Archive | julho 2013

Massagem – como ajudar a aliviar as dores da gestante!

POST ESCRITO NO DIA 18/07/2013 – UM DIA ANTES DA CHEGADA DO NOSSO PEQUENO PEDRO!

 

Está chegando a hora!! Começo a perceber que o momento está próximo quando recebo o primeiro desejo de “bom parto, que tudo ocorra bem!” ao me despedir de uma amiga que iria sair de férias… frio da barriga! Logo depois, ao verificar os dias agendados com a sage-femme, me deparo apenas com mais UM encontro?! É… tá chegando a hora de conhecer a carinha do nosso pequeno Pedro! Mas confesso que não me sinto ansiosa! Ahh essa é a pergunta campeã da atualidade… estou esperando, uma ansiedade boa poderia dizer, mas nada de nervosismo até agora! Eu e o Cris nos sentimos bem preparados para a chegada do Pedro, estudamos bastante, conversamos muito um com o outro, ele foi super dedicado me acompanhando em TODAS (sem faltar nenhuma mesmo) as consultas com o obstetra e a sage-femme, e nada mais natural que chegar o grande dia!   Bem, mas antes ainda tem esse relato do nosso último encontro com a sage-femme, um assunto delicioso e que eu amoooo: massagem! Confesso que a expectativa para esse encontro foi grande, afinal, quem não quer receber uma massagem?

Bem, inicialmente usamos mais da metade da consulta para tirar nossas dúvidas a respeito de tudo o que já tínhamos escutado nos nossos encontros e mesmo de nossos estudos. Super produtivo e importante, afinal a hora está chegando!

Num segundo momento chegou a hora da massagem: não sei se pelo fato de eu ser esteticista e trabalhar com massagem, já tendo atendido gestantes, estudado na faculdade massagem para gestante ou lido muito a respeito, ou ainda tudo isso junto (bem provável), mas saí um pouco frustrada desse encontro. O Cris também teve essa sensação, talvez por ser esposo de esteticista e até já ter feito algumas manobras de massagem em mim, mesmo antes da gestação (que maridão, não é?!).

Bem, o fato é que a massagem foi super simples. Desta forma decidi passar aqui algumas dicas de posicionamento e movimentos que são eficazes para o alívio da dor nas costas, que é a região mais sobrecarregada no período gestacional. Essas dicas são uma mistura do que a sage-femme nos passou e do que costumo aplicar nas minhas massagens.

* posicionamento da gestante: pode ficar deitada de lado (o ideal é colocar um travesseiro ou uma almofada de amamentação entre as pernas para alinhar a coluna, e um travesseiro que preencha o espaço entre o pescoço e o ombro) ou sentada na cadeira invertida ou na bola suíça apoiando a cabeça e os braços na maca/mesa/cama alta, mais ou menos como nas fotos abaixo.

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* musculatura a ser trabalhada: a musculatura que é mais exigida durante a gestação, devido a alteração do centro da gravidade da gestante, é a musculatura das costas, desde a região lombar até a cervical. Como o centro de gravidade é deslocado para frente, o corpo automaticamente força a musculatura das costas para que a gestante não caia para frente, sendo essa contração inconsciente.

No meu caso que adotei a mesma posição de dormir desde o princípio da gestação (de lado e para o lado esquerdo), as dores se concentram num mesmo local, musculatura ao lado da coluna mas especialmente do lado esquerdo e trapézio esquerdo.

No desenho abaixo temos duas linhas (em vermelho) que na medicina ocidental correspondem aos meridianos. A primeira, mais central, fica bem ao lado da coluna vertebral, enquanto a segunda fica do lado interno da escápula. Estas duas linhas (da nuca até a base da coluna) podem servir de base para a massagem nas costas da gestante. Importante lembrar que ao massagear essas linhas não devemos massagear a parte óssea (coluna e escápulas), apenas a musculatura.

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Nas fotos abaixo os polegares das massagistas estão posicionados nestas linhas referidas; perceba que na segunda foto a linha é menos central.

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* inicialmente, antes mesmo de passar qualquer produto, massagear todas as costas com uma bolinha (borracha ou de tênis), com o objetivo de soltar a região.

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* passar um creme ou óleo na região das costas – o ideal é que seja um óleo especial para massagem (passar sem exagero, o suficiente para deslisar), pois com o creme é necessário ficar repassando devido a absorção do mesmo;

* movimentos a serem feitos: na verdade qualquer manobra que movimente a musculatura vai ajudar, pois vai mobilizar e soltar a região que está sempre contraída. porém há algumas clássicas:

– na musculatura que fica ao lado da coluna vertebral, fazer os seguintes movimentos, nos dois sentidos (de baixo para cima e o inverso): círculos com os polegares, deslisamento com os polegares, pressão com os polegares.

– repetir os movimentos na linha que fica ao lado das escápulas (linha menos central).

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Pressão com os polegares

– massagear ao redor da escápula (e não em cima dela). É muito bom se conseguires massagear por baixo da escápula, erguendo-a um pouco e até mesmo mexendo (mobilizando) um pouco essa estrutura óssea (facilitará se você apoiar  com a mão que não está massageando no ombro, fazendo uma leve força contrária). imagem7 – com uma mão por cima da outra, massagear toda a lateral das costas em movimentos circulares e amplos, com a parte mais gordinha da palma da mão (reparar na foto abaixo). Caso a gestante esteja deitada de lado, o ideal é fazeres este movimento na região da coluna para cima e depois a gestante vira de lado para receber do outro lado das costas.

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 – para finalizar, com a gestante sentada, massagear a região do trapézio e pescoço. Nesta região é comum as pessoas fazerem uma espécie de “amassamento” (aquela massagem clássica que todo mundo faz nesta região) –> aconselho que seja realizado apenas o deslisamento com os polegares ou com a lateral da mão, da região do pescoço, passando pelo trapézio até os ombros, pois é uma região muito dolorida, e caso o amassamento não seja bem feito, pode causar forte dores.

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Com os polegares…

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…com a lateral das mãos

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Sentido da massagem

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como NÃO fazer (exceto se for profissional)

 

OBS.: muitas fotos deste post foram retiradas do google. Assim, caso o(a) autor(a) das mesmas desejem que eu as retire do blog, basta entrar em contato comigo pelo email abpetry@gmail.com

Você sabe como respirar durante o trabalho de parto?

No nosso sétimo encontro com a sage-femme aprendemos sobre a RESPIRAÇÃO. Ela nos explicou o porquê da importância de bem respirar, sendo os objetivos a boa oxigenação do bebê, e também a concentração no momento da contração no ato de respirar, o que fará com que não se perca o foco e acabe por dar uma atenção maior que a necessária para a dor. Ou seja, prestando atenção no ato de respirar durante a contração e dedicando-se totalmente a isso, a dor tende a não tomar uma proporção maior que a real.

No post do primeiro encontro com a sage-femme escrevi o seguinte:

“(…)ficou claro que o ideal é desligar do mundo e estar o máximo possível relaxada, sem preocupações… conhecer o que virá pela frente apenas para aceitar o trabalho de parto, as contrações e a dor, passando por cada contração com tranquilidade. Respirar, respirar, respirar!

É possível? Diferentemente do que a maioria das pessoas imagina, o trabalho de parto não é todo ele dolorido. Apesar de poder durar horas e horas (e isso também varia conforme a natureza de cada mulher, mas em média umas 10 horas – 1h para cada centímetro de dilatação), as contrações ocorrem, quando no trabalho de parto chamado ativo, a cada 5 minutos, e com duração de 60 a 90 segundos.

Bem, pensando nestes números, temos que a cada 1 minuto de dores, terei 4 de total ausência de dor! Pensando assim, fica mais fácil aceitar o momento e respirar, buscando a calma e a tranquilidade para mais 1 minutinho, e mais um… um após o outro.”

Então, vamos aprender como respirar neste momento tão dolorido mas igualmente especial.

Entre as contrações, a respiração deve ser a mais normal possível! Neste momento o útero encontra-se relaxado e o corpo descansa, buscando energia para a próxima contração. Não há desconfortos nesta etapa, por isso é importante a respiração normal da gestante.

Mas como é a sua respiração? Normal? A minha, por exemplo, não é nada do que podemos chamar de “normal”, respiro pela boca na maior parte do tempo e tenho uma respiração essencialmente abdominal. Pois é, cada pessoa tem o seu modo de respirar, e é importante conhecer o seu!

Durante as contrações, apesar de um pouco diferente, a respiração é muito simples de ser realizada. E tinha que ser assim, afinal, estar com dores e fazer algo complexo seria pedir demais né?!

Então em cada contração o que devemos fazer é inspirar lentamente, preferencialmente pelo nariz, sentindo o ar entrar no corpo e encher primeiro o abdômen e logo após os pulmões. Quando isso ocorrer, nosso abdômen e o tórax vão inflar (as costelas se afastam), e por fim os ombros vão se elevar. Após, expirar lentamente pela boca, fazendo um biquinho (como se estivesse soprando uma vela) para que o ar saia bem devagar – neste momento tórax e abdômen murcham.

Cada pessoa te o seu ritmo, mas é importante que faça a respiração lentamente e, preferencialmente que o tempo de inspiração seja o mesmo que levamos para expirar, podendo até contar.

No encontro, fizemos uma simulação do tempo das contrações. A sage-femme marcava no relógio 4 minutos de respiração normal, e após 1 minuto fazendo essa respiração, imaginando a contração. Após algumas repetições, ela passou a diminuir gradualmente o tempo entre as contrações, para 3 minutos, 2 minutos e enfim um minuto, mantendo a duração de 1 minuto para cada contração.

No meu caso, por exemplo, eu conseguia fazer umas 4 respirações completas em 1 minuto. Passava rapidinho… e isso foi muito bom para que eu pudesse perceber que é possível aguentar a dor, além de notar que o tempo que ficamos sem contração é essencial para uma boa recuperação para a próxima contração.

Uma coisa muito importante é treinar a respiração! E uma ótima hora para treinar é quando estamos tendo as contrações de treinamento (aquelas que vem antes do trabalho de parto, e são irregulares e indolores – no meu caso começaram mais ou menos com 34 ou 35 semanas, mas conheço mulheres que tinham desde a metade da gestação).

Para mim, que normalmente respiro com o abdômen e pela boca, foi muito difícil essa respiração, sendo essencial o treinamento. Meu tórax não enchia muito de ar, não sentia ele inflar, além de sentir que inspirando pelo nariz não entrava ar suficiente… mas passei a repetir a respiração durante as contrações de treinamento, e mesmo nos momentos que estava descansando, deitada no sofá, por exemplo, e hoje posso dizer que melhorei muito! Hoje percebo claramente o tórax inflando e sinto que recebo mais ar, e sei que isso beneficiará a mim e ao Pedro no seu nascimento.

Por fim, na nossa simulação veio a hora da expulsão do bebê. Nesta hora certamente terá alguém da equipe médica orientando a gestante a como proceder, avisando quando segurar o ar e fazer força, especialmente se a mamãe recebeu uma peridural (pois neste caso não estará sentindo as contrações).

Neste momento a respiração deve ser igual a descrita acima, realizada durante as contrações, com um pequeno intervalo entre a inspiração e a expiração, onde seguramos o ar, por aproximadamente 7 segundos, e fazemos força para a expulsão do bebê. Essa força é a mesma de quando vamos ao banheiro. Repetimos até que a contração termine.

OBSERVAÇÃO: li em diversos lugares outra respiração que deve ser feita na fase de expulsão, informando que ao segurarmos o ar e fazermos força com o abdômen o bebê sobe, ao contrário do que queremos neste momento, que ele desça.

Podemos fazer a experiência colocando a mão sobre o abdômen e sentindo que realmente a tendência é que o bebê suba se fizermos força abdominal da maneira descrita.

Assim, a outra forma de respirar na fase de expulsão é expirar profundamente usando os pulmões e o diafragma para empurrar o bebê para baixo, sendo possível sentir que a barriga realmente desce.

 

Neste encontro fizemos as simulações, eu e o Cris. Inicialmente parece estranho o papai fazer os exercícios de respiração… para que? Porém, é essencial que ele também tenha conhecimento sobre os tipos de respiração, pois desta forma será muito mais fácil perceber se estivermos respirando de modo errado ou mesmo “esquecendo” de respirar durante o trabalho de parto. Poderá assim ajudar orientando a respiração e até fazendo junto, ajudando e vivenciando esse momento único!

Uma delícia de encontro – Sage-femme…

Super relaxante… assim poderia definir o nosso sexto encontro com a sage-femme!!

O assunto: posições e técnicas para aliviar a dor no trabalho de parto!

Essas posições servem para tornar o trabalho de parto mais rápido e menos dolorido. Ficar deitada na cama é a pior coisa a fazer durante esses momentos, eis que dificulta a descida do bebê, além de pressionar o cóccix contra a cama, não permitindo a mobilidade natural e necessária que ele necessita para a passagem do bebê!

Esse encontro foi bem prático, e eu ganhei muitas massagens e pude até relaxar um pouquinho… adorei!

Abaixo seguem as fotos com as explicações de algumas posições que aprendemos:

1) Pressão sobre o cóccix com a palma da mão (em qualquer sentido, como mostram as fotos). Diminui a dor que a gestante pode estar sentindo nesta região.

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2) Pressionar com os polegares ao lado do cóccix. Mesmo objetivo!

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3) Apertar com os polegares a musculatura que fica ao lado da coluna vertebral, de cima a baixo (meridiano da bexiga). Relaxa muito, pois essa musculatura é muito exigida desde o momento em que a barriga cresce. É o local onde tenho mais dores, especialmente à noite!

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4) Massagear as costas com uma bolinha de tênis. Nem preciso falar o quanto é relaxante e bom (pelo mesmo motivo descrito acima)… é só olhar a minha cara de felicidade na foto! 😉

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5) Posições para alongar as costas!

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Pobre marido…

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movimentando-se na bola suíça

6) Posição para descansar… para aliviar a pressão sobre as costas e sobre o cóccix, o ideal é colocar uma pequena almofada ou travesseiro fino levantando um pouco o quadril (foto 2).

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7) Pontos de acupuntura no pé (na parte de trás e na da frente) –> estimulam as contrações e ajudam na dilatação do colo do útero. Serve para ajudar nos casos do trabalho de parto estar lento.

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8) Pontos para aumentar a tolerância a dor. Abaixo dos maléolos (ossos do tornozelo). Apertar preferencialmente nos dois pés ao mesmo tempo e durante as contrações. Caso a gestante não tolere a dor, fazer entre as contrações.

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Importante o papel do pai neste momento né? Além de um suporte emocional, ele realmente pode fazer algo de concreto para ajudar neste momento tão dolorido. Contudo precisa estar ciente da sua ação, não sendo “necessário” questionar a gestante se ela “quer” que faça a massagem ou que aperte algum ponto, uma vez que está com dores e certamente dirá que não, com receio de que a dor piore. A orientação é no sentido de fazer o que estiver ao seu alcance (sem perguntar), parando caso a gestante peça ou relate piora.

Neste encontro foi o que aprendemos… mas haverá mais um sobre massagens!! Aguardo ansiosa!