Sage-femme – segundo encontro!

Após o segundo encontro com a sage-femme, ocorrido no dia de hoje, fiquei pensando o que eu escreveria aqui, e quase quase que este post não sai.

O fato é que o assunto de hoje foi mais técnico, poderia assim dizer, onde ela desenhou o posicionamento do bebê do ventre, nomeou algumas estruturas fisiológicas que participam do parto e simulou com uma boneca, alguns tecidos e a pelve (osso da bacia – forma antiga de chamar essa estrutura) a forma como o bebê saí no parto natural. Falou do rompimento da bolsa, do início do trabalho de parto e mais algumas informações práticas do dia do nascimento. O que falar de tudo isso? E o mais importante: para que?

Bem, o fato é que eu e o Cris, apesar de percebemos que são informações com as quais não podemos fazer nada de prático, são super importantes para que a gente saiba o que estará acontecendo com o meu corpo na hora do parto e o simples saber, certamente nos deixará mais tranquilos. E nada melhor do que a tranquilidade para esse dia tão especial!

 

Sendo assim, começamos o nosso trabalho de parto, o de hoje virtual e imaginário.

Algumas pessoas tem como marco para este momento o rompimento da bolsa amniótica, mas é sabido que um bebê pode nascer até mesmo sem essa se romper. Então, o trabalho de parto tem como “início oficial” quando a gestante tem, por 1 hora, contrações fortes e regulares, numa frequência de aproximadamente uma a cada 5 minutos. 

É importante ter em mente que a gestante normalmente tem contrações irregulares antes desse “início oficial”, que são chamadas de pródromos ou contrações de treinamento ou contrações de Braxton-Hicks ou ainda, contrações falsas. São contrações que aparecem e desaparacem, não sendo doloridas, um leve desconforto, e que duram em média de 30 a 60 segundos. Podem ocorrer por vários dias e sua principal característica é a IRREGULARIDADE e o fato de não aumentarem de intensidade. Há mulheres que quase nem percebem essas contrações. Costumam ser sentidas a partir da 16a semana, mas podem vir até antes ou bem depois!

Outro fenômeno que pode ocorrer é a saída do tampão… uma espécie de gelatina, como a clara do ovo, que serve para proteger a entrada do útero. Ele pode ter uma cor mais escura, até meio amarronzado, devido a presença de um pouco de sangue, sem que seja um motivo para maiores preocupações. O tampão pode até mesmo ser refeito naturalmente, e não é motivo para perder a calma! Normalmente a saída do tampão é um indicativo de que o trabalho de parto se aproxima, porém o tempo é variável, podendo iniciar horas após ou até mesmo dias depois (até mesmo 2 semanas).

 

A duração do trabalho de parto pode variar de mulher para mulher, mas em média, em uma primeira gestação, ela dura entre 8 e 15 horas, considerando-se o “início oficial” acima descrito.

PS.: como podemos ver, todos os prazos são variáveis! Isso porque cada mulher é uma, cada parto também… a mesma mulher pode ter partos que ocorrem de maneiras completamente diferentes! Então, tudo o que se fala aqui e o que os livros trazem, são médias, servem apenas para termos uma idéia da sequência que estamos descrevendo.

 

Como normalmente a bolsa amniótica se rompe, preciso estar preparada para “o que fazer?” e saber “O que vou sentir?”

Quando esse fenômeno natural ocorrer, o esperado é que saia um líquido claro como a água e que o bebê continue a se movimentar normalmente, se assim for, a parturiente não precisa se assustar e correr para o hospital. Importante frisar que a indicação médica mais comum é de que se vá diretamente para o hospital/maternidade, uma vez que com esse rompimento abriu-se uma janela para as infecções, pois não há mais a proteção natural do bebê e o meio em que ele se encontra passa a não ser totalmente estéril. Contudo, é sabido que o ambiente hospitalar não é o mais indicado quando falamos de infecções, afinal é para lá que as pessoas vão para se tratarem de problemas infecciosos, e as bactérias existentes no hospital são, de regra, inúmeras vezes mais resistentes que as presentes em nossa casa. Assim, presente estes requisitos (líquido claro e movimentação normal do bebê), podemos ficar tranquilos e em casa, por mais umas 3 ou 4 horas. É permitida e recomendada (para se ter energia para as horas que teremos pela frente) a ingestão de comidas leves (churrasco não é o mais indicado, atenção!) como frutas frescas ou secas e carboidratos de fácil digestão – afinal após chegar ao hospital você ficará impedida de comer por várias horas -, um banho de chuveiro (no caso do rompimento da bolsa não é indicado o banho de banheira face ao maior risco de infecção) e muita calma!

As contrações passarão a ser mais fortes após esse momento. Por este motivo, caso não ocorra o rompimento da bolsa amniótica naturalmente e a parturiente ainda não tenha solicitado a peridural, é recomendado que o rompimento não seja feito pelo profissional de saúde, pois só fará aumentar as dores da gestante.

 

Na hora exata do nascimento ocorre um alargamento da pelve (ela tem uma certa mobilidade) que somada com a mobilidade da cabeça do bebê (suas placas ósseas na cabeça ainda não são fixas) permite a passagem do mesmo. Para isso o ideal é que ele esteja posicionado com o rosto virado para as costas da mãe, e logo após a saída da cabeça naturalmente ocorre uma pequena torção do bebê para o lado, saindo então o seu corpinho, que é bem mais molinho que a cabeça.

Caso ele esteja virado com a face para a parte da frente do corpo da mãe, o nascimento por parto normal pode ocorrer, porém devido a compressão da nuca do bebê (parte com maior diâmetro) com o osso pelve, a gestante pode sentir dores nas costas durante as contrações (normalmente a dor da contração é centrada no abdômen).

 

Aproximadamente após uns 20 minutinhos sairá, também com uma contração (mas bem menos dolorida), a placenta e o trabalho de parto está finalmente finalizado. A partir deste momento, ocorre um sangramento natural, ficando a gestante por mais ou menos 2 horas na sala do nascimento para que seja monitorada. Neste tempo a família (bebê, papai e mamãe) está se descobrindo, é também o momento da primeira amamentação e essas 2 horas passam rapidamente.

 

No próximo encontro continuaremos falando sobre o andamento do dia do nascimento e as intervenções médicas que são obrigatórias e as que são dispensáveis…

 

Em tempo, e por conta: Caso você, assim como eu, tenha interesse em estudar sobre o trabalho de parto, verá que existem descrições de diferentes fases e estágios do trabalho de parto. E neste caso perceberá algumas diferenças com o que relatei aqui (até mesmo porque não entrei no assunto de nenhuma fase com nomes específicos).

O fato é que o objetivo desses posts é informar sobre meus encontros com a sage-femme, as informações repassadas por ela e como estou me sentindo a respeito da minha gestação e da proximidade com o parto.

Mas vou tentar resumir esses estágios e fases para que fique o registro e não haja confusões.

Primeiramente pode-se dizer que o trabalho de parto tem 3 estágios, compostos de fases:

A) Estágio onde ocorrem as contrações, composto de 3 fases:

FASE LATENTE ou PRÉ-TRABALHO DE PARTO –> contrações ritmadas, de 20 em 20 minutos, 15 em 15 minutos e cada vez diminuindo mais esse tempo de intervalo. Neste momento as dores são suportáveis e o corpo feminino passa a se banhar de ocitocina, o hormônio do bem-estar. Estar conectada com o maridão nesta fase é ótimo, pois a emoção de saber que logo chegará seu bebê e de passar por esse período tão importante juntos é enorme!

Curiosidade: Inúmeros relatos falam de um pico de energia nesta fase, como o aumento da vontade de caminhar, correr, limpar a casa, lavar o carro, organizar as roupinhas do bebê, etc. Loucura hormonal? Pode ser, mas acredito que o melhor seja economizar as energias e tentar manter a calma, pois em breve seu corpo será super exigido.

 

FASE ATIVA –> é a fase em que a sage-femme considera o início do trabalho de parto, ou seja, contrações regulares com intervalos de 5 minutos, aproximadamente. Porém há relatos desse requisito ser ligado ou alternado, leia-se e/ou, com mais de 4 ou 5 centímetros de dilatação. Normalmente por serem bem mais doloridas, a gestante não consegue falar enquanto está tendo uma contração. Apesar da variação entre as gestantes, ao que tudo indica esta é a fase mais longa do trabalho de parto. aqui a respiração e o relaxamento são essenciais.

 

FASE DE TRANSIÇÃO –> inicia-se em torno de 7 ou 8 centímetros de dilatação e vai até a dilatação completa, ou seja, 10 centímetros. Nesta fase as contrações vem em intervalos ainda menores, aproximadamente de 2 em 2 minutos.

É comum a mulher entrar em uma espécie de “estado de transe”, face ao elevado nível de ocitocina no corpo. Pode até mesmo ocorrer dela sequer responder com coerência o que lhe questionam, isso quando responder. Nesta fase a mulher pode desacreditar na sua capacidade de seguir com o parto normal, diz não conseguirá, que vai desmaiar ou morrer. Pode sentir náuseas, tremedeiras e até vomitar. É comum pedir a peridural nesta fase.

Medidas de conforto são necessárias aqui, palavras que a estimulem e a encorajem, música relaxante, massagens, mas devido ao estado em que se encontra, tudo isso pode irritá-la. Pode-se dizer que é o período mais intenso, físico e emocionalmente, do trabalho de parto!!

 

B) Estágio Expulsivo –> é nesta etapa que ocorre a saída do bebê. A gestante encontra-se normalmente mais lúcida e ativa. Este período inicia com 10 centímetros de dilatação e é quando o útero empurra o bebê pelo canal vaginal. As contrações continuam (podendo haver um pequeno intervalo entre estes estágios), e a cada uma delas o bebê desce mais um pouquinho (recuando um pouquinho também quando a contração cessa, mas é o normal, desde que ele desça um pouco cada vez). E vai assim até o médico dizer que o bebê está “coroando”, que significa que ele está próximo a vagina. Nesta hora é comum a parturiente sentir um ardor na vagina, conhecido como “círculo de fogo”.

Aqui ocorrem os “puxos” que é a vontade de fazer força, respeite seu corpo e ache a posição mais confortável para fazê-la.

Duração? Este estágio pode levar poucos minutos, mas em mamães de primeira viagem pode ser que dure horas. E nesta etapa que pode ser necessária a episiotomia, que é um pequeno corte no períneo, músculo que fica entre a vagina e o ânus, aumentando o espaço para o bebê passar e evitando assim lacerações.

 

C) Estágio onde ocorre a saída da placenta –> aqui ocorre um descolamento da placenta da parede uterina e a consequente saída, através de contrações que não são tão doloridas como as anteriores. A placenta sai juntamente com a bolsa amniótica vazia e o médico deve examiná-la a fim de verificar se saiu íntegra ou se restou algum pedacinho no abdômen.

 

Acredito que era isso… mas sigo nos meus estudos! 😉

Beijinhos

 

 

2 thoughts on “Sage-femme – segundo encontro!

    • Tem que ser né Fer… ainda mais sendo o primeiro filho, apesar de saber que aprendemos errando e que todo mundo sobrevive, não queremos errar!! O jeito é estudar muitooo!

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