e que não se adaptam ao nosso paladar.

Nos restaurantes também decidimos inovar e procurar por pratos, digamos, não tão comuns.

Uma comida bem típica daqui são os crepes, não muito estranhos para nós, foi o meu pedido em uma jantinha a dois… já o Cris arriscou mais, e pediu o famoso Bouef Tartare*. Ao fazermos o pedido o garçom questionou se tínhamos entendendido do que se tratava o prato… sinal de perigo? Confirmamos e veio o prato… Carne crua e ovo cru!! Isso mesmo, e o Cris tinha realmente entendido!

boeuf tartare

*Sendo esse o mais popular dos tartares (pois há tartares dos mais variados tipos, como o de salmão), é um símbolo da cozinha parisiense, e consiste de carne crua fresca e limpa, picada na ponta da faca (teoricamente não deveria ser moída) e depois temperada com cebola, alcaparras e acrescida de uma gema de ovo crua e pimenta, entre outros ingredientes que mudam de acordo com a receita.

Gentilmente o garçom explicou que para comermos deveríamos misturar esses dois ingredientes com uma mini porção (uma colher se sobremesa, exagerando) de temperinhos que estava ao lado, que ficaria gostoso…  será?

Experimentamos tudo separadamente, e era aquilo mesmo: carne crua (nem temperada era) e ovo cru! O garçom, vendo isso, falou novamente (e agora adicionando gestos para ver se comprenderíamos) que era para misturarmos com o tempero. Muito simpático o rapaz, afinal ele poderia deixar que aprendêssemos na marra 😉

Então, misturando o prato ficou bem gostoso, um prato refrescante que acompanha salada, ideal para os dias quentes. Certamente iremos experimentar outros tartares. Ahhh o crepe? Normalzinho! 😛

aprovação do tartare

crepe

Em nossa viagem a Marseille, o Cris inovou novamente no almoço e pediu um prato bem comum aqui na França, e em especial naquela cidade litorânea: Moules frites. Diferentemente do que se possa imaginar, não são mariscos fritos, mas mariscos COM fritas!  Eu, como não simpatizo muito com os bichinhos, fiquei na massa a carbonara (com ovo cru sobre a massa bem quente, como manda a receita original).

moules frites

No aniversário do Cris, como já demonstrado aqui, fiz bolo recheado, brigadeiros e uma tortinha de atum que ele gosta muito. Cervejinha e refri básicos para oferecer para 3 amigos que vieram na nossa casa (nossas primeiras visitas). Nossa amiga francesa comentou que iríamos na casa deles para uma recepção tipicamente francesa… nada de tortinhas… a base: baguete, queijos e vinho! Mais ou menos o que fizemos em uma noite quente ainda no hotel

petiscos com vinho e baguete

A baguete aqui é realmente o principal pão da França… Comem junto ao almoço para “limpar” o prato (segundo Caco Antibes, bem coisa de pobre), em recepções ou pique-niques com queijo e vinho, ou mesmo na rua, como fizemos ao sair do mercado!

baguete debaixo do braço 😉

Aqui, mais comum que o frango, temos o pato! Sabia que gostaria, pois da minha vinda para a França em 2002, tinha na memória um almoço na casa de meus tios onde esse prato foi servido… é uma carne com o sabor mais forte (e também um pouco mais escura) que a carne de frango, muito saborosa.

Nesta semana fomos num Restaurante Cambodgienne et Thaïlandaise, em homenagem ao amigo Gazzoni que estava casando e que adora este tipo de comida. Pedimos dois pratos diferentes com pato, os dois muito saborosos.

exótico?

Não esperávamos muito desse restaurante, situado em uma região mais barata da cidade e recheada de imigrantes árabes, o restaurante não era dos mais bonitinhos. O preço, muito convidativo, chegou a me assustar no primeiro momento… seria boa a comida? Pedimos entrada, bebidas como aperitivos, prato principal e vinho para acompanhar. Nos surpreendemos!!

Com diversos pratos diferentes e com o tempero forte característico dos pratos orientais, certamente voltaremos muitas vezes neste restaurante!

Sobre os doces e sobremesas: os franceses comem sobremesa praticamente todos os dias, mas sempre algo leve, como frutas da estação, queijo com frutas ou iogurte. Não é o costume deles terem sobremesas como as nossas, doces de verdade como eu digo! Até tem uma tortinha ou outra, mas nada muito açucarado. Aliás, o açúcar mais utilizado pelos franceses é o açúcar de beterraba, que possui um poder de adoçar bem menor que o nosso açúcar da cana-de-açúcar.

Mas eles possuem muitas pâtisseries aqui que são as nossas confeitarias, onde vendem verdadeiras obras-de-arte no quesito guloseimas, ideal para acompanhar o cafezinho.

Uma dessas delícias típicas é o famoso macaron! Me aguentei por um mês e meio até comprá-los, e acho que isso fez com que minha expectativa fosse muito alta. Esse famoso doce nada mais é do que uma espécie de “bem-casado”, mas ao invés de massa de bolo, usa-se um merengue. O recheio é variável (e acompanha a cor), como chocolate, café, framboesa, baunilha, limão, etc.

macarons

E claro, não poderia deixar de falar do meu sucesso neste final de semana… eu fiz um pato (é, parece que gostei mesmo do bichinho) em casa! Criei a receita, pois não tinha os ingredientes necessários para seguir uma receita francesa a risca… pato com vinho branco, acompanhado de purê. Modéstia a parte… ficou uma delícia!

pato ao vinho branco

Servidos?

bon appétit

 

 

 

 

2 thoughts on “Comidinhas

  1. Hum, fazia tempo que eu nao entrava aqui no blog, varios posts novos…

    O pato (canard em frances) eh realmente bom.. Estes topico, comidas, ainda tem muito pano pra manga, como os queijos St. Marcellin e o de cabra, horriveis, mas outros tantos muito bons. Frios em geral (charcuterie), muitas opcoes e muito bons, facil para acompanhar com as baguetes. Os pratos e lanches arabes, como tacos, kebabs, cuz cuz com cordeiro, riz pilaf au poulet (um tipo de arroz diferente e frango, bem temperados), as comidas do dia-a-dia com muitos legumes cozidos e sem chance para arroz e feijao, etc.

    Mas no geral estou achando que se come muito bem aqui por um bom preco, entao ta otimo.

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