Amamentação – Quinto encontro com a sage-feme

“A amamentação é uma capacidade aprendida, é necessário preparo e prática – e nem todo mundo pode ou deve fazê-lo.” Tracy Hoog, Os segredos de uma encantadora de bebês.

Esse livro acima, no capítulo “De quem é essa boquinha?” aborda o tema da amamentação de uma forma maravilhosa! Fala da diferença entre dar o peito e dar a mamadeira, entre o leite materno e o industrializado, trazendo pontos de vistas diversos  (físicos e emocionais) para que a mãe possa decidir a melhor forma de alimentar seu filho. –> sugiro a leitura! Por esse motivo, neste post, fiz uma mistura de informações passadas pela sage-femme, retiradas deste livro e do blog http://vilamamifera.com/depeitoaberto

 

Amamentação, esse é um assunto que já tinha sido conversado no primeiro dia de sage-femme, no dia em que ela fez minha “ficha completa” colhendo informações de todos os tipos. Ao ser questionada se tinha feito alguma cirurgia, disse com tristeza que tinha feito a mamoplastia, e que por esse motivo acreditava que não poderia amamentar.

OBS.: a tristeza se refere ao momento que estou passando, onde a amamentação para mim é mais importante que o tamanho dos seios. Mas claro que durante os 17 anos que separam essa fase com a data da cirurgia curti muitoooooo o resultado!

Bem, lá naquele dia ela disse que tudo dependeria da forma como foi realizada a cirurgia. A cicatriz realmente indica que tenha sido realizada com o corte dos ductos, porém não podemos ter certeza. Ainda, me afirmou que mesmo assim existe sim a chance/possibilidade de amamentar, confirmando que conheceu mulheres que tiveram sucesso mesmo tendo realizado a mamoplastia com o corte dos ductos, apenas tiveram um pouco mais de trabalho.

Já saí daquele encontro bem mais feliz!

 

Agora estávamos tendo um encontro onde o assunto era a amamentação! E mesmo sendo um assunto de mãe, o Cris esteve ao meu lado, me dando um apoio enorme e acreditando junto comigo que poderei dar o peito ao nosso filho! Queremos muito, pois acreditamos que é mais saudável para o nosso pequeno!!

 

Seguem abaixo algumas informações que nos foi passada:

* segundo a OMS até os 6 meses o bebê deve ser alimentado apenas com o leite materno, a partir dos 6 meses até os 2 anos ocorre a inclusão de frutas e legumes.

* 2 anos –> esse é o período ideal para dar leite ao seu bebê! Após esta idade, a criança não precisa mais de leite.

* duração da amamentação: de 5 a 40 minutos (intervalo nada objetivo)

          Tracy Hogg: “a medida que os bebês crescem eles se tornam mais eficientes em mamar e demoram menos. Seguem estimativas:

4 – 8 semanas:   até 40 minutos

8 a 12 semanas: até 30 minutos

3 a 6 meses:       até 20 minutos”

* o bebê mama de 7 a 12 vezes no dia, devendo ser alimentado a cada 2 a 4 horas –> devemos esperar os sinais do bebê indicando que está com fome (item abaixo). Caso não dê sinais, esperar no máximo por 4 horas.

* dar o seio antes do bebê chorar, quando ele der sinais de que está com fome (ele se mexe bastante, tenta colocar a mão na boca, mexe a cabeça para o lado como que procurando o seio, e mexe a boca lambendo os lábios sutilmente), pois dessa forma o bebê não associa o “direito de mamar” com a fome, que para ele é algo ruim   –> diferentemente de um adulto que consegue suportar algum tempo com fome, para o bebê não é nada agradável sentir fome (faz mal para o bebê).

* para pegar o seio, o bebê deve estar com a boca bem aberta e os lábios abertos. Normalmente sugam 2 ou 3 vezes para depois deglutir.

* é preciso estimular o bebê para que ele não durma enquanto está mamando –> algumas dicas do livro “os segredos de uma encantadora de bebês”: a) esfregar suavemente seu polegar na palma da mão do bebê, em movimentos circulares; b) acaricie as costas ou o braço do bebê; c) corra os dedos pela coluna vertebral dele. Nunca colocar pano úmido na testa do bebê ou fazer cócegas em seu pé para mantê-lo acordado! Se nada funcionar deixe-o dormir por 30 min.

* a cada amamentação, dar um seio até que o mesmo esvazie.

 

Abaixo algumas informações sobre as fases e composições do leite materno, retiradas do site http://vilamamifera.com/depeitoaberto

O leite materno é perfeito, pois contém todos os nutrientes necessários para conseguir um crescimento e um desenvolvimento ideais,  com a quantidade adequada de nutrientes para cada fase do bebê.

“O milagre do leite materno é que sua composição muda à medida que o bebê cresce!” Tracy Hogg

Nos primeiros dias (de 5 a 7 dias) tem-se o colostro (produzido desde 20 semanas de gestação, aproximadamente), um leite amarelado e cremoso/viscoso, rico em proteínas, vitaminas, sais minerais e lactose. Rico em anticorpos formados na glândula mamária, fornece ao bebê a primeira imunização pós-parto, além de diversos outros benefícios, como o favorecimento da expulsão do mecônio, limpando o tubo digestivo.

Após essa primeira fase ocorre a produção do “leite de transição”, durante uma ou duas semanas. Tem um aspecto mais aguado, o que não significa tratar-se de um leite mais fraco. Ele vai se modificando de modo gradual (por isso o nome “de transição”) conforme as necessidades nutricionais e digestivas do bebê:  a concentração de imunoglobulinas e o teor de vitaminas lipossolúveis tornam-se progressivamente menores, enquanto aumenta o conteúdo de vitaminas hidrossolúveis, lípidos e lactose, com consequente acréscimo do aporte calórico. Esta fase é conhecida como a “descida do leite”, e pode acarretar febre na mãe, dor de cabeça e congestão vascular, sendo o momento em que ocorre um novo aumento no volume das mamas.

Por fim temos o “leite maduro” ou “definitivo” que surge por volta da terceira semana após o parto, tem um aspecto mais consistente que o leite de transição e coloração mais branca. Sua produção aumenta ao longo da lactação e de acordo com a necessidade da criança. Possui maior teor de lipídio e de lactose, e menor quantidade de proteína. Importantíssimo salientar que nesta fase o leite também apresenta modificações, em função da etapa da amamentação, da hora do dia, da nutrição da mãe e da idade do bebê. No início da mamada, é normalmente mais acinzentado e aguado, rico em proteínas, lactose, vitaminas, minerais e água, e, no final da mamada,costuma ser mais branco e rico em energia, ou seja, é rico em gordura. E é o alto teor lipídico no leite do final da mamada (o chamado leite posterior) que induz a sensação de saciedade, pois cerca de metade da energia fornecida pelo leite materno é mediada por gorduras.

A quantidade de gordura no leite aumenta ao longo da mamada. Não é um aumento pequeno; está comprovado que a concentração de gordura ao final da mamada pode ser cinco vezes maior que no princípio –> a respeito do assunto, aconselho a leitura do seguinte texto, achei muito interessante: http://vilamamifera.com/depeitoaberto/como-se-faz-o-leite/

“Existem variações significativas na composição do leite materno de hora para hora, de mês para mês ou de mulher para mulher.”  Tracy Hoog

 

Devido a essa modificação da composição do leite durante a mamada (inicialmente rico em proteínas, lactose, vitaminas, água e minerais e após em gordura), a sage-femme passou a orientação de a cada mamada dar um seio, até que o mesmo reste vazio, para que assim o bebê possa ingerir todos os nutrientes necessários, especialmente no caso de necessidade do bebê aumentar o peso, eis que a gordura está presente na parte final do processo.

Caso a mama esvazie e o bebê continue a sugar, dar o outro seio. Contudo, na próxima mamada iniciar pelo segundo seio, ou seja, pelo que o bebê terminou na mamada anterior.

 

* o leite materno pode ser retirado com bombinhas próprias para ser dado ao bebê em outro momento, na mamadeira (caso a mãe não possa estar presente no horário da fome), podendo ficar 24 horas na geladeira e até 3 meses no congelador. Deve ser armazenado em mamadeiras esterilizadas os em sacos próprios para isso (não utilizar plásticos comuns), devendo sempre ser rotulado com a data e o horário da extração. Armazene em recipientes de 50 a 100ml, evitando desperdícios.

* temperatura ideal para aquecer o leite: 36 graus centígrados –> deve ser aquecido em banho-Maria ou em aparelhos próprios para o aquecimento, evitando-se ao máximo o microondas, pois ele altera a composição do leite, decompondo as proteínas. Use o leite descongelado imediatamente ou guarde-o na geladeira por, no máximo, 24h. Você pode combinar o leite descongelado com o fresco, mas nunca congele-o novamente.

* apesar da possibilidade de dar o leite em mamadeiras, não é aconselhável que seja feito antes dos 15 dias de vida do bebê, eis que a sucção na mamadeira é mais fácil, dificultando assim o posterior retorno ao seio.

* é normal o bebê perder cerca de 10% do seu peso nos primeiros dias, isso ocorre porque antes, no útero, ele era alimentado pela placenta, e agora precisa aprender a se alimentar, e isso pode demorar alguns dias. Porém, a maioria dos bebês recuperam o peso dentro de sete ou dez dias. Se após a segunda semana não ocorrer essa recuperação, a visita ao pediatra de faz obrigatória!

* Pico ou impulso de crescimento: período de 1 ou 2 dias durante o qual o bebê precisa de mais alimento que o normal. Geralmente esses impulsos acontecem a cada 3 ou 4 semanas. São como “ataques de fome”, onde parece que o bebê está mais faminto, querendo comer o dia inteiro –> dê mais leite para o seu bebê!!

Com o processo de crescimento as necessidades do bebê mudam e o aumento da necessidade de sucção é a forma que a natureza encontra de enviar uma mensagem para o corpo da mãe, para que o mesmo produza mais leite.

* o leite industrializado é digerido mais lentamente que o leite humano, o que significa que os bebês alimentados desta forma fazem intervalos entre as mamadas maiores, de aproximadamente 4 horas ao invés de 3 horas.

 

Posicionamento para a amamentação:

É importante que a mãe esteja bem posicionada ao dar o seio para o bebê, uma vez que o fará com muita frequência, e caso contrário restará possivelmente com dores nas costas e ombros.

* encostar as costas no sofá

* utilizar um sofá ou cadeira com suporte para os braços

* acomodar o bebê sobre uma almofada de amamentação ou travesseiros, para que não seja necessário sustentar o bebê, aliviando assim o esforço nos braços e ombros

* o bebê deve ficar com a barriga colada na barriga da mãe, ou seja, posicionado bem de frente para o corpo da mãe.

* segundo Tracy Hogg “para um encaixe adequado, os lábios do bebê devem estar ao redor do mamilo e da aréola. Estenda ligeiramente o pescoço do bebê de forma que o nariz e o queixo encostem no seu seio. Isso ajuda a manter o nariz do bebê desobstruído, sem ter de segurar-se ao seio. Se você tiver os seios grandes, coloque uma meia enrolada sob eles para mantê-los erguidos.”

Abaixo seguem fotos de algumas posições para amamentar:

Repare que na primeira foto há uma almofada florida abaixo da almofada de amamentação, na altura da cabeça do bebê. Importante o posicionamento da mão direita, mantendo firme a cabeça do bebê na correta posição – de frente para o seio da mãe.

DSC07848

Nesta segunda posição a almofada florida passa da lateral esquerda para o meio das pernas, acompanhando o posicionamento da cabeça do bebê, mantendo-a assim ligeiramente mais elevada.

DSC07849

Segundo Tracy Hogg o posicionamento ideal da mão que segura o seio é segurá-lo com os dedos a 2,5cm acima e 2,5cm abaixo do mamilo.

Finalizando, abaixo segue a posição ideal para amamentar à noite.

DSC07850

 

2 thoughts on “Amamentação – Quinto encontro com a sage-feme

  1. OI, seu estou na França desde que fiz meu doutorado e casei com um frances. Eu tenho um site internet que vende tudo pra amamentaçao (tive a ideia porque achei que nao era suficientemente entendida aqui no que se refere à amamantaçao). Eu tambem faço parte de uma associaçao pro-amamentaçao na Gironde, onde moro. Adoraria trocar idéias com você. Se quiser bater um papo ou precisar de umas dicas me liga o telefone esta bem em cima da pagina do site… Atenciosamente, Sandrine

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