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Foi o 20 de Setembro, o precursor da liberdade

Hoje é o nosso dia… dia do gaúcho, dia de revivermos nossa história e firmarmos nossas tradições! É dia de nos unirmos e demonstrarmos o respeito que temos por nossos antecedentes e o amor pelo Estado!

Depois de morar fora do RS, percebi que não há nada de mais belo que esse amor incondicional que os gaúchos possuem pelo Rio Grande, pois muitas pessoas que por vezes me chamavam de “Aline/Alice no País das Maravilhas”, fazendo uma alusão à história infantil e ao Rio Grande do Sul, que não canso de chamar de “Meu País”, me perguntavam o que tinha o Estado de tão belo…

A Serra Gaúcha? Sim… belíssima (ainda mais sendo minha terra natal)! Porto Alegre? Sem dúvidas, uma cidade em que pensamos em morar definitivamente, agitada na medida e muito bonita! Praias? hehehe… desconverso… o Cristiano responde que temos o Balneário de Floripa 😉

Foi então que percebemos que a beleza dessa terra e desse povo não está ao alcance dos olhos, mas ao alcance do coração! O que nos faz um povo tão apaixonado é a acolhida calorosa, o abraço apertado, o sorriso farto e fácil! O Chimarrão que passa de mão em mão, o churrasco que reúne gerações, a música que traz consigo um poema, a dança com troca de olhares…

Sim, são essas coisas do coração, essas que me dão um nó na garganta neste momento, por estar aqui, na França, neste País tão desejado e sonhado por tantos, mas que não tem esse encanto mágico do Rio Grande!

Hoje, especialmente hoje, queria estar no Meu Rio Grande, no Meu País!

Queria estar reunida com a família, com os amigos, tomando chimarrão enquanto o churrasco de apronta… no espeto, claro! Ouvindo música com letra de verdade, que canta a vida farta e boa que temos no Rio Grande! Queria estar admirando as danças gaúchas, com os olhos marejados de lágrimas de tanta felicidade! Comer cuca e jogar canastra… esse é o vinte de setembro que eu queria!

Mas estou aqui, acompanhando de longe os festejos, tomando chimarrão enquanto escrevo, olhando as fotos e comemorando… porque essa data deve ser festejada sempre, onde quer que estejamos! 😉

 

Abaixo seguem um texto publicado há tempos no Jornal O Estado de São Paulo, de Luciano Pires, que eu gosto muito… divido com vocês:

 

DE ONDE VIRÁ O GRITO?

“Você também é mais um (ou uma)
dos que preenchem seu tempo com ressentimentos
passivos? Conhece gente assim? Pois é. O Brasil tem
milhões de brasileiros que gastam sua energia
distribuindo ressentimentos passivos.

Olham o escândalo na televisão e exclamam “que
horror”. Sabem do roubo do político e falam “que
vergonha”. Vêem a fila de aposentados ao sol e
comentam “que absurdo “. Assistem a uma quase
pornografia no programa dominical de televisão e dizem
“que baixaria”. Assustam-se com os ataques dos
criminosos e choram “que medo”. E pronto!
Pois acho que precisamos de uma transição “neste país”.
Do ressentimento passivo à participação ativa.

Pois recentemente estive em Porto Alegre, onde pude
apreciar atitudes com as quais não estou acostumado,
paulista/paulistano que sou. Um regionalismo que
simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de
todos, não é de ninguém.

No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do
Sindirádio, uma surpresa.

Abriram com o Hino Nacional. Todos em pé, cantando. Em
seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do
Rio Grande do Sul. Fiquei curioso. Como seria o hino?
Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo
cantando a letra!

“Como a aurora precursora / do farol da divindade, /
foi o vinte de setembro / o precursor da liberdade”

Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um
chimarrão. Com garrafa de água quente e tudo. E
oferece aos que estão em volta. Durante o evento, a
cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem.
E eu fico pasmo. Todos colocando a boca na bomba,
mesmo pessoas que não se conhecem. Aquilo cria um
espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou
acostumado.

Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais
o que é “comunidade”.

Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São
Paulo. Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois
é… Foi então que me deu um estalo.

Sabe como é que os “ressentimentos passivos” se
transformarão em participação ativa? De onde virá o
grito de “basta” contra os escândalos, a corrupção e o
deboche que tomaram conta do Brasil? De São Paulo é
que não será. Esse grito exige consciência coletiva,
algo que há muito não existe em São Paulo. Os
paulistas perderam a capacidade de mobilização. Não
têm mais interesse por sair às ruas contra a
corrupção. São Paulo é um grande campo de refugiados,
sem personalidade, sem cultura própria, sem “liga”.

Cada um por si e o todo que se dane. E isso é até
compreensível numa cidade com 12 milhões de
habitantes.

Penso que o grito – se vier – só poderá partir das
comunidades que ainda têm essa “liga”. A mesma que eu
vi em Porto Alegre. Algo me diz que mais uma vez os
gaúchos é que levantarão a bandeira. Que buscarão em
suas raízes a indignação que não se encontra mais em
São Paulo.

Que venham, pois.. Com orgulho me juntarei a eles.

De minha parte, eu acrescentaria, ainda:

“…Sirvam nossas façanhas, de modelo a toda terra…”

 

É… tenho sim muito orgulho de ser gaúcha, bato no peito e não me incomodo quando dizem que sou bairrista… gosto de ser a “Aline no País das Maravilhas”… no Rio Grande do Sul é assim mesmo, tudo maravilhoso!

 

Uma bagual para todos!

Ao Flávio Ramos, em especial, um beijo carinho e felicidades pelo aniversário, muita saúde, alegrias e realizações na tua vida, pois és merecedor!!

A todos deixo o meu abraço apertado e desejo que a roda de chimarrão não se acabe!

Feliz dia do gaúcho gurizada!