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Uma nova forma de hospedagem…

Hoje decidi escrever sobre uma nova forma de hospedagem que descobri quando já estava morando aqui na França, apesar da indicação ter vindo do meu irmão.

Trata-se do AIRBNB, um site no estilo booking, porém onde os particulares colocam seus imóveis para “alugar” por curtos períodos.

Utilizei por duas vezes e fiquei super satisfeita!

 

Funciona da seguinte forma: você entra no site www.airbnb.com.br e preenche os campos “para onde você quer ir?”, datas de chegada e partida, e quantidade de hóspedes.

Podes refinar a sua busca na coluna da esquerda, escolhendo, por exemplo, se queres que o imóvel esteja todo disponível (pois há pessoas que alugam quartos, privativos ou compartilhados, e que permanecem na casa, essa opção ainda não experimentei), reduzindo o preço da diária para a faixa que seu orçamento permitir, escolhendo a localização dentro da cidade (bairro) já selecionada inicialmente e/ou ainda selecionando algumas comodidades que entendas essenciais, como estacionamento, internet sem fio, piscina, permissão para fumar, etc. Aí é só analisar as opções ofertadas vendo as fotos, a localização através do mapa (que inicialmente, por motivo de segurança, não é exata, mas bem aproximada), as regras do imóvel e suas características. Do lado direito já vai aparecer o preço da diária, a taxa do site e da limpeza, e mais alguma peculiaridade se houver, como por exemplo, valor adicional acima de um número pré-determinado de pessoas no imóvel.

É super importante dar uma olhadinha nos comentários que ficam na parte inferior da página, pois neles podem conter informações que na descrição do imóvel não constam, como por exemplo, se o imóvel é menor que o tamanho que aparenta nas fotos, se tem água quente (aqui na França é um problema a ser analisado, pois normalmente os tonéis de água quente servem um número limitado de banhos), condições de limpeza, segurança da rua/área ao redor do imóvel (para analisar se podes voltar caminhando para o imóvel a noite), hospitalidade e ajuda do anfitrião, dentre inúmeras outras informações importantes.

Antes de efetuar a reserva, é possível entrar em contato com o proprietário do imóvel através de mensagens pelo site, para tirar quaisquer dúvidas sobre o imóvel ou solicitar informações adicionais. No meu caso, as respostas foram sempre super rápidas. Tais consultas são recomendáveis pelo próprio site, sendo até mesmo necessárias várias consultas para encontrar um imóvel que o satisfaça.

 

Há uma série de recomendações do próprio site (no link “confiança e segurança”, na parte inferior da página principal) que são interessantes ler antes de utilizá-lo, como por exemplo, apenas se comunicar com os proprietários/interessados através do site, pesquisar sobre a pessoa com quem estás negociando através de outras que já alugaram o imóvel em questão, além de informações sobre como funcionam os pagamentos (só é liberado ao proprietário 24h após sua saída do imóvel, caso não tenha ocorrido nenhum problema a ser solucionado). Há também garantias para quem aluga, como não podia deixar de ser, como a possibilidade de reclamar caso tenhas danificado o imóvel e o consequente desconto do valor do dano direto do seu cartão.

 

O lado bom do AIRBNB (na minha opinião):

* normalmente os preços são mais convidativos que os dos hotéis, especialmente se forem mais de duas/três pessoas;

* liberdade para utilizar a cozinha e assim diminuir os gastos da viagem com alimentação;

* liberdade para as crianças que possuirão mais espaço;

 

Minhas experiências:

1) Em Barcelona –> estávamos, eu e o Cristiano, com mais um casal de amigos, e alugamos um apartamento no centro de Barcelona pagando o mesmo preço que pagaríamos para ficar em um Hostel com banheiro compartilhado e camas beliches. Essa experiência foi muito interessante, inicialmente porque os proprietários da casa estavam viajando, deixando a chave com uma amiga. Só conhecemos os proprietários na hora da entrega das chaves, no último dia. Porém isso não significou que não tivemos assistência dos mesmos, por mensagens estavam sempre dispostos (os donos do apartamento e a própria amiga) a nos ajudarem, inclusive com indicação de restaurantes. O que achamos mais interessante foi que eles simplesmente saíram de casa, deixando-a em ordem para nós, mas com todos os seus pertences (como se tivessem saído para ir na padaria): porta-retratos, bebidas, alimentos na geladeira, etc. Uma casa normal… Claro que nós, como “inquilinos” precisamos ter o bom senso e não utilizar as coisas da casa, por isso compramos nossa alimentação e usamos a geladeira sem nenhum problema. Preparamos nossa ceia de ano novo e assim economizamos uma grana boa jantando em casa com os amigos.

Esse casal utilizava o airbnb há uns 6 meses, então já tinham instruções básicas na geladeira, bem como espalhadas pela casa (em cima da mesa, lembrando de usarmos os porta-copos para não estragar o móvel; no armário, avisando que ali estavam suas roupas e que não deveríamos abrir aquela parte; ensinando como usar o aquecedor), além de informações sobre a cidade e um mapa a nossa disposição, com a indicação dos pontos turísticos e meios de transporte.

 

2) Em Roma –> alugamos um apartamento de um brasileiro (o que facilitou a comunicação, pois não falo italiano, mas normalmente o inglês é bem compreendido por todos) super bem localizado, ao lado do Vaticano. Essa experiência foi um pouco diferente, pois o imóvel parecia mesmo para alugar, não tinha qualquer resquício de que alguém morasse nele. Os utensílios de cozinha eram em número reduzido (mas suficientes), não haviam armários ocupados com roupas ou alimentos. Apesar de também recebermos as chaves de uma amiga do proprietário, ele esteve sempre a disposição para nos ajudar pelo telefone.

Foi um verdadeiro achado, eis que fomos numa época em que os hotéis estavam absurdamente caros (troca do Papa), e estávamos em 5 adultos e 4 crianças, o que tornaria o nosso gasto com hotel gigantesco – pagamos em torno de 1/3 do valor que gastaríamos em hotel. Para as crianças foi super bom, pois podiam ficar bem a vontade no apartamento, além de termos um ponto de apoio para o descanso, necessário nesta situação.

 

Bem, agora eu sempre procuro no Airbnb paralelamente ao booking, especialmente se ficarei na cidade por mais de 2 dias (pois na minha opinião para ficar 1 dia, nada melhor que um hotel ou mesmo um hostel – desses falarei em um post futuro) e se estamos com mais pessoas (acho que o ideal para compensar o valor dos hotéis é a partir de 4 pessoas, pois com 3 ainda encontramos bons preços nas redes de hotéis “ibis e cia limitada”). Percebo também que é uma ótima opção para aquelas datas importantes, em que normalmente os hotéis duplicam ou até triplicam suas diárias (na época em que fomos para Roma, um hotel que tinha ficado 2 meses antes estava cobrando 3 vezes o preço da diária), como ano Novo, Páscoa, Natal, etc.

 

Decidi escrever este post, pois sei que nós brasileiros estamos calejados pela insegurança e violência que vivemos em nosso País, infelizmente. E percebo ao comentar sobre o airbnb e outras facilidades que descobri aqui, que criamos uma proteção natural, e desconfiamos das pessoas que estão a nossa volta; temos a sensação de que sempre terá alguém querendo “passar a perna na gente”, não é? É claro que pode dar errado, que podemos nos deparar com uma pessoa mal-caráter, que anuncia um imóvel em condições diferentes das reais, ou pior, que não existe; mas hoje acredito que as chances são pequenas, que no geral, “o esquema funciona bem”. Sei que facilita muito estar aqui na Europa, onde as pessoas tem uma visão diferente desses serviços, talvez por não vivenciarem a nossa violência, realmente não sei se usaria o airbnb dentro do Brasil. 🙁

Bem… acho que vocês entendem o meu posicionamento acima, espero que sim!

 

Mas o post foi feito com o objetivo de deixar essa dica e tentar orientar um pouquiho. Hoje, em minhas viagens, eu uso o airbnb… e recomendo!!

 

Caso tenhas alguma experiência a respeito e queira compartilhar… será bem legal! Use os comentários abaixo!!

 

😉

 

…mais pinturas!

Nos dois últimos posts falei sobre as “janelas fechadas” e  os “muros pintados”, que encontramos na cidade de Lyon, com as ressalvas para as janelas que são vistas em diversas cidades.

Você ainda não leu a respeito? ok, ok, eu espero um pouquinho para ficares por dentro do assunto… vai lá, clica em cima do nome dos posts e se diverte!

...e aí? Leu?

…e aí? Leu?

Então é hora de seguir…

Assim sendo, deves estar imaginando como ficaram os prédios com essas janelas fechadas… um espaço vazio, um desperdício ? Porque manter assim até os dias de hoje?

"Enfeiando" a cidade??

“Enfeiando” a cidade??

O motivo de manterem as janelas fechadas eu realmente não sei, mas o que eu presenciei foi uma criatividade incrível das pessoas que, transformaram estes espaços sem vida em telas de pintura, recheadas de arte.

E assim temos uma mistura dos posts anteriores, porém espalhada por diversas cidades, onde o espaço das antigas janelas tornaram-se telas de pintura, embelezando ainda mais a arquitetura dos imóveis que tanto nos encantam.

 

Os prédios abaixo foram fotografados na cidade de Avignon. Foi nesta cidade que eu e o Cris começamos a reparar nas janelas e nas pinturas… chamou-nos a atenção o cuidado com os posicionamentos dos personagens, seus olhares, suas mãos tocando as grades, tudo isso dando uma idéia de realidade impressionante.

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O prédio abaixo, em Lyon, me impressionou muito. Ao bater a foto, olhei no visor da câmera e achei por bem olhar para o prédio novamente… quais janelas eram pintadas e quais eram reais? A veneziana é de uma precisão que me deixou na dúvida!

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Muros pintados… em Lyon

Recebemos um casal de amigos na última semana e no roteiro deles estava Lyon… confesso que em um primeiro momento desanimei! Já tínhamos ido para lá na Fête des Lumiéres, lembram? E não vimos muita coisa de interessante (exceto a festa propriamente dita) além de uma cidade grande, sem aquele estilo europeu que tanto gostamos. Porém, roteiro das cidades prontos, era a hora de fazer o roteiro do passeio… e Lyon coube a mim!
Primeiro as informações básicas: Lyon fica a 100km de Grenoble, é a terceira maior cidade da França (atrás de Paris e Marseille, com quase 480.ooo habitantes), sendo a segunda maior área urbana (atrás de Paris, obviamente, com cerca de 2.142.732 habitantes), pertencendo à região de Ródano-Alpes… a “nossa” região (dentro dessa região, Grenoble está no departamento Isére).
Quando vou visitar uma cidade, leio a respeito dela nos guias turísticos e nos blogs, para conhecer um pouco da sua história e saber o que visitar. Foi questão de 1 horinha para eu começar a gostar de Lyon… e foram algumas coisas nada típicas me chamaram a atenção, dentre elas, alguns “muros pintados”.
Esses muros, são parte de Lyon, uma arte bem típica da cidade, e tão bem feitos e integrados à paisagem que podem passar desapercebidos.
Existem centenas deles, e como não tinha tempo para ficar procurando (1 dia na cidade somente), peguei um mapinha e marquei a localização de dois mais conhecidos e próximos de onde iríamos.
O primeiro deles é o chamado “La fresque des Lyonnais”, e ele é tão bem feito e interessante, que estávamos na frente do endereço e demoramos um pouquinho para percebê-lo e olhar para cima. Nele estão pintadas diversas personalidades que nasceram na cidade de Lyon, como os irmãos Auguste e Louis Lumière (inventores do cinema – e claro que aqui lembrei do meu irmão), o escritor Saint-Exupéry (autor do livro “O Pequeno Principe” – e lembrei da minha irmã Simone, que adora esse livro), dentre muitos outros como o Paul Bocuse, que é considerado o melhor chefe de cozinha do mundo. As pinturas ainda foram feitas numa ordem, estando nos andares mais altos os personagens ou personalidades mais antigos.
Antes (obviamente foto retirada da internet):
Depois (fotos um pouquinho maiores para verem os detalhes)
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Foto para meus irmãos, Daniel e Simone ;)

Foto para meus irmãos, Daniel e Simone 😉

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Essa foto abaixo eu adorei, não dá para acreditar que tem uma loja abaixo? E a sombra do tapete??
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Outro muro super conhecido é o chamado “Mur des Canuts”, que foi pintado em 1987. São 1200 metros quadrados (o maior da Europa) de pura arte. O nome se deve ao tema da pintura, pois é a representação da vida dos Canuts, que eram operários do século XIX que teciam seda.   É um muro que realmente está integrado com a paisagem da cidade. Infelizmente não passamos por ele, mas deixo aqui o registro para aqueles que tiverem curiosidade… dêem uma olhadinha na internet, é de impressionar!
Fomos ainda na pintura chamada “La Biblioteque de la Cité”, que apesar da parte superior representar uma biblioteca e não prédios ou imagens urbanas como nos anteriores, também chama muita atenção.
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Sua parte inferior é de uma realidade incrível…  não acham?
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Ainda encontramos outras pinturas caminhando pela cidade.
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Algumas mais simples, mas que impressionavam pelos detalhes, como os pássaros abaixo.
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Algumas pouco prováveis no meio de uma cidade…

... um leão?

… um leão?

...uma pantera negra?

…uma pantera negra?

 

E para fechar com chave de ouro, com muito orgulho apresento uma pintura que encontrei… aqui no teatro de Grenoble! 😛

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Janelas fechadas…

É difícil perceber em um primeiro momento, mas após saber da história, parece que elas estão por toda a parte… as janelas fechadas!

Eu nunca fui muito boa em História, e meu passado não me deixa mentir a respeito! Mas como já disse aqui no blog, viajando e vendo os lugares de perto, tudo fica mais interessante de ser estudado!

Sendo assim, depois de velha e de quase nada saber sobre a História do Brasil – sim, eu tenho vergonha de assumir isso – quanto mais desse Velho Mundo, passo a pesquisar sobre o que leio e vejo, para a vida e para escrever aqui.

Então… vamos à história!

Durante a Revolução Francesa, em 1789, com a finalidade de cobrar das pessoas mais ricas impostos maiores, foi criado o “imposto sobre portas e janelas”.
Dá para imaginar o que aconteceu né? Os proprietários passaram a fechar as janelas (ainda não encontrei portas fechadas) economizando uns pilas.

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em Avignon, France

Na foto acima, conseguimos ver janelas que se mantiveram abertas, fechadas somente com tijolos e as finalizadas com reboco, essas últimas mais comuns, o que tornam as “janelas fechadas” quase imperceptíveis.

Victor-Marie Hugo, mais conhecido como Victor-Hugo (inúmeras praças e ruas levam o seu nome aqui na França), francês, poeta, ativista pelos direitos humanos, e de grande atuação política, disse, a respeito desse imposto:  “Deus nos deu o ar da graça, mas o Estado quer cobrar por ele, fazendo as pessoas morarem em casas escuras e fechadas” (fonte: Gazeta do Sul).

 

Nos meus estudos, descobri que esse imposto não é exclusividade da França… Até o final do século XVII, o Rei Guilherme III da Inglaterra, também cobrava uma taxa pelas janelas existentes nos imóveis. Porém lá o efeito foi inverso, como prova de status, as pessoas passaram a “criar” mais e mais janelas em suas mansões. Ainda, no México também houve a aplicação do mesmo imposto, segundo o texto “os 10 impostos mais absurdos do mundo”

Dizem ainda que a arquitetura de Amsterdã, com suas casas compridas, janelas minúsculas e fachadas estreitas, também deve-se ao chamado imposto sobre janelas ou sobre fachadas. 

Bem, após saber desse imposto e da história, passei a observar a cidade de uma forma um pouco diferente (e as vezes até dolorida, pois o pescoço sofre)… olhando para cima!

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em Lyon, France

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em Lyon, France

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em Chateauneuf du Pape, France

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em Lyon, France

Elas realmente estão em todas as partes…e a prova disso é que mesmo prestando mais atenção agora, algumas “janelas fechadas” escapam aos nossos olhares e só são percebidas após analisarmos algumas fotos, em que elas não eram o foco principal!

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Acima, foi feito o registro de uma “subidinha bruta” em Chateauneuf du Pape… e à direita, super discreta, uma janela fechada.

Abaixo, foto de uma caminhada pelas ruas de Lyon, na parte velha da cidade, estilo bem Europeu e muito bonita… à esquerda da foto, mais janelas fechadas.

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Sendo assim, quando estiverem realizando passeios aqui pela Europa, não esqueçam de olhar para cima!! 😉

Aline

Sempre soube que meu nome é de origem francesa, mas acredito que a escolha não teve nenhuma relação com algum momento francês ou algo assim, pois infelizmente meu pai sequer conheceu esse lado do mundo!! 🙁

Bem, mas o fato é que aqui, quando me apresento, sempre escuto algum comentário sobre ser um nome francês (especialmente das professoras de francês), ou de ser o oposto de Alan – porque desse comentário eu não sei, vai ver que Alan é um nome bem conhecido por aqui!

Hoje, pesquisando em alguns sites que ensinam expressões em francês, me deparei com essa raridade… Aline – música de Christophe, de 1965. Essa foi a primeira música de sucesso deste cantor e compositor francês, que nasceu em 1945. Alguém realmente acredita que seja só uma coincidência esse sucesso? 😛

Clique aqui para ver o vídeo!

Aline – Christophe

J’avais dessiné sur le sable – Eu tinha desenhado sobre a areia
Son doux visage qui me souriait – Seu suave rosto que me sorria
Puis il a plu sur cette plage – Depois choveu sobre essa praia
Dans cet orage, elle a disparu – Nessa tempestade, ela desapareceu

Et j’ai crié, crié, Aline, pour qu’elle revienne – E eu gritei, gritei, Aline, para que ela voltasse
Et j’ai pleuré, pleuré, oh! j’avais trop de peine – Eu chorei, chorei, oh! eu sentia muita dor

Je me suis assis près de son âme – Eu me sentei perto da sua alma
Mais la belle dame s’était enfuie – Mas a bela dama fugiu
Je l’ai cherchée sans plus y croire – Eu a procurei sem mais acreditar
Et sans un espoir, pour me guider – E sem esperança para me guiar

Et j’ai crié, crié, Aline, pour qu’elle revienne – Eu gritei, gritei, Aline, para que ela voltasse
Et j’ai pleuré, pleuré, oh! j’avais trop de peine – Eu chorei, chorei, oh! eu sentia muita dor

Je n’ai gardé que ce doux visage – Eu guardei apenas esse suave rosto
Comme une épave sur le sable mouillé – Como um farrapo sobre a areia molhada

Et j’ai crié, crié, Aline, pour qu’elle revienne – Eu gritei, gritei, Aline, para que ela voltasse
Et j’ai pleuré, pleuré, oh! j’avais trop de peine – Eu chorei, chorei, oh! eu sentia muita dor

Et j’ai crié, crié, Aline, pour qu’elle revienne – Eu gritei, gritei, Aline, para que ela voltasse
Et j’ai pleuré, pleuré, oh! j’avais trop de peine… – Eu chorei, chorei, oh! eu sentia muita dor…

 

 

Comidinhas

Bom dia galera!

Depois de um final de semana de sucesso na cozinha, decidi escrever um post sobre as comidas daqui, afinal, era uma pergunta frequente logo que chegamos na França: “Como é a comida daí? Estão se adaptando?”

Então nada melhor do que partilhar com vocês, com algumas fotos, nossas aventuras na gastronomia francesa… mesmo que até o momento sejam poucas.

A “comida gastronômica francesa” foi incluída, em novembro de 2010, na lista de Patrimônio Imaterial da Humanidade por um comitê da Unesco, tendo sido a primeira gastronomia (o que abrange culinária, bebidas, materiais usados no preparo e rituais) a receber tal título.

Tive uma aula sobre o assunto, e a verdade é que no dia-a-dia os franceses, em especial as novas gerações, se alimentam como nós, estudantes no exterior… comendo sanduíche de baguete ou panini (quase a mesma coisa mas prensado) no almoço, muitas vezes em pé, para economizar tempo. Apesar disso, ainda percebemos um certo ritual nessa refeição rápida: entrada, prato principal, sobremesa e café.

Mas afinal, o que essa gastronomia tem de especial para ser Patrimônio Cultural Imaterial da Humanindade? Os especialistas consideram que a gastronomia francesa, com seus rituais e sua apresentação para se preparar a comida, reúne as condições necessárias para tal título. Na aula, a professora explicou que é o preparo em conjunto com a família e/ou amigos, tomando um bom vinho, jogando conversa fora, o sentar na mesa sem pressa e o reunir-se com as pessoas, que trouxe o título. É a valorização da refeição!

Confesso que lembrei muito da minha família, da casa da minha mãe, onde nos reuníamos religiosamente todos os dias ao meio-dia para almoçarmos juntos. E me perguntei: “no Brasil não é assim?” 😉

Na nossa casa era! #saudades

Importante salientar que, no geral, os franceses comem bem (em qualidade e quantidade), mas dificilmente comem fora de hora e em exagero. Talvez seja este o segredo das silhuetas finas em relação a outras nacionalidades. E nós reparamos, já na primeira semana, como as pessoas são magras aqui… nada de exagero, mas não encontramos franceses obesos, cena comum, infelizmente, no Brasil. Aqui as pessoas não fazem lanches (exceto as crianças), tendo apenas as 3 refeições principais, sendo nosso hábito muito estranho para os franceses.

 

Bem… mas vamos as nossas aventuras aqui!

Inicialmente íamos ao supermercado e, como não entendíamos nada, procurávamos produtos conhecidos como, por exemplo, presuntos e queijos não muito diferente dos que comíamos no Brasil. Aos poucos, decidimos experimentar os desconhecidos… afinal, de que adianta estarmos aqui e não experimentarmos os produtos franceses? No mercado já erramos bastante, em especial no item queijos, pois há muito que são fortes, e que não se adaptam ao nosso paladar.

Nos restaurantes também decidimos inovar e procurar por pratos, digamos, não tão comuns.

Uma comida bem típica daqui são os crepes, não muito estranhos para nós, foi o meu pedido em uma jantinha a dois… já o Cris arriscou mais, e pediu o famoso Bouef Tartare*. Ao fazermos o pedido o garçom questionou se tínhamos entendendido do que se tratava o prato… sinal de perigo? Confirmamos e veio o prato… Carne crua e ovo cru!! Isso mesmo, e o Cris tinha realmente entendido!

boeuf tartare

*Sendo esse o mais popular dos tartares (pois há tartares dos mais variados tipos, como o de salmão), é um símbolo da cozinha parisiense, e consiste de carne crua fresca e limpa, picada na ponta da faca (teoricamente não deveria ser moída) e depois temperada com cebola, alcaparras e acrescida de uma gema de ovo crua e pimenta, entre outros ingredientes que mudam de acordo com a receita.

Gentilmente o garçom explicou que para comermos deveríamos misturar esses dois ingredientes com uma mini porção (uma colher se sobremesa, exagerando) de temperinhos que estava ao lado, que ficaria gostoso…  será?

Experimentamos tudo separadamente, e era aquilo mesmo: carne crua (nem temperada era) e ovo cru! O garçom, vendo isso, falou novamente (e agora adicionando gestos para ver se comprenderíamos) que era para misturarmos com o tempero. Muito simpático o rapaz, afinal ele poderia deixar que aprendêssemos na marra 😉

Então, misturando o prato ficou bem gostoso, um prato refrescante que acompanha salada, ideal para os dias quentes. Certamente iremos experimentar outros tartares. Ahhh o crepe? Normalzinho! 😛

aprovação do tartare

crepe

Em nossa viagem a Marseille, o Cris inovou novamente no almoço e pediu um prato bem comum aqui na França, e em especial naquela cidade litorânea: Moules frites. Diferentemente do que se possa imaginar, não são mariscos fritos, mas mariscos COM fritas!  Eu, como não simpatizo muito com os bichinhos, fiquei na massa a carbonara (com ovo cru sobre a massa bem quente, como manda a receita original).

moules frites

No aniversário do Cris, como já demonstrado aqui, fiz bolo recheado, brigadeiros e uma tortinha de atum que ele gosta muito. Cervejinha e refri básicos para oferecer para 3 amigos que vieram na nossa casa (nossas primeiras visitas). Nossa amiga francesa comentou que iríamos na casa deles para uma recepção tipicamente francesa… nada de tortinhas… a base: baguete, queijos e vinho! Mais ou menos o que fizemos em uma noite quente ainda no hotel

petiscos com vinho e baguete

A baguete aqui é realmente o principal pão da França… Comem junto ao almoço para “limpar” o prato (segundo Caco Antibes, bem coisa de pobre), em recepções ou pique-niques com queijo e vinho, ou mesmo na rua, como fizemos ao sair do mercado!

baguete debaixo do braço 😉

Aqui, mais comum que o frango, temos o pato! Sabia que gostaria, pois da minha vinda para a França em 2002, tinha na memória um almoço na casa de meus tios onde esse prato foi servido… é uma carne com o sabor mais forte (e também um pouco mais escura) que a carne de frango, muito saborosa.

Nesta semana fomos num Restaurante Cambodgienne et Thaïlandaise, em homenagem ao amigo Gazzoni que estava casando e que adora este tipo de comida. Pedimos dois pratos diferentes com pato, os dois muito saborosos.

exótico?

Não esperávamos muito desse restaurante, situado em uma região mais barata da cidade e recheada de imigrantes árabes, o restaurante não era dos mais bonitinhos. O preço, muito convidativo, chegou a me assustar no primeiro momento… seria boa a comida? Pedimos entrada, bebidas como aperitivos, prato principal e vinho para acompanhar. Nos surpreendemos!!

Com diversos pratos diferentes e com o tempero forte característico dos pratos orientais, certamente voltaremos muitas vezes neste restaurante!

Sobre os doces e sobremesas: os franceses comem sobremesa praticamente todos os dias, mas sempre algo leve, como frutas da estação, queijo com frutas ou iogurte. Não é o costume deles terem sobremesas como as nossas, doces de verdade como eu digo! Até tem uma tortinha ou outra, mas nada muito açucarado. Aliás, o açúcar mais utilizado pelos franceses é o açúcar de beterraba, que possui um poder de adoçar bem menor que o nosso açúcar da cana-de-açúcar.

Mas eles possuem muitas pâtisseries aqui que são as nossas confeitarias, onde vendem verdadeiras obras-de-arte no quesito guloseimas, ideal para acompanhar o cafezinho.

Uma dessas delícias típicas é o famoso macaron! Me aguentei por um mês e meio até comprá-los, e acho que isso fez com que minha expectativa fosse muito alta. Esse famoso doce nada mais é do que uma espécie de “bem-casado”, mas ao invés de massa de bolo, usa-se um merengue. O recheio é variável (e acompanha a cor), como chocolate, café, framboesa, baunilha, limão, etc.

macarons

E claro, não poderia deixar de falar do meu sucesso neste final de semana… eu fiz um pato (é, parece que gostei mesmo do bichinho) em casa! Criei a receita, pois não tinha os ingredientes necessários para seguir uma receita francesa a risca… pato com vinho branco, acompanhado de purê. Modéstia a parte… ficou uma delícia!

pato ao vinho branco

Servidos?

bon appétit

 

 

 

 

Segurança… o grande diferencial

Bonjour mes amis (Bom dia amigos)

Hoje quero falar de uma coisa que realmente faz diferença no dia-a-dia, a segurança!

Logo nos primeiro dias eu e o Cris já percebemos que, o que ouvimos falar sempre de amigos que moram fora do Brasil é realmente verdade… se segurança é o grande diferencial na qualidade de vida de uma cidade. Aqui em Grenoble podemos andar nas ruas com tranquilidade, independente do horário, sem o medo de sermos abordados por alguém a cada 10 passos.

É claro, que como em todos os lugares, não dá pra andar sem “nenhum cuidado”, deixar a mochila na mesa sem ninguém e se servir num restaurante, deixar a bicicleta sem cadeado, pois aí passa de tranquilidade para “dar chance para o azar”!

O que o pessoal daqui fala, é que tens uns imigrantes árabes que vem para cá e formam as suas  “comunidades” em alguns bairros mais afastados (que o pesoal não indica morar) e ficam nas esquinas, e que por vezes abordam as pessoas para pegar o dinheiro, o celular… mas que jamais irão te machucar, pois o que realmente querem são os pertences. Mas dizem… pois até hoje ninguém sabe de outra pessoa que foi assaltada… é um recado/alerta, mas a gente se cuida, claro!!

Nós andamos muito aqui… vamos para o mercado, para bares, tudo a pé! E como não poderia deixar de ser, voltamos também da mesma forma… por vezes após a 1h da manhã, horário em que o tram (trem que percorre a cidade) já encerrou os trabalhos, e que o pessoal vai para casa de carro (para quem tem), de bicicleta ou a pé, como nós! E tudo sem nenhum problema! Isso realmente faz muita diferença!

Mas para terem uma noção de como as coisas funcionam aqui em relação a segurança, tiramos uma foto e uma das coisas que estranhamos aqui… o caixa eletrônico!

O caixa eletrônico é assim mesmo, na calçada, sem nenhuma cabine, fora do banco! No início é muito estranho… sacar dinheiro com uma pessoa sentada no chão ao lado do caixa? Sim… é possível!

Au revoir!