Archive | Maio 2013

Sage-femme – segundo encontro!

Após o segundo encontro com a sage-femme, ocorrido no dia de hoje, fiquei pensando o que eu escreveria aqui, e quase quase que este post não sai.

O fato é que o assunto de hoje foi mais técnico, poderia assim dizer, onde ela desenhou o posicionamento do bebê do ventre, nomeou algumas estruturas fisiológicas que participam do parto e simulou com uma boneca, alguns tecidos e a pelve (osso da bacia – forma antiga de chamar essa estrutura) a forma como o bebê saí no parto natural. Falou do rompimento da bolsa, do início do trabalho de parto e mais algumas informações práticas do dia do nascimento. O que falar de tudo isso? E o mais importante: para que?

Bem, o fato é que eu e o Cris, apesar de percebemos que são informações com as quais não podemos fazer nada de prático, são super importantes para que a gente saiba o que estará acontecendo com o meu corpo na hora do parto e o simples saber, certamente nos deixará mais tranquilos. E nada melhor do que a tranquilidade para esse dia tão especial!

 

Sendo assim, começamos o nosso trabalho de parto, o de hoje virtual e imaginário.

Algumas pessoas tem como marco para este momento o rompimento da bolsa amniótica, mas é sabido que um bebê pode nascer até mesmo sem essa se romper. Então, o trabalho de parto tem como “início oficial” quando a gestante tem, por 1 hora, contrações fortes e regulares, numa frequência de aproximadamente uma a cada 5 minutos. 

É importante ter em mente que a gestante normalmente tem contrações irregulares antes desse “início oficial”, que são chamadas de pródromos ou contrações de treinamento ou contrações de Braxton-Hicks ou ainda, contrações falsas. São contrações que aparecem e desaparacem, não sendo doloridas, um leve desconforto, e que duram em média de 30 a 60 segundos. Podem ocorrer por vários dias e sua principal característica é a IRREGULARIDADE e o fato de não aumentarem de intensidade. Há mulheres que quase nem percebem essas contrações. Costumam ser sentidas a partir da 16a semana, mas podem vir até antes ou bem depois!

Outro fenômeno que pode ocorrer é a saída do tampão… uma espécie de gelatina, como a clara do ovo, que serve para proteger a entrada do útero. Ele pode ter uma cor mais escura, até meio amarronzado, devido a presença de um pouco de sangue, sem que seja um motivo para maiores preocupações. O tampão pode até mesmo ser refeito naturalmente, e não é motivo para perder a calma! Normalmente a saída do tampão é um indicativo de que o trabalho de parto se aproxima, porém o tempo é variável, podendo iniciar horas após ou até mesmo dias depois (até mesmo 2 semanas).

 

A duração do trabalho de parto pode variar de mulher para mulher, mas em média, em uma primeira gestação, ela dura entre 8 e 15 horas, considerando-se o “início oficial” acima descrito.

PS.: como podemos ver, todos os prazos são variáveis! Isso porque cada mulher é uma, cada parto também… a mesma mulher pode ter partos que ocorrem de maneiras completamente diferentes! Então, tudo o que se fala aqui e o que os livros trazem, são médias, servem apenas para termos uma idéia da sequência que estamos descrevendo.

 

Como normalmente a bolsa amniótica se rompe, preciso estar preparada para “o que fazer?” e saber “O que vou sentir?”

Quando esse fenômeno natural ocorrer, o esperado é que saia um líquido claro como a água e que o bebê continue a se movimentar normalmente, se assim for, a parturiente não precisa se assustar e correr para o hospital. Importante frisar que a indicação médica mais comum é de que se vá diretamente para o hospital/maternidade, uma vez que com esse rompimento abriu-se uma janela para as infecções, pois não há mais a proteção natural do bebê e o meio em que ele se encontra passa a não ser totalmente estéril. Contudo, é sabido que o ambiente hospitalar não é o mais indicado quando falamos de infecções, afinal é para lá que as pessoas vão para se tratarem de problemas infecciosos, e as bactérias existentes no hospital são, de regra, inúmeras vezes mais resistentes que as presentes em nossa casa. Assim, presente estes requisitos (líquido claro e movimentação normal do bebê), podemos ficar tranquilos e em casa, por mais umas 3 ou 4 horas. É permitida e recomendada (para se ter energia para as horas que teremos pela frente) a ingestão de comidas leves (churrasco não é o mais indicado, atenção!) como frutas frescas ou secas e carboidratos de fácil digestão – afinal após chegar ao hospital você ficará impedida de comer por várias horas -, um banho de chuveiro (no caso do rompimento da bolsa não é indicado o banho de banheira face ao maior risco de infecção) e muita calma!

As contrações passarão a ser mais fortes após esse momento. Por este motivo, caso não ocorra o rompimento da bolsa amniótica naturalmente e a parturiente ainda não tenha solicitado a peridural, é recomendado que o rompimento não seja feito pelo profissional de saúde, pois só fará aumentar as dores da gestante.

 

Na hora exata do nascimento ocorre um alargamento da pelve (ela tem uma certa mobilidade) que somada com a mobilidade da cabeça do bebê (suas placas ósseas na cabeça ainda não são fixas) permite a passagem do mesmo. Para isso o ideal é que ele esteja posicionado com o rosto virado para as costas da mãe, e logo após a saída da cabeça naturalmente ocorre uma pequena torção do bebê para o lado, saindo então o seu corpinho, que é bem mais molinho que a cabeça.

Caso ele esteja virado com a face para a parte da frente do corpo da mãe, o nascimento por parto normal pode ocorrer, porém devido a compressão da nuca do bebê (parte com maior diâmetro) com o osso pelve, a gestante pode sentir dores nas costas durante as contrações (normalmente a dor da contração é centrada no abdômen).

 

Aproximadamente após uns 20 minutinhos sairá, também com uma contração (mas bem menos dolorida), a placenta e o trabalho de parto está finalmente finalizado. A partir deste momento, ocorre um sangramento natural, ficando a gestante por mais ou menos 2 horas na sala do nascimento para que seja monitorada. Neste tempo a família (bebê, papai e mamãe) está se descobrindo, é também o momento da primeira amamentação e essas 2 horas passam rapidamente.

 

No próximo encontro continuaremos falando sobre o andamento do dia do nascimento e as intervenções médicas que são obrigatórias e as que são dispensáveis…

 

Em tempo, e por conta: Caso você, assim como eu, tenha interesse em estudar sobre o trabalho de parto, verá que existem descrições de diferentes fases e estágios do trabalho de parto. E neste caso perceberá algumas diferenças com o que relatei aqui (até mesmo porque não entrei no assunto de nenhuma fase com nomes específicos).

O fato é que o objetivo desses posts é informar sobre meus encontros com a sage-femme, as informações repassadas por ela e como estou me sentindo a respeito da minha gestação e da proximidade com o parto.

Mas vou tentar resumir esses estágios e fases para que fique o registro e não haja confusões.

Primeiramente pode-se dizer que o trabalho de parto tem 3 estágios, compostos de fases:

A) Estágio onde ocorrem as contrações, composto de 3 fases:

FASE LATENTE ou PRÉ-TRABALHO DE PARTO –> contrações ritmadas, de 20 em 20 minutos, 15 em 15 minutos e cada vez diminuindo mais esse tempo de intervalo. Neste momento as dores são suportáveis e o corpo feminino passa a se banhar de ocitocina, o hormônio do bem-estar. Estar conectada com o maridão nesta fase é ótimo, pois a emoção de saber que logo chegará seu bebê e de passar por esse período tão importante juntos é enorme!

Curiosidade: Inúmeros relatos falam de um pico de energia nesta fase, como o aumento da vontade de caminhar, correr, limpar a casa, lavar o carro, organizar as roupinhas do bebê, etc. Loucura hormonal? Pode ser, mas acredito que o melhor seja economizar as energias e tentar manter a calma, pois em breve seu corpo será super exigido.

 

FASE ATIVA –> é a fase em que a sage-femme considera o início do trabalho de parto, ou seja, contrações regulares com intervalos de 5 minutos, aproximadamente. Porém há relatos desse requisito ser ligado ou alternado, leia-se e/ou, com mais de 4 ou 5 centímetros de dilatação. Normalmente por serem bem mais doloridas, a gestante não consegue falar enquanto está tendo uma contração. Apesar da variação entre as gestantes, ao que tudo indica esta é a fase mais longa do trabalho de parto. aqui a respiração e o relaxamento são essenciais.

 

FASE DE TRANSIÇÃO –> inicia-se em torno de 7 ou 8 centímetros de dilatação e vai até a dilatação completa, ou seja, 10 centímetros. Nesta fase as contrações vem em intervalos ainda menores, aproximadamente de 2 em 2 minutos.

É comum a mulher entrar em uma espécie de “estado de transe”, face ao elevado nível de ocitocina no corpo. Pode até mesmo ocorrer dela sequer responder com coerência o que lhe questionam, isso quando responder. Nesta fase a mulher pode desacreditar na sua capacidade de seguir com o parto normal, diz não conseguirá, que vai desmaiar ou morrer. Pode sentir náuseas, tremedeiras e até vomitar. É comum pedir a peridural nesta fase.

Medidas de conforto são necessárias aqui, palavras que a estimulem e a encorajem, música relaxante, massagens, mas devido ao estado em que se encontra, tudo isso pode irritá-la. Pode-se dizer que é o período mais intenso, físico e emocionalmente, do trabalho de parto!!

 

B) Estágio Expulsivo –> é nesta etapa que ocorre a saída do bebê. A gestante encontra-se normalmente mais lúcida e ativa. Este período inicia com 10 centímetros de dilatação e é quando o útero empurra o bebê pelo canal vaginal. As contrações continuam (podendo haver um pequeno intervalo entre estes estágios), e a cada uma delas o bebê desce mais um pouquinho (recuando um pouquinho também quando a contração cessa, mas é o normal, desde que ele desça um pouco cada vez). E vai assim até o médico dizer que o bebê está “coroando”, que significa que ele está próximo a vagina. Nesta hora é comum a parturiente sentir um ardor na vagina, conhecido como “círculo de fogo”.

Aqui ocorrem os “puxos” que é a vontade de fazer força, respeite seu corpo e ache a posição mais confortável para fazê-la.

Duração? Este estágio pode levar poucos minutos, mas em mamães de primeira viagem pode ser que dure horas. E nesta etapa que pode ser necessária a episiotomia, que é um pequeno corte no períneo, músculo que fica entre a vagina e o ânus, aumentando o espaço para o bebê passar e evitando assim lacerações.

 

C) Estágio onde ocorre a saída da placenta –> aqui ocorre um descolamento da placenta da parede uterina e a consequente saída, através de contrações que não são tão doloridas como as anteriores. A placenta sai juntamente com a bolsa amniótica vazia e o médico deve examiná-la a fim de verificar se saiu íntegra ou se restou algum pedacinho no abdômen.

 

Acredito que era isso… mas sigo nos meus estudos! 😉

Beijinhos

 

 

Primeira consulta com a sage-femme

Na semana passada tive a minha primeira “consulta de verdade” com a sage-femme, uma consulta em que o tema foi A DOR.

As consultas duram em torno de 1 hora e são sobre temas pré-definidos (eu posso optar por ter a consulta sobre esse tema ou simplesmente dizer que não quero, que o assunto não me interessa), para que eu possa me preparar antecipadamente e levar minhas dúvidas neste dia.

* Um detalhezinho: assim como a consulta médica, a consulta com a sage-femme é reembolsada pelo sistema de saúde francês. Bom né? E sendo assim, qual o motivo de não querer ir na consulta e me informar ao máximo sobre assuntos ligados ao nascimento do Pedro?

Importante lembrar que aqui na França não tenho a opção de escolher o parto, de optar pelo tipo natural ou cesárea, sendo este último realizado somente se necessário, se eu não tiver condições de ter um parto natural. E mesmo que seja o caso, da necessidade de uma cesárea, essa só poderá ser verificada na hora do parto (em princípio, pois até o momento tudo anda bem e o Pedro já está posicionado para o parto natural), ou seja, entrarei em trabalho de parto! Sendo assim, os temas são voltados para uma circunstância normal.

 

Inicialmente questionada sobre o meu conhecimento sobre a dor do trabalho de parto e do parto natural em si, e sobre um possível medo, respondi que sim, tenho medo! Apesar de saber que a dor do parto varia de mulher para mulher, e de até conhecer mulheres que relatam que não sentiram praticamente nada no parto normal, sei também que de regra a dor é gigantesca, e confesso: isso me assusta!

O Cristiano, que também foi questionado, relatou que acredita que sou mais forte do que eu acredito que sou, no quesito dor! Que acha que eu subestimo a minha capacidade e a minha força… Muito bom escutar isso, afinal há mais de 13 anos juntos, pode ser que ele me conheça melhor que eu mesma. Pode ser que sim, que ele tenha razão, mas é natural termos medo de algo que não conhecemos, não?

Como era de se esperar, a sage-femme já tinha a informação do número absurdo de cesáreas que é realizado no Brasil e conversamos a respeito. Eu e o Cris acreditamos que além dos argumentos sobre a cesárea comumente falados, como exemplos, o ganho financeiro para um médico e o tempo gasto com o parto normal, há uma questão cultural muito forte. Não podemos dizer que a responsabilidade sobre essa decisão e esses números elevados é somente dos médicos, dos planos de saúde, ou dos hospitais, há muitas mulheres que sequer pensam em fazer um parto normal, ou mesmo sequer querem tentar um parto natural, por medo da dor ou, infelizmente, pela facilidade e conveniência de ter uma hora marcada para ter o seu bebê.

Bem, o fato é que essa cultura brasileira também faz parte dessa brasileira aqui! Cresci rodeada de mulheres que passaram por cesarianas, pelos mais diferentes motivos, e por suas histórias, e posso contar nos dedos das mãos as mulheres que conheço que tiveram parto normal. Cresci vendo filmes e novelas em que ao dar a luz, mulheres se contorciam de dor, mordiam panos (ou as mãos do marido, tadinhos) e tudo era muito difícil, para só então ao final tudo ficar bem.

Essa conversa inicial também foi importante para que a sage-femme pudesse analisar o meu nível de medo da dor e insegurança quanto ao parto natural.

Fomos questionados sobre “o que esperamos desses encontros”, sendo que fui enfática: quero estar confiante, quero acalmar meus medos e minhas inseguranças! Eis que o trabalho já começou a ser feito! 😉

O Cris, disse que como é o primeiro filho, não sabe muito bem o que esperar, mas deixou claro, pela sua disposição e interesse na consulta, que busca poder me ajudar de todas as formas possíveis!

Então a sage-femme passou a falar sobre a dor, relatando que a dor do parto normal é a única dor natural! O que isso quer dizer? É a única dor em que não temos nada nos fazendo mal, não estamos doente, não estamos machucados, etc.

Mas nós sabemos lidar com a dor? Pelo fato de sempre haver um motivo para sentirmos dor (doença, machucado), buscamos normalmente amenizá-la, ou preferencialmente parar esse sofrimento com um remédio ou uma outra forma, não é verdade?

No caso da preparação para o parto natural o que vamos fazer é conhecer como tudo acontece com o nosso corpo, para então poder decidir se vamos ou não optar (sim é uma escolha da gestante) por uma peridural para amenizar ou cessar a dor, em que momento faremos isso, o que essa decisão acarreta, etc.

Assim, a sage-femme passou a explicar como tudo ocorre no corpo da mulher, os hormônios secretados pelo bebê e pela gestante, para que servem e como podemos tirar proveito deles. É impressionante como o corpo humano, no caso o feminino, é sábio e produz tudo o que é necessário para que o parto ocorra da melhor forma possível. Sabia que o corpo de uma parturiente produzia a ocitocina – hormônio do bem-estar – , com o objetivo de estimular as contrações, iniciar o trabalho de parto (esse hormônio, neste momento, é produzido inicialmente pelo bebê) e evitar hemorragias; também tinha o conhecimento da existência da prolactina com o objetivo de produção do leite e também de ativação do instinto materno (essa última parte eu não sabia, lindo né?!), mas confesso que não sabia do efeito analgésico que a endorfina possui, objetivando deixar a mulher “grogue” para poder suportar tudo o que virá pela frente.

Você já viu alguma filmagem de parto natural? Para mim era um tanto estranho ver as mulheres que pareciam estar “fora de si” darem a luz, como podiam? Aqui está a explicação… é a beta-endorfina!

A sage-femme explicou-nos o quando é complicado fazer o parto de pessoas bem informadas, ou melhor instruídas, pois elas desejam estar no controle de tudo, saber de tudo o que está ocorrendo, e isso gera ansiedade, preocupação e estresse para a própria gestante, o que dificulta o parto. Assim, ficou claro que o ideal é desligar do mundo e estar o máximo possível relaxada, sem preocupações… conhecer o que virá pela frente apenas para aceitar o trabalho de parto, as contrações e a dor, passando por cada contração com tranquilidade. Respirar, respirar, respirar!

É possível? Diferentemente do que a maioria das pessoas imagina, o trabalho de parto não é todo ele dolorido. Apesar de poder durar horas e horas (e isso também varia conforme a natureza de cada mulher, mas em média umas 10 horas – 1h para cada centímetro de dilatação), as contrações ocorrem, quando no trabalho de parto chamado ativo, a cada 5 minutos, e com duração de 60 a 90 segundos.

Bem, pensando nestes números, temos que a cada 1 minuto de dores, terei 4 de total ausência de dor! Pensando assim, fica mais fácil aceitar o momento e respirar, buscando a calma e a tranquilidade para mais 1 minutinho, e mais um… um após o outro.

Ok, minha tarefa é: saber que de regra a dor é sim muito forte, mas que ela vai ser suportável e de uma forma possível de aguentar, afinal, caso contrário, como teriam ocorrido os nascimentos antes de surgir a cesárea? Preciso estar segura, confiante e muito calma!

 

Explicado tudo isso, a sage-femme passou a conversar mais diretamente com o Cris, qual o papel do pai neste dia tão especial? Explicou que devido a este “estado” em que eu provavelmente estarei, não devo me preocupar com nada, simplesmente deixar a cabeça vazia, sem estresse, ansiedades ou medos. Assim, caberá a ele a preocupação com todo o restante… papéis necessários para a maternidade, saber responder ao pessoal do hospital onde estão as coisinhas do bebê ou da mamãe, verificar antes de partir ao hospital que está tudo certo, saber como nos deslocaremos ao hospital, etc, etc, etc. Isso tudo, além de dar o apoio necessário a mamãe, que é essencial! 

Saber pelo que estarei passando ajudará o Cris a saber como agir e o que fazer para tentar aliviar um pouco as dores (e sobre isso teremos encontros específicos – massagens, pontos do shiatsu, respiração, apoio moral), e me conhecendo como ele me conhece, poderá até mesmo me ajudar em decisões importantes como o pedido da peridural.

Papel importante o do papai, não?

 

Nossos questionamentos foram, em princípio, muito básicos, pois é o nosso primeiro filho: Qual a melhor hora de ir para o hospital? Qual a hora limite? A partir de que momento a peridural pode ser solicitada? Posso requerer “peridural fraca” (para que a dor seja diminuída, mas que eu possa continuar a sentir o trabalho de parto)?

O que eu não sabia era que uma vez solicitada e realizada a peridural, não há mais nada que possamos fazer em relação a dor e ao trabalho de parto, resta-nos esperar o nascimento. Neste momento, a mãe (e também o pai) normalmente relaxa e consegue dormir um pouco, e o corpo da mulher continua a trabalhar (mais lentamente é bem verdade), com a dilatação ocorrendo pouco a pouco.

Como a anestesia o trabalho de parto retarda, e é por isso que muitas vezes se faz necessária a ocitocina sintética, para acelerar as contrações o a hora do nascimento.

 

Bem, este foi o nosso primeiro encontro, resumidamente! Saí satisfeita e confiante, pronta para pesquisar ainda mais a respeito do trabalho de parto e o parto natural e para realmente deixar meus temores de lado, confiando cada dia mais na minha capacidade de lidar com a dor e, se Deus assim permitir, ter um parto natural incrível!

 

Nesta fase em que estou (há 9 semanas do meu parto) tem sido super importante saber de mulheres que passaram pelo parto natural, escutar seus relatos, afinal, como disse a sage-femme preciso de boas referências para que minha cabeça passe a trabalhar a meu favor!

Assim, queria deixar um super obrigada, muito carinhoso a duas pessoas: minha prima Cibele Cesca e minha amiga Gabriela Hausen, que mesmo sem saber a enorme ajuda que estavam me dando, se dispuseram a conversar/escrever sobre as suas experiências, me deixando um pouco mais confiante!

 

Para terminar, quero deixar aqui um vídeo que mostra o nascimento de um bebê… impossível não se emocionar, pela força da gestante, mas acima de tudo pelo companheirismo e dedicação do marido! Vale a pena assistir!! (fonte youtube)

 

 

 

 

 

 

Conhecendo um pouco sobre o trabalho das doulas e das sage-femmes!

Hoje tive a minha primeira “consulta de verdade” com a sage-femme, ou seja, a primeira consulta em que um assunto específico foi abordado.

 

Mas antes de falar sobre o assunto propriamente dito, cabe esclarecer quem é a sage-femme e qual o seu papel no gestação e no parto.

 

Muitas pessoas me perguntam se seria a doula ou a parteira existente no Brasil. Em parte sim, mas há algumas diferenças…

 

DOULA:

Doula,  significa “acompanhante” ou “mulher que serve”, ou seja, é aquela que acompanha o parto. É também conhecida como Monitora, Assistente ou Acompanhante de Parto. É uma função que vem sendo resgatada aos poucos no Brasil.

Ocorre que antigamente as mulheres davam a luz acompanhadas de outras mulheres mais experientes que já tinham passado por parto(s) e poderiam ajudar a gestante neste momento tão delicado. Com o passar dos tempos, no entanto, o parto tornou-se um assunto médico, onde diferentes profissionais passaram a atuar, cada um com sua função bem definida (obstetra, pediatra, anestesista, enfermeira).

Porém, uma função restou vaga, a da pessoa responsável pelo bem-estar físico e emocional da gestante. Essa lacuna vem sendo preenchida pelas doulas, que surgem para dar um suporte emocional e afetivo à gestante, em um ambiente em que a maioria das pessoas que a rodeiam são desconhecidas, e em um momento em que na grande maioria das vezes a mulher está tomada pela dor, pelo medo do desconhecido e pela ansiedade. Assim, podemos dizer que o grande papel da doula é deixar a mãe segura e tranquila, para que o parto ocorra da melhor maneira possível.

O trabalho de uma doula por ocorrer dentro de um hospital, e neste caso essa profissional não conhece a gestante previamente, mas dá um suporte que os demais profissionais não conseguem dar devido à demanda hospitalar, chama-se doula voluntária ou institucional. Pode ocorrer de uma forma particularizada, onde a profissional é contratada pela gestante, conhecendo-a antes, acompanhando sua gestação e aconselhando/ensinando a respeito do trabalho de parto e  o puerpério (pós-parto).

São orientações a respeito de como passar pelo trabalho de parto de uma maneira mais tranquila, falando sobre massagens, respiração, exercícios, posicionamento, tudo que possa ajudar a gestante a aliviar suas dores e seus medos, além de orientar o companheiro em como ajudar a gestante neste momento tão delicado, sendo útil e dando um suporte para a gestante, participando ativamente do parto. Ainda presta informações a respeito dos tipos de parto, com suas vantagens e desvantagens, para que a opção seja feita de modo consciente, além de preparar a mulher para para os procedimentos médicos propriamente ditos, as intervenções, orientando como ocorrerá no dia do parto, deixando-a mais ciente e tranquila.

A doula também atua nas cesárias, dando apoio, confortando e ajudando a parturiente a relaxar durante a cirurgia. Após o parto é responsável pela assistência em relação a essa fase, orientando quanto a amamentação, cuidados com o bebê, etc.

Assim, podemos dizer que as funções básicas de uma doula são: acompanhar, oferecer um suporte emocional e físico à gestante, acalmar, passar seus conhecimentos, tudo com o objetivo final de ajudar a parturiente e também seu companheiro a passarem por este momento, o nascimento do bebê, da melhor forma possível.

A doula não faz procedimentos médicos nem exames, e nem mesmo cuida do recém-nascido, e por isso, não substitui qualquer profissional da área médica. É importante salientar que muitos médicos ginecologistas/obstetras prestam esse suporte às suas pacientes, fornecendo todo o suporte, seja ele físico ou emocional, necessário para que a gestante e seu companheiro fiquem tranquilos no momento do parto, bem como dando orientações a respeito das dores do trabalho de parto e de métodos para amenizá-las. 

A formação para ser doula ainda é privada, em cursos  que ocorrem timidamente pelo Brasil, tendo sido o primeiro no ano de 2001, na cidade de Campinas. Por serem cursos privados e não obrigatórios, há uma variação de carga horária, sendo de 40h este da cidade de Campinas. Não há uma profissionalização oficial, pois é uma atividade que atua sem oferecer riscos à população.

As doulas de atuação institucional, ou seja, aquelas que trabalham junto aos hospitais, normalmente são ali treinadas.

 

SAGE-FEMME:

Essa profissional (tradução: mulher-sábia), também conhecida como accoucheuse ou maïeuticienne possui basicamente as mesmas funções de uma doula  realizando um acompanhamento à gestante antes, durante e após o nascimento do bebê; porém, esse acompanhamento pode ir um pouco mais além do acima descrito.

A possibilidade de ir um pouco além é devido ao fato da mulher ter a opção de escolher, aqui na França, o profissional que vai fazer o seu pré-natal, dentre eles uma sage-femme, um ginecologista ou um obstetra. No meu caso em que estou sendo acompanhada por um obstetra desde o princípio, a sage-femme acaba por ter uma função praticamente igual a “doula particular”, e ocorre a partir da 30 semana de gestação, mais ou menos. Ou seja, ela entra em cena no final da gestação para aproximadamente 10 sessões onde tratará com a gestante (e com o seu companheiro, se possível) sobre diferentes temas como: a dor, a peridural, a respiração durante o trabalho de parto, exercícios e posicionamentos para aliviar as dores nas costas e as dores do parto, como é o dia do nascimento, os procedimentos médicos do dia do nascimento que são obrigatórios e os que não são, aleitamento, etc. Cada encontro tem um tema pré-definido. Assim, neste caso, ela atua sim como uma doula, sendo o seu papel aconselhar, acalmar, orientar.

Caso a gestante opte por ser acompanhada desde o princípio por uma sage-femme, essa será responsável por realizar o diagnóstico e a declaração da gravidez (sim, aqui você ganha uma declaração que está grávida, para encaminhar a aos organismos públicos como o sistema de saúde e o de assistência a moradia) e todo o procedimento que o gineco e o obstetra também realizam no pré-natal: pedir exames, analisar seus resultados e até mesmo realizar ecografia. Mas é importante frisar que a sage-femme só pode acompanhar a gestante durante toda a gestação se aquela não tiver nenhum antecedente patológico. Desde 2009, a sage-femme pode ainda prescrever a contracepção feminina.

 

Bem, há duas grandes diferenças entre essas profissionais, pelo que pude perceber (da minha vivência até este momento e das minhas leituras):

1) durante o nascimento a sage-femme é a pessoa responsável por todos os procedimentos antecedentes ao parto, sendo ela quem faz o monitoramento da dilatação, o acompanhamento das condições do bebê, quem orienta a gestante buscando o seu conforto e quem chama o anestesista quando a parturiente decidir pela peridural. É responsável também pelo parto natural (sem a necessidade de nenhum acessório – se precisar de fórceps, por exemplo, outro profissional que atua) nas maternidades, sendo que o obstetra só entra em cena na necessidade de uma cesária. Neste dia tão importante, essa profissional possui também a função de assegurar a boa saúde do recém-nascido e analisar os seus reflexos. A doula, ao contrário, não pode realizar o parto, mesmo que normal, nem mesmo se ocupa do bebê logo após o nascimento.

2) no que diz respeito a formação, a da sage-femme é bem extensa, são 5 anos, à nível de graduação. É realizada por uma escola especial ligada à maternidade, sendo a admissão nesta escola feita por classificação. O diploma é emitido pela Faculdade de Medicina, pois o primeiro ano é feito conjuntamente com outros cursos da área da saúde – medicina, farmácia e cirurgia dentária – (nos 4 anos restantes, 1/3 é dedicado á parte teórica e 2/3 à parte prática).  

Após o nascimento, as sages-femmes dão uma espécie de monitoramento para as mamães, por uma semana, orientando sobre os cuidados com o bebê, a amamentação, contracepção hormonal e reeducação uro-ginecológica. 

 

Algumas curiosidades:

* Aqui na França o acompanhamento da sage-femme não é obrigatório, porém muito aconselhado, especialmente no caso de tratar-se da primeira gestação. Esse acompanhamento é pago pelo sistema de saúde.

* Em todo o post me referi às profissões de doula e sage-femme no feminino, simplesmente pelo fato da grande maioria dos profissionais atuantes serem mulheres; porém, é importante dizer que não são profissões exclusivas do sexo feminino, podendo sim serem exercida por homens. À nível de curiosidade, a profissão foi aberta aos homens aqui na França em 1985, e a sua denominação é Accoucheur ou Maïeuticien.

 

 

 

Amsterdam

Essa cidade sempre esteve nos nossos planos… sempre pensamos em conhecê-la!

Após a nossa ida a Bruxelas, visitar a Cibele, o Rodrigo e a Heleninha (e encontrar a Tia Diva), e escutarmos eles falarem de Amsterdam com tanto carinho, ela entrou para o nosso roteiro certo… mas com a gestação e as visitas que tivemos, o tempo foi passando e quase quase que ela “fica para depois”!

Mas nada como um super feriadão e a barriga crescendo (o que vai me impedir de viajar de avião logo logo) para tomarmos a decisão, meio que de última hora, e irmos realizar esse projeto!! Ainda com o incentivo de estarmos na primavera e nos dias do famoso parque das tulipas… a decisão ficou fácil!

Tendo uma semana de folga, conseguimos encaixar duas cidades: Amsterdam e Londres (esta em seguida terá seu post próprio)! Então… pé na estrada!

 

Amsterdam, capital da Holanda, não é uma cidade recheada de monumentos e pontos turísticos como Paris, por exemplo. Encontramos a sua beleza em uma caminhada, nas suas casas tortas, nos inúmeros canais e pontes, e nas incontáveis bicicletas que tomam conta da cidade.

OBS.: ao contrário do que imaginei, em um site encontrei a informação de que Amsterdam “conta com mais de 7 mil monumentos e edifícios declarados sendo de valor histórico, e com mais de cinquenta museus públicos e privados” (ver aqui).

Bem… seguindo…

Conhecida como a “Veneza Holandesa” (mais uma Veneza para a nossa listinha), devido aos seus inúmeros canais, Amsterdam é  uma cidade consideravelmente nova, pouco mais de 700 anos de história, mas tão bela e encantadora que seu Centro Histórico é Patrimônio da Humanidade, segundo a UNESCO.

 

Com mais de 800 mil habitantes (juro que não imaginei que eram tantos) a cidade é recheada de museus e programações para os incontáveis turistas que ali se encontram. Ficamos 2 dias na cidade e um terceiro dia no parque das tulipas (um encanto à parte), e acreditamos ser tempo suficiente para conhecer Amsterdam, não na sua totalidade, mas deixando um gostinho de “quero mais”.

Duas coisas realmente me chamaram a atenção: o cuidado com a cidade, repleta de parques e jardins floridos, dando um colorido todo especial aos dias normalmente nublados; e o carisma das pessoas que ali moram, prestativos e atenciosos ao dar informações.

 

Chegando na cidade e saindo da estação central, já nos deparamos com a inconfundível arquitetura das casas e da própria estação, além dos canais que estão por toda as esquinas. Nos munimos do mapa da cidade (adorei a embalagem parecida com um remédio) e partimos para nosso primeiro dia.

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Estação central

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Nosso inseparável remedinho, o mapa!

“Para a nooooossa alegria” (não resisti, desculpem) fomos brindados com um lindo dia de sol: raridade!! Como a primeira programação foi prejudicada por uma imensa fila de espera (não queríamos perder um dia de sol em uma fila para depois ficar mais de hora dentro de um museu), decidimos passear pelo bairro Jordaan.

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Bairro antigo, atualmente conhecido como o bairro dos artistas e intelectuais, foi na verdade construído para abrigar os trabalhadores envolvidos na expansão da cidade através do cinturão de canais no século XVII. Portanto até as décadas de 60 e 70, foi um bairro de trabalhadores, só depois sendo tomado por artistas, estudantes e profissionais liberais.

É um local recheado com lindos canais, bares, cafés antigos ou Bruincafés – que são cafés com séculos de idade.

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Aproveitamos para dar uma paradinha para nos deliciarmos com a famosa Appelgebak met slagroom, ou simplesmente torta de maçã com chantili. Segundo o DaniDuc do blog Ducs Amsterdam (para mim o melhor blog sobre a cidade), provar essa torta deve fazer parte da programação! Assim,  paramos na cafeteria Winkel 43 que, segundo o próprio DaniDuc, serve a melhor torta de maçã da cidade… realmente uma delícia!

torta

Passeamos pelas ruas deste adorável bairro, repleto de lojinhas encantadoras e que segundo Kimbell, que nos recebeu no Hotel Liberty (adoramos esse hotel e, sem dúvidas, recomendamos! Instalações simples mas muito boas e limpas, bem localizado e atendimento nota dez), por ser um bairro menos turístico, é onde encontraremos os melhores preços da cidade.

A famosa praça Dam é onde ocorre a festa de final de ano, com fogos de artifício e shows.  Antiga, grande e repleta de turistas, é onde encontramos o Museu da Madame Tussaud (que não visitamos por estarmos de partida para Londres em 2 dias) e o Palácio Real. Não é de uma beleza de tirar o fôlego, mas não se pode deixar de dar uma passadinha, dado seu valor histórico, tendo sido mercado central e também palco de diversos protestos.

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Neste local existia uma represa do Rio Amstel (dam = represa) e ao seu redor que a cidade se desenvolveu. Essa represa virou praça, porém o nome permaneceu, sendo a origem do nome da cidade, que inicialmente era Amstel Dam (represa do Amstel), chegando a atual Amsterdam.

Abaixo o Monumento Nacional, que foi construído em memória àqueles que perderam suas vidas na Segunda Guerra Mundial, também presente na praça Dam.

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Aproveitando o sol, visitamos a Feira Albert Cuypmarkt, que ocorre todos os dias, há mais de 100 anos. Uma feira de rua que vende de tudo: roupas, capas de celulares, flores, bicicletas, comida, etc. Apesar dos turistas baterem o ponto na feira, ela não deixa de ser muito frequentada pelos holandeses que ali moram. Mas tínhamos um motivo especial para nos deslocarmos até esta feira, os famosos Stroopwafels que a Cibele nos apresentou e que virou encomenda certa quando ela ia de Amsterdam para o Brasil. Lá fica a famosa barraquinha das “bolachas de caramelo” que são feitas na hora. Clarooo que comemos uma grande feito na hora e trouxemos um pacote na bagagem… tudo em nome do Pedro!

O Cris aproveitou e conheceu o tradicional Haring, um peixe marinho cru servido com picles e cebola. Gostosinho, mas cheinho de espinhos! Para as gestantes… atenção: só uma provinha! 😉

Se tem uma coisa que eu gosto é de viajar com o maridão… nosso jeito realmente combina! Normalmente temos um roteiro, até bem organizado (se alguém precisar de guia turístico, fale comigo… estou até pensando em abrir uma agência de viagens :D), mas a flexibilidade é o nosso ponto alto. E devido a ela, ao retornar de bonde para o centro da cidade, decidimos descer em um local não previsto, mas que era lindo… um pequeno jardim no meio de uma rótula.

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Uma espiadinha no mapa e alteramos o roteiro… caminhando poucos metros pela beira de um canal, já estaríamos na Praça Het Museumplein, então bora caminhar um pouquinho! Essa praça reúne os museus Rijksmuseum, o Van Goghmuseum e o Stedelijlmuseum, além do Concert Hall e do famoso letreiro “I AMsterdam”, que parece ser o mais disputado de todos para fotos!

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“I AMsterdam” ao fundo 😛

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Uma passadinha no Mercado flutuante das flores, onde lembramos muito da minha mãe, que ia enlouquecer com as mudas de tulipas e após, um merecido descanso no nosso Hotel antes de partir para a noite de Amsterdam.

A noite não poderia acontecer em outro local que o famoso Red Light District (bairro da luz vermelha). Bairro famoso pelas vitrines em que as mulheres são o próprio “produto ofertado” – uma vez que a prostituição é legalizada na Holanda – além dos coffeeshops  – onde é permitido o consumo da maconha – e de diveros sexshops. Sim, tudo ali, nas ruas, nas vitrines, onde encontramos muitas famílias passeando, crianças, idosos… na grande maioria turistas.

É estranho para quem mora em um País onde a maconha e a prostituição não são legalizadas estar num local como esse, não há como não ficar curiosa e olhar mesmo. Mas mais curiosa ainda era a minha situação: grávida, com barrigão, neste local… confesso que no início me senti um tanto “estranha”, mas depois não tinha como não relaxar e curtir… afinal era o que todos faziam ali.

A foto abaixo foi tirada com a “autorização” dos policiais! Li em muitos blogs que não é permitido tirar fotos no Red Light District, mas acredito que a proibição esteja restrita às “profissionais” (há adesivos de proibição de fotografas nas vitrines). Contudo, nunca se sabe quando algum policial não vai pensar que você está tirando foto com um super zoom… então não custa nada pedir né?

redlight

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Erotic Museum

O bairro que estamos falando é denominado De Wallen, o centrão. Porém é possível encontrar vitrines com mulheres ofertando seus trabalhos em outros locais da cidade e nos mais diversos horários. Pertinho do Hotel que ficamos tinham algumas vitrines com mulheres trabalhando pela manhã… é assim né? Afinal, você não sai cedo de casa para trabalhar?

Jantamos em um Pub super legal (novamente indicação do DaniDuc) chamado Beleerde Suster. Local agradável, bem decorado, onde além de ser um pub, é também restaurante e uma micro cervejaria local.

No segundo dia acordamos cedinho com o objetivo de evitar a enorme fila do Museu Anne Frank. Foi o museu escolhido por nós para visitar na cidade, uma vez que já tínhamos feito um super passeio em fevereiro, na cidade de Arles, vendo as paisagens (ao vivo e a cores) pintadas por Van Gogh.

Eu, muito culta que sou, nunca tinha ouvido falar de Anne Frank, mas ao fazer o roteiro me encantei por sua história: uma adolescente judia, que morava com sua família na cidade de Amsterdam, por volta de 1940. No seu aniversário de 13 anos, ganhou de seus pais um diário, onde inicialmente escrevia “coisas secretas” sobre a sua escola, amigas, garotos… como quase toda adolescente tem (ou tinha, na minha época ainda tínhamos os famosos diários)!

Logo após ganhar este presente, os nazistas invadiram a Holanda, enviando os judeus para os campos de concentração. O pai de Anne, que possuía duas empresas na cidade, decidiu se esconder com sua família e mais algumas pessoas em uma das empresas, e para isso contou com a ajuda de 4 pessoas, todos seus colegas/sócios.

Por 2 anos eles viveram uma vida de total reclusão, sem sair do esconderijo e sem sequer abrir as escuras cortinas para que não fossem vistos pelos vizinhos, tinham que ter cuidados diários como não falar alto (pois os funcionários da empresa que trabalhavam no mesmo prédio não sabiam que ali estavam), não utilizar as torneiras durante o dia (devido ao barulho dos encanamentos), etc. Uma verdadeira reclusão!!

Porém eles foram traídos (sem saber por quem) e descobertos, sendo todos encaminhados aos campos de concentração. Todos morreram, exceto o pai de Anne Frank, que retornou ao esconderijo ainda na esperança de ter notícias da sua família. Após saber da morte de sua filha Anne, decidiu ler seu diário e conheceu uma menina madura, totalmente diferente da filha com quem convivia… que mostrava através das palavras seus sentimentos e sua força. Assim, decidiu publicá-lo! O livro é um best-seller e existe em mais de 70 idiomas…

O museu, uma das maiores atrações de Amsterdam, fica na antiga empresa onde a família permaneceu escondida… é realmente emocionante! Não é permitido tirar fotos no museu, e por isso não temos um registro para colocar aqui 🙁

Após a visita, voltamos ao Hotel para tomarmos o café da manhã feito pelo anfitrião Kimbell (do Liberty Hotel) que nos falou mais um pouco da cidade!

O Hotel fica encostadinho na menor fachada de Amsterdam (o prédio é maior para trás), sendo portanto quase que um ponto turístico!!

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Depois trocarmos de hotel para o Family Hotel Kooyk, que também indico pela estrutura, localização e especialmente pela atenção dispensada pela proprietária.

Esse segundo hotel ficava mais longe do centrão, porém mais próximo de outras atrações programadas para o segundo dia! Assim partimos para a visita ao lindíssimo parque Vondelpark, enorme e super bem cuidado, onde passamos agradáveis momentos a três. 

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Pracinhas e cafés

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Onde está o Pedro?

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A tarde um merecido passeio na cervejaria Brouwerij ‘t IJ, tao recomendada pela Cibele, Rodrigo, Daniel (agora o meu irmão). Uma cervejaria pequena, que funciona desde 1985,  muito agradável! Tem uma deck para ficar ao ar livre (que aproveitamos mesmo sem o sol do dia anterior), curtindo a paisagem dos canais e do moinho.

Quando as cervejas em si não tenho como falar (vamos aguardar um post a respeito né Cris?!), mas passei ótimos momentos com o maridão neste local, conversando e aprendendo um pouquinho mais sobre o fabuloso mundo das cervejas!!

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Nosso terceiro dia em Amsterdam foi dedicado ao Parque Keukenhof, que farei um post especial… mas antes dele, nos despedimos dessa agradável cidade com um passeios por seus canais.

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Indicamos muito a cidade para quem for dar um pulinho na Europa, Amsterdam é imperdível!! 

Uma nova forma de hospedagem…

Hoje decidi escrever sobre uma nova forma de hospedagem que descobri quando já estava morando aqui na França, apesar da indicação ter vindo do meu irmão.

Trata-se do AIRBNB, um site no estilo booking, porém onde os particulares colocam seus imóveis para “alugar” por curtos períodos.

Utilizei por duas vezes e fiquei super satisfeita!

 

Funciona da seguinte forma: você entra no site www.airbnb.com.br e preenche os campos “para onde você quer ir?”, datas de chegada e partida, e quantidade de hóspedes.

Podes refinar a sua busca na coluna da esquerda, escolhendo, por exemplo, se queres que o imóvel esteja todo disponível (pois há pessoas que alugam quartos, privativos ou compartilhados, e que permanecem na casa, essa opção ainda não experimentei), reduzindo o preço da diária para a faixa que seu orçamento permitir, escolhendo a localização dentro da cidade (bairro) já selecionada inicialmente e/ou ainda selecionando algumas comodidades que entendas essenciais, como estacionamento, internet sem fio, piscina, permissão para fumar, etc. Aí é só analisar as opções ofertadas vendo as fotos, a localização através do mapa (que inicialmente, por motivo de segurança, não é exata, mas bem aproximada), as regras do imóvel e suas características. Do lado direito já vai aparecer o preço da diária, a taxa do site e da limpeza, e mais alguma peculiaridade se houver, como por exemplo, valor adicional acima de um número pré-determinado de pessoas no imóvel.

É super importante dar uma olhadinha nos comentários que ficam na parte inferior da página, pois neles podem conter informações que na descrição do imóvel não constam, como por exemplo, se o imóvel é menor que o tamanho que aparenta nas fotos, se tem água quente (aqui na França é um problema a ser analisado, pois normalmente os tonéis de água quente servem um número limitado de banhos), condições de limpeza, segurança da rua/área ao redor do imóvel (para analisar se podes voltar caminhando para o imóvel a noite), hospitalidade e ajuda do anfitrião, dentre inúmeras outras informações importantes.

Antes de efetuar a reserva, é possível entrar em contato com o proprietário do imóvel através de mensagens pelo site, para tirar quaisquer dúvidas sobre o imóvel ou solicitar informações adicionais. No meu caso, as respostas foram sempre super rápidas. Tais consultas são recomendáveis pelo próprio site, sendo até mesmo necessárias várias consultas para encontrar um imóvel que o satisfaça.

 

Há uma série de recomendações do próprio site (no link “confiança e segurança”, na parte inferior da página principal) que são interessantes ler antes de utilizá-lo, como por exemplo, apenas se comunicar com os proprietários/interessados através do site, pesquisar sobre a pessoa com quem estás negociando através de outras que já alugaram o imóvel em questão, além de informações sobre como funcionam os pagamentos (só é liberado ao proprietário 24h após sua saída do imóvel, caso não tenha ocorrido nenhum problema a ser solucionado). Há também garantias para quem aluga, como não podia deixar de ser, como a possibilidade de reclamar caso tenhas danificado o imóvel e o consequente desconto do valor do dano direto do seu cartão.

 

O lado bom do AIRBNB (na minha opinião):

* normalmente os preços são mais convidativos que os dos hotéis, especialmente se forem mais de duas/três pessoas;

* liberdade para utilizar a cozinha e assim diminuir os gastos da viagem com alimentação;

* liberdade para as crianças que possuirão mais espaço;

 

Minhas experiências:

1) Em Barcelona –> estávamos, eu e o Cristiano, com mais um casal de amigos, e alugamos um apartamento no centro de Barcelona pagando o mesmo preço que pagaríamos para ficar em um Hostel com banheiro compartilhado e camas beliches. Essa experiência foi muito interessante, inicialmente porque os proprietários da casa estavam viajando, deixando a chave com uma amiga. Só conhecemos os proprietários na hora da entrega das chaves, no último dia. Porém isso não significou que não tivemos assistência dos mesmos, por mensagens estavam sempre dispostos (os donos do apartamento e a própria amiga) a nos ajudarem, inclusive com indicação de restaurantes. O que achamos mais interessante foi que eles simplesmente saíram de casa, deixando-a em ordem para nós, mas com todos os seus pertences (como se tivessem saído para ir na padaria): porta-retratos, bebidas, alimentos na geladeira, etc. Uma casa normal… Claro que nós, como “inquilinos” precisamos ter o bom senso e não utilizar as coisas da casa, por isso compramos nossa alimentação e usamos a geladeira sem nenhum problema. Preparamos nossa ceia de ano novo e assim economizamos uma grana boa jantando em casa com os amigos.

Esse casal utilizava o airbnb há uns 6 meses, então já tinham instruções básicas na geladeira, bem como espalhadas pela casa (em cima da mesa, lembrando de usarmos os porta-copos para não estragar o móvel; no armário, avisando que ali estavam suas roupas e que não deveríamos abrir aquela parte; ensinando como usar o aquecedor), além de informações sobre a cidade e um mapa a nossa disposição, com a indicação dos pontos turísticos e meios de transporte.

 

2) Em Roma –> alugamos um apartamento de um brasileiro (o que facilitou a comunicação, pois não falo italiano, mas normalmente o inglês é bem compreendido por todos) super bem localizado, ao lado do Vaticano. Essa experiência foi um pouco diferente, pois o imóvel parecia mesmo para alugar, não tinha qualquer resquício de que alguém morasse nele. Os utensílios de cozinha eram em número reduzido (mas suficientes), não haviam armários ocupados com roupas ou alimentos. Apesar de também recebermos as chaves de uma amiga do proprietário, ele esteve sempre a disposição para nos ajudar pelo telefone.

Foi um verdadeiro achado, eis que fomos numa época em que os hotéis estavam absurdamente caros (troca do Papa), e estávamos em 5 adultos e 4 crianças, o que tornaria o nosso gasto com hotel gigantesco – pagamos em torno de 1/3 do valor que gastaríamos em hotel. Para as crianças foi super bom, pois podiam ficar bem a vontade no apartamento, além de termos um ponto de apoio para o descanso, necessário nesta situação.

 

Bem, agora eu sempre procuro no Airbnb paralelamente ao booking, especialmente se ficarei na cidade por mais de 2 dias (pois na minha opinião para ficar 1 dia, nada melhor que um hotel ou mesmo um hostel – desses falarei em um post futuro) e se estamos com mais pessoas (acho que o ideal para compensar o valor dos hotéis é a partir de 4 pessoas, pois com 3 ainda encontramos bons preços nas redes de hotéis “ibis e cia limitada”). Percebo também que é uma ótima opção para aquelas datas importantes, em que normalmente os hotéis duplicam ou até triplicam suas diárias (na época em que fomos para Roma, um hotel que tinha ficado 2 meses antes estava cobrando 3 vezes o preço da diária), como ano Novo, Páscoa, Natal, etc.

 

Decidi escrever este post, pois sei que nós brasileiros estamos calejados pela insegurança e violência que vivemos em nosso País, infelizmente. E percebo ao comentar sobre o airbnb e outras facilidades que descobri aqui, que criamos uma proteção natural, e desconfiamos das pessoas que estão a nossa volta; temos a sensação de que sempre terá alguém querendo “passar a perna na gente”, não é? É claro que pode dar errado, que podemos nos deparar com uma pessoa mal-caráter, que anuncia um imóvel em condições diferentes das reais, ou pior, que não existe; mas hoje acredito que as chances são pequenas, que no geral, “o esquema funciona bem”. Sei que facilita muito estar aqui na Europa, onde as pessoas tem uma visão diferente desses serviços, talvez por não vivenciarem a nossa violência, realmente não sei se usaria o airbnb dentro do Brasil. 🙁

Bem… acho que vocês entendem o meu posicionamento acima, espero que sim!

 

Mas o post foi feito com o objetivo de deixar essa dica e tentar orientar um pouquiho. Hoje, em minhas viagens, eu uso o airbnb… e recomendo!!

 

Caso tenhas alguma experiência a respeito e queira compartilhar… será bem legal! Use os comentários abaixo!!

 

😉