Archive | março 2013

Troca de sonhos!

Fazem quase 7 meses que estamos aqui na Europa e este é recém o terceiro post sobre corridas… inicialmente penso na palavra VERGONHA, pois as primeiras pessoas que me falaram em fazer um blog enquanto estivesse aqui na França, justamente o fizeram pensando em um blog sobre corridas, que seria para relatar os lugares diferentes e maravilhosos de treinos, além claro das provas que participaria!!

Mas hoje troco essa palavra por ESCOLHA! E quem vem acompanhando o blog, e percebendo os inúmeros posts na categoria “diários da gestação”, entende bem o que estou falando! Optei por escolher um sonho para realizar neste momento… o de ser mãe, com tranquilidade!

Acredito que este post veio na hora certa… agora com a cabeça e o coração mais “no lugar”, entendendo um pouco mais meus sentimentos que ficaram tão confusos nas últimas 2 semanas, e consigo escrever um pouco a respeito.

Voltando um pouco no tempo...

Voltando um pouco no tempo…

Na semana em que desconfiei que estava grávida e fiz o exame de sangue, fiz 3 treinos de corrida, aliás o mais intenso deles foi logo após retirar sangue para descobrir que seria mamãe!! Não sei ao certo se o fato de que estava desconfiada influenciou, ou se com 2 semanas de gestação a frequência cardíaca já aumenta tanto para sentir a diferença, mas nesses treinos já me sentia mais cansada e com redução do fôlego!!

Após a confirmação do exame, os treinos foram suspensos por uma semana, até a primeira consulta médica. Claro que dentre as inúmeras perguntas de uma mamãe de primeira viagem estava a possibilidade de continuar correndo, ao que o médico foi muito claro: “Sim, vida normal!” Salientou que devido ao aumento da frequência cardíaca não teria o mesmo fôlego (já tinha percebido), que deveria respeitar isso, mas como já estava habituada, não teria problema algum.

Não contente com a resposta médica (mais porque o Dr. sequer perguntou há quanto tempo eu corria, ou por quanto tempo eu corria), fiz o mesmo questionamento, mas dessa vez com maior profundidade – falando de tempo de exercícios e inclusive da minha vontade de participar de uma prova, a Meia Maratona Paris – com a médica que me acompanha do Brasil, recebendo a mesma resposta, a liberação com algumas restrições!

OK… liberada por dois médicos, vamos treinar? #sóquenão!!

 

Falhei e o tempo foi passando, corria sem regularidade, deixando que vários fatores tirassem o meu foco!

É verdade que nunca parei totalmente, não deixando com que o corpo esquecesse o que era a corrida e o meu condicionamento não reduzisse, mas já percebia que esse não era mais o mesmo.

Mas aos poucos voltei. Em janeiro uma corrida de 7km após quase um mês me deixou muito feliz e animada para retomar o exercício e quem sabe ainda participar da minha tão sonhada Meia Maratona! Tinha a consciência de que não seria como a realizada em São Paulo, com rendimento, tempo, sucesso conquistado com treino e dedicação… aliás, sabia que teria que intercalar com caminhadas para respeitar a frequência cardíaca máxima baixíssima que me é imposta durante a gestação!

Até este momento nunca temi, nunca pensei em não participar da prova e estava firme e segura com essa decisão!

 

Chegou a semana da prova. E após um treino um pouco mais longo (mas dentro dos limites impostos, caminhando e tudo mais), meu coração passou a bater de uma forma diferente – não, fisicamente era igual, mas emocionalmente… – e uma avalanche de emoções tomou conta de mim!!

Posso dizer que aqui na Europa foram os dias mais angustiantes que passei… conversava com o Cris a respeito, mas tendo a liberação médica do obstetra (inclusive por escrito) ele estava tranquilo (e estaria comigo na prova para não permitir que o meu entusiasmo acarretasse em um consequente exagero), e deixava a decisão em minhas mãos!

Ok… decidido: nós vamos!! Os objetivos seriam a participação e a diversão, sabia que seria retirada da prova (pois não conseguiria cumprí-la no tempo máximo permitido), mas queria estar lá, em Paris, numa corrida, com minha barriga pintada e um sorrisão no rosto! Decidida, peguei o cartão para comprar as passagens de trem, o que faria logo após meu treino… #sóquenão!!

Neste treino mais uma avalanche de emoções! Corria chorando, tudo se misturava dentro de mim, dúvidas, certezas, arrependimentos… então a decisão final!

Optei por abrir mão do sonho de participar da Meia Maratona Paris (a qual, de certa forma, comecei a me preparar em 2011), pela tranquilidade do meu coração!!

Ao falar pro Cris da minha decisão, ele não entendia minha angústia, minhas lágrimas! Aceitou a decisão, claro, e disse para eu ficar tranquila! Fiquei!! Parecia ter tirado um caminhão das minhas costas, e ao contrário do que imaginava, logo o sentimento que senti foi de serenidade e de paz!

Mas ainda hoje sinto um nó na garganta quando falo do assunto, e agora ao escrever esse post… é estranho relatar isso tudo, difícil falar de tantos sentimentos contraditórios que tomam conta de mim… serão os hormônios?

 

Minha prima, em um email, me falou o seguinte: “Entendo tua tristeza sobre a maratona. O pior é que ha muitas situações assim enquanto somos mãe, pois nossas vontades e sonhos deixam de ser prioridade. Sem querer, a gente pensa mais no filho do que na gente e está disposta a abrir mão dos nossos sonhos pelos dele (…)”, por Cibele Cesca.

Sábia garota… sábia mãe!

Outro conselho de prima: “As renúncias sempre acompanham a maternidade. É o ônus do bônus! Mas todas as mulheres nascidas para serem realmente mães, dizem que o amor incondicional compensa qualquer sacrifício. (…)”, por Cristina Pascal.

 

Às vezes parece cruel pensar que estava optando pela corrida e não pela tranquilidade da minha gestação, e não pelo meu filho… realmente, dependendo da forma como colocamos fica mesmo cruel! Não vou entrar no mérito da discussão, pois o assunto não é assim tão simples… sempre podemos tornar um fato mais cruel ou mais suave, dependendo do ponto de vista e das palavras usadas!

 

Hoje tenho uma música que me faz pensar nisso tudo, uma música que fala de escolhas…

“No sim existe um não
No céu existe um chão
Vencer também traz perdas
Aceito os meios para alcançar o fim

Piso as duras pedras
Pra entrar no mar
Mas a calma da água 
Ao beijar a minha sede pela paz me eleva

Sentir
Pode doer
Sorrir
Pode esconder
Viver
Tem suas mortes
Aceito os meios pra alcançar o fim

Piso as duras pedras
Pra entrar no mar
Mas a calma da água 
Ao beijar a minha sede pela paz me eleva
Me eleva”

 

É assim que me sinto hoje, na calmaria, encontrando a paz!

 

Nova “amiga” aqui em casa!

Tenho uma notícia bem legal pra contar… coisa de mulher! No final de semana ganhei um presente de grego do Cris, para me acompanhar por toda a gestação: uma BALANÇA! Uhuuuu image E aí? Onde está a notícia boa?

Calmaaaa que ela chega!

Antes, como não poderia deixar de ser, uma historinha!

Na verdade já tínhamos que ter comprado essa balança há tempos, mas fomos deixando, deixando., meio que sem querer sabe? 😛

Como já falei anteriormente não tenho muita base para avaliar o meu ganho de peso, e aqui explico porque: quando cheguei aqui na Europa, estava com uns 3 ou 3,5 kg a mais, resultado da “época de engorde” que eu e o Cris passamos no RS… um mês a base de comemorações, churrascos, cerveja e muita comidinha boa pra lá e pra cá… às vezes até parecia que os familiares e amigos estavam felizes com a nossa partida, hehehe! O fato é que toda e qualquer reunião era motivo de junção, e junção da boa tem que ter comida!

Que fique claro que isso não é, de forma alguma, uma reclamação… é só parte da historinha, ok?!

Mas deu nisso, quilinhos a mais na “bagagem pessoal” para a Europa!

Chegando aqui, no verão de 40 graus, a perda desse excesso foi super rápida, em menos de 2 semanas já estávamos como mesmo peso de antes! Assim, entrando nas roupas novamente, não me preocupei com o número na balança!

Quando engravidei (início de novembro) não tinha balança e nem me dei por conta de me pesar. Sabia que estava mais ou menos com o peso que cheguei no RS (antes da época de engorde), uns 61,5kg. Mas vieram os primeiros meses, as festas de final de ano, as viagens, visitas e… após tudo isso, a preocupação!

Uma balança emprestada mas não muito boa, acusou 3 kg como resultado desse período.

OBS.: o “não muito boa” não é pelo peso, mas porque ela nuunca mudava de peso, algo muito estranho!

Normalmente não ficaria tããããooo assustada, afinal sempre ganhei peso nesta época do ano, mas grávida é outra história, não posso me descuidar da saúde. Sendo assim, voltei para a alimentação regrada e comecei tímidas caminhadas, e o resultado apareceu (não em números inicialmente, mas nas roupas e fotos).

Resumindo um pouco a história (afinal são quase de 2 meses de lá pra cá), no dia 14/02, na minha terceira consulta médica me pesei no consultório (de roupa, mas cuidei a roupa para repetí-la na próxima consulta) e deu 65,5kg, como já contei aqui. No limite máximo!!!

Nesta semana (03/03), numa manhã após o xixi, como deve ser (na minha humilde opinião 😛 ), me pesei e na minha nova balança e…

 

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…deu 64,70 kg!!

O resultado foi um emprenho ainda maior para me manter nas caminhadas, alimentação equilibrada e sempre buscando a saúde, para mim e para o nosso bebê!!

…mais pinturas!

Nos dois últimos posts falei sobre as “janelas fechadas” e  os “muros pintados”, que encontramos na cidade de Lyon, com as ressalvas para as janelas que são vistas em diversas cidades.

Você ainda não leu a respeito? ok, ok, eu espero um pouquinho para ficares por dentro do assunto… vai lá, clica em cima do nome dos posts e se diverte!

...e aí? Leu?

…e aí? Leu?

Então é hora de seguir…

Assim sendo, deves estar imaginando como ficaram os prédios com essas janelas fechadas… um espaço vazio, um desperdício ? Porque manter assim até os dias de hoje?

"Enfeiando" a cidade??

“Enfeiando” a cidade??

O motivo de manterem as janelas fechadas eu realmente não sei, mas o que eu presenciei foi uma criatividade incrível das pessoas que, transformaram estes espaços sem vida em telas de pintura, recheadas de arte.

E assim temos uma mistura dos posts anteriores, porém espalhada por diversas cidades, onde o espaço das antigas janelas tornaram-se telas de pintura, embelezando ainda mais a arquitetura dos imóveis que tanto nos encantam.

 

Os prédios abaixo foram fotografados na cidade de Avignon. Foi nesta cidade que eu e o Cris começamos a reparar nas janelas e nas pinturas… chamou-nos a atenção o cuidado com os posicionamentos dos personagens, seus olhares, suas mãos tocando as grades, tudo isso dando uma idéia de realidade impressionante.

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O prédio abaixo, em Lyon, me impressionou muito. Ao bater a foto, olhei no visor da câmera e achei por bem olhar para o prédio novamente… quais janelas eram pintadas e quais eram reais? A veneziana é de uma precisão que me deixou na dúvida!

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