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Meu parto… um momento mágico!

Ontem o meu maior e melhor presente completou 5 meses de vida (fora da barriga)!  E não teria um dia melhor para retomar os posts aqui no blog!

E como o dia foi dedicado ao Pedro, o post é sobre a maravilhosa vinda dele para os nossos braços: o “relato do meu parto natural”!!

😉

Durante toda a minha gestação eu lia relatos, livros e mais livros, via vídeos na internet, e assim me preparava para o meu parto! Me emocionava muito com os relatos de partos, fossem normais ou cesáreas, especialmente no último mês de gestação. E claro, sempre pensava em escrever meu próprio relato para partilhar a nossa história, inspirar e encorajar outras mulheres ao parto natural e também para contar como é ter um bebê aqui do outro lado do mundo, na França, um país onde, diferentemente do Brasil, a cesárea é exceção.

Nosso pequeno Pedro chegou 16 dias antes da data prevista pelo médico, no dia 19 de julho, com 38 semanas e 5 dias de gestação.

Neste dia acordei às 05h20min, horário que normalmente levantava para ir ao banheiro durante toda a gestação. Porém, naquele dia senti algo diferente… uma leve dor, muito parecida com uma cólica menstrual. Como não era nada muito forte, voltei a dormir! Vinte minutinhos mais tarde acordei com a mesma dorzinha! Chamou-me atenção o intervalo de 20 minutos, tempo esse descrito como o primeiro intervalo entre as contrações regulares.

Tendo programado uma caminhada logo cedo com o maridão, às 7h, fiquei acordada até esse horário, sentindo meu corpo, reparando o tempo de intervalo e percebendo as mudanças que estavam por vir. Às 7h acordei o Cris, relatei o que vinha ocorrendo e fui para a bola suíça (aquela usada no pilates) administrar as dores, que até então eram suaves, ainda como uma cólica.

Devido ao fato de saber que caminhadas ajudam no trabalho de parto, e imaginando que pudesse ser o dia do nascimento do Pedro, decidimos manter a nossa caminhada. Enquanto nos aprontávamos, por volta das 8h, o tampão saiu… na teoria era bem mais fácil de identificar: líquido mais espesso, um pouco gelatinoso (como uma clara de ovo), de coloração clara ou levemente amarronzada (devido a presença de sangue) e cheiro de água sanitária! Ok, mas na prática, fiquei com um “será?!”… seguido de um “tudo bem, ACHO que é o tampão!”

Saímos para a caminhada: passeamos pela beira do rio, bem mais lentamente que a marcha habitual, precisando parar ao sentir algumas contrações, pois as danadas aumentavam, tornando-se mais freqüentes e doloridas. Aproveitando a caminhada, passamos na farmácia para comprar o Spaflon, um remédio que inibe falsas contrações, ou seja, tomando ele, se elas continuarem, é porque realmente chegou “a hora”. Ainda na farmácia, sob os olhares das atendentes e clientes (pois a dor neste momento já não podia ser disfarçada), abraçada no Cris, senti uma forte dor e um líquido descendo… minha bolsa estourou! Não escorreu líquido pelas pernas como li várias vezes, mas como o Pedro estava com a cabeça encaixada há dois meses, sabia que esse líquido poderia descer aos poucos.

De volta para casa, fui para um demorado banho quente para ajudar a relaxar. O Cris começou a arrumar as coisas que faltavam, segundo uma listinha já preparada por mim, enquanto eu me estiquei no colchão colocado na sala, fui para a bola suíça e caminhava pela casa, administrando as contrações. O líquido continuava a sair.

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Relaxando e conversando com o Pedro

Não pensei em anotar as contrações, na verdade nem sei bem o motivo de não ter feito… no meu coração já tinha certeza de que o Pedro estava a caminho, não precisava comprovar que estava em trabalho de parto. Ligamos para a sage-femme que pelo nosso relato confirmou tratar-se do grande dia, desejando “bon courage” (boa sorte).

11h15min eu e o Cris saímos para a maternidade, um dia quente de sol, todo perfeito pra que a mais linda das criaturas de Deus viesse para esse mundo! Foi um percurso, casa – maternidade, emocionante, cheio de dores e sorrisos… nem precisávamos falar nada, nossos olhares um para outro eram repletos de carinho e amor… sabíamos que nosso pequenino estava a caminho!

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Felizes indo “buscar” o nosso petit Pedro

Já na maternidade aguardamos em torno de 30 minutinhos até sermos encaminhados à sala de exames.

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Em um intervalo de contrações… feliz da vida!

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Durante uma contração… mas ainda feliz da vida!

Nesta sala as minhas contrações e os batimentos cardíacos do Pedro eram monitorados. Pouco antes das 13h o primeiro exame clínico constatou uma dilatação de 4cm. Confesso que neste momento fiquei um pouco tensa… diversas vezes escutei da minha mãe que ninguém da minha família tinha passado dos 4cm de dilatação, e que não seria diferente comigo por uma questão de genética 🙁

A sage-femme que nos acompanhava foi muito sábia (sage) ao me falar das contrações, dizia que elas eram, naquele momento, minhas melhores amigas, pois eram as responsáveis por trazer o meu filho aos meus braços. Orientou-me a respirar lentamente e me movimentar, saindo da cama. Foi muito bom e importante escutar aquelas palavras, pois me fez lembrar que a dor que eu estava sentindo era normal, era natural, e era a responsável por fazer com que o Pedro pudesse nascer… era meu corpo querendo me oferecer o melhor presente da minha vida!

Ficamos mais umas 2h30 nesta sala, freqüência e intensidade das contrações aumentando bastante. Eu e o Cris tentavamos de tudo… posições, rebolar, pontos de shiatsu que ele apertava a cada contração para aumentar minha tolerância a dor (esses são mágicos, leia a respeito aqui), bola suíça (onde passei a maior parte do tempo), massagens… ele, o meu maridão como chamo, esteve sempre presente, sempre ao meu lado, me dando suporte físico e emocional, realmente acreditando na minha capacidade de dar a luz por parto natural, algo tão intensamente desejado por mim. Contudo, apesar de todas essas manobras e todo o apoio que recebi, a esta altura, mesmo nos intervalos das contrações as dores continuavam, ainda que mais fracas.

Por volta das 15h30min um novo exame clínico… meu coração disparou: 7cm de dilatação!! Minha alegria foi enorme, e por alguns instantes pensei em continuar sem anestesia, pois estava ciente de tudo que a anestesia acarretaria, como a impossibilidade de eu fazer qualquer coisa para ajudar no parto, além de torná-lo mais lento, o que poderia desencadear em várias intervenções, como o uso do fórceps e até mesmo uma cesariana. Porém, as dores das contrações estavam intensas, e no intervalo entre elas já não era possível relaxar e descansar.
Decidi pela peridural, decisão 100% apoiada pelo maridão, que percebia que não estava sendo fácil para mim.

Assim, partimos para a sala do nascimento, e as 16h10min recebi a anestesia, uma dose leve, conforme solicitamos.
As dores passaram em seguida, restando um leve desconforto a cada contração, como se fossem as cólicas iniciais.

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Sem dores, no aguardo do meu pequeno!

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Melhor equipe de apoio do mundo! Obrigada!!

Perto das 18hs um novo exame clínico constatou que eu estava com quase 9cm de dilatação, quase dilatação completa!! Porém, as dores voltaram, somadas ao cansaço de mais de 10 horas de trabalho de parto. O fato de estar deitada na cama (eis que já tinha recebido a peridural e não poderia mais me movimentar como antes, deixando de ser tão ativa no parto) agravavam as dores, pois sempre tive dores nas costas, e estas já estavam cansadas. Piorando o meu quadro, precisei ficar na posição ginecológica para que o Pedro “descesse”, e ali fiquei bastante tempo. Para mim esta posição foi ruim,  pois além de todas as dores que eu estava sentindo, o cóccix também começou a doer (tinha quebrado o cóccix há 2 anos).

Solicitamos mais anestesia, porém devido ao fato das dores não serem das contrações, mas da posição do Pedro, costas e cóccix, nada mudou! Além da segunda dose da peridural, neste momento administraram 1,5ml de ocitocina por hora, com o objetivo de regular as contrações.

Chegando perto das 19h, percebemos que o nascimento seria um pouco “adiado”, pois neste horário ocorre a troca de profissionais da maternidade, e já não daria mais tempo de iniciar a fase de expulsão e terminar até às 19h. Ok, era hora de administrar a ansiedade!

As dores continuavam, um mistura de contrações, costas e cóccix, então as 19h20min foi administrada mais uma dose (a última) de anestesia, e elevaram a dose de ocitocina, agora para 3,5ml por hora.

Neste momento também começam a arrumar a sala para o grande momento… frio na barriga, medo da dor, ansiedade pela chegada do Pedro, dores, tudo se misturando!!

As 20hs ocitocina foi pra 5.5ml/h e iniciamos o trabalho de expulsão. Inicialmente a sage-femme me pediu para que eu fizesse força para a saída do bebê… contudo a força que eu fiz não era suficiente. Orientada a fazer a maior força que conseguiria, inclusive segurando as barras da cama para ajudar, segui meu trabalho. O Cristiano foi orientado a empurrar a minha nuca a cada contração, o que parece agressivo, mas facilitava muito o meu trabalho.

Por volta das 20h20min a sage-femme chamou o médico, é chegada a hora!!

Continuávamos a fazer força a cada contração, mas aqueles instantes foram tão intensos que, quando percebi o médico mandou eu parar: ops, eu sabia que ele só mandaria eu parar quando o Pedro estivesse saindo! Estávamos na reta final. Então olhei para o lado e vi o maridão emocionado que me falou “já vi a cabecinha dele”!!

Em poucos segundos meu filho já estava em meus braços! Foi o tempo que o Pedro teve para chorar, pois assim que foi colocado em meu colo, fazendo o “peau a peau” (pele a pele) ele se acalmou e ficou ali, olhando para a mamãe e o papai, conhecendo e curtindo a sua família… Essas duas horas foram inesquecíveis, somente nós três na sala, eu e o Cris nos conhecendo agora como pais e admirando o nosso pequenino que nos olhava com atenção e muito amor!

Às 20h46min do dia 19 de julho de 2013, com 2,880kg e 48cm de pura gostosura, Pedro veio ao mundo me mostrando que a vida poderia sim ser mais colorida, mais intensamente vivida e repleta de amor!

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Meu tesouro!

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Como diria o “Tio Dani”: a foto não é perfeita… mas o momento é!

 

Minhas impressões:

* o longo trabalho de parto, quando verdadeiramente vivenciado, passa tão rápido que até dá vontade de voltar no tempo;

* as dores são suportáveis se sentidas a cada contração (e não pensando nas 12h de trabalho de parto)… vivenciá-las uma a uma, eis o segredo!

* ao ser questionada sobre as dores, respondo que tive um parto atípico: senti muitas dores, mas tenho a consciência de que eram decorrentes de outros fatores (cóccix e costas). As contrações? Expulsão? Dessas tenho até saudades!

* a dor da expulsão, que realmente me assustava, foi mínima! O corpo é sábio… banhado em ocitocina torna esse momento mágico!

* quando mesmo posso encomendar o segundo baby e repetir a dose??

 

UM ADENDO: li em diversos lugares a informação de que a dor do parto normal é equivalente a dor de 20 ossos quebrando ao mesmo tempo – balela!!

Deixo o registro de que quebrar o cóccix dói muitoooo mais que ter um filho! 😉

 

 

Barriguinha, barriga, barrigão!

POST ESCRITO NO DIA 18/07/2013 – UM DIA ANTES DA CHEGADA DO NOSSO PEDRO!

 

Enfim estamos chegando no final da nossa gestação!

Ando um pouco confusa com meus sentimentos… uma mistura de vontade de que o Pedro nasça – para que eu possa ver seu rostinho, pegá-lo nos meus braços, rir, chorar e vivenciar tudo o que sempre sonhei sobre o capítulo da minha vida “ser mãe” – com uma vontade de que a minha gestação não acabe.

Sempre escutei minha mãe e minha irmã falando que no final da gestação deu uma tristeza nelas… elas falavam que era pelo fato do bebê sair da barriga, ser entregue ao mundo, não ser “só teu, ali na tua barriga”… talvez seja um pouquinho disso que esu esteja sentindo!

Estes dias, conversando com o Cris sobre como esses nove meses passaram rápido, falei para ele “eu sempre quis estar grávida, e agora passou tão rápido!”. E é verdade! Desde a minha adolescência, planejava ter filhos cedo e já me imaginava com um barrigão… acho que quase todos da minha família e meus amigos mais próximos me viram alguma vez forçando a barriga e me imaginando grávida! E agora que esse momento chegou… passou tão rápido!!

Foram 9 meses muito bem vividos, não posso reclamar!

Apesar da saudade da família e dos amigos, e da vontade de partilhar mais de perto esse momento único com as pessoas que amamos, o fato de estarmos longe fez com que eu e o Cris nos uníssemos ainda mais e vivenciássemos juntos cada segundo da nossa gravidez.

Meu maridão (e não tem como não chamá-lo de outra forma, pois ele foi maravilhoso, sempre) esteve presente em todos os momentos: nas consultas ao obstetra, nas consultas à sage-femme, nas compras das roupinhas, na procura por berço, fazendo as fotos da evolução da barriga, fazendo fotos nas ruas de Grenoble, sempre preocupado perguntando se estava tudo bem comigo e com o Pedro, etc.

Nestes últimos dias, percebo que nós dois estamos mais emotivos! Conversamos muito imaginando como será a nossa vida com o Pedro, imaginando cada fase dele. Às vezes o papai fica olhando pra barriga, sem falar nada, com um leve sorriso no rosto… outras vezes, fica conversando com o Pedro e acariciando a barriga (como se eu não estivesse ali) num momento só dos dois!

Apesar de lermos que no final o bebê mexe menos, devido a falta de espaço, o nosso gurizão não para, especialmente à noite. O que me emociona mesmo é quando ele começa a mexer quando o Cris chega em casa e começa a conversar… nítido sinal de que reconhece a voz do seu papai!!

Minha barriga está enorme, e eu não canço de acariciá-la… segundo o Cris, não fico nenhum minutinho sem passar a mão nela. 😉

O meu peso quase não se alterou… especialmente no último mês, que em geral a gestante ganha até 500g por semana, eu não aumentei nadinha. Graças a Deus o Pedro, ao contrário, ganhou peso normalmente, o que me permite ficar tranquila. O fato é que tenho me dedicado muito às caminhadas e ao pilates, e assim consegui aumentar até então em torno de 9 quilos.

Abaixo segue a nossa sequência de fotos da barriga, mostrando a evolução de toda a gestação!!

38semanasEstou muito feliz com a minha gestação… foi um período maravilhoso, encantador, que jamais será apagado da minha memória e do meu coração! Agora é esperar a chegada do nosso pequeno príncipe e viver cada momento com muita intensidade!

 

Massagem – como ajudar a aliviar as dores da gestante!

POST ESCRITO NO DIA 18/07/2013 – UM DIA ANTES DA CHEGADA DO NOSSO PEQUENO PEDRO!

 

Está chegando a hora!! Começo a perceber que o momento está próximo quando recebo o primeiro desejo de “bom parto, que tudo ocorra bem!” ao me despedir de uma amiga que iria sair de férias… frio da barriga! Logo depois, ao verificar os dias agendados com a sage-femme, me deparo apenas com mais UM encontro?! É… tá chegando a hora de conhecer a carinha do nosso pequeno Pedro! Mas confesso que não me sinto ansiosa! Ahh essa é a pergunta campeã da atualidade… estou esperando, uma ansiedade boa poderia dizer, mas nada de nervosismo até agora! Eu e o Cris nos sentimos bem preparados para a chegada do Pedro, estudamos bastante, conversamos muito um com o outro, ele foi super dedicado me acompanhando em TODAS (sem faltar nenhuma mesmo) as consultas com o obstetra e a sage-femme, e nada mais natural que chegar o grande dia!   Bem, mas antes ainda tem esse relato do nosso último encontro com a sage-femme, um assunto delicioso e que eu amoooo: massagem! Confesso que a expectativa para esse encontro foi grande, afinal, quem não quer receber uma massagem?

Bem, inicialmente usamos mais da metade da consulta para tirar nossas dúvidas a respeito de tudo o que já tínhamos escutado nos nossos encontros e mesmo de nossos estudos. Super produtivo e importante, afinal a hora está chegando!

Num segundo momento chegou a hora da massagem: não sei se pelo fato de eu ser esteticista e trabalhar com massagem, já tendo atendido gestantes, estudado na faculdade massagem para gestante ou lido muito a respeito, ou ainda tudo isso junto (bem provável), mas saí um pouco frustrada desse encontro. O Cris também teve essa sensação, talvez por ser esposo de esteticista e até já ter feito algumas manobras de massagem em mim, mesmo antes da gestação (que maridão, não é?!).

Bem, o fato é que a massagem foi super simples. Desta forma decidi passar aqui algumas dicas de posicionamento e movimentos que são eficazes para o alívio da dor nas costas, que é a região mais sobrecarregada no período gestacional. Essas dicas são uma mistura do que a sage-femme nos passou e do que costumo aplicar nas minhas massagens.

* posicionamento da gestante: pode ficar deitada de lado (o ideal é colocar um travesseiro ou uma almofada de amamentação entre as pernas para alinhar a coluna, e um travesseiro que preencha o espaço entre o pescoço e o ombro) ou sentada na cadeira invertida ou na bola suíça apoiando a cabeça e os braços na maca/mesa/cama alta, mais ou menos como nas fotos abaixo.

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* musculatura a ser trabalhada: a musculatura que é mais exigida durante a gestação, devido a alteração do centro da gravidade da gestante, é a musculatura das costas, desde a região lombar até a cervical. Como o centro de gravidade é deslocado para frente, o corpo automaticamente força a musculatura das costas para que a gestante não caia para frente, sendo essa contração inconsciente.

No meu caso que adotei a mesma posição de dormir desde o princípio da gestação (de lado e para o lado esquerdo), as dores se concentram num mesmo local, musculatura ao lado da coluna mas especialmente do lado esquerdo e trapézio esquerdo.

No desenho abaixo temos duas linhas (em vermelho) que na medicina ocidental correspondem aos meridianos. A primeira, mais central, fica bem ao lado da coluna vertebral, enquanto a segunda fica do lado interno da escápula. Estas duas linhas (da nuca até a base da coluna) podem servir de base para a massagem nas costas da gestante. Importante lembrar que ao massagear essas linhas não devemos massagear a parte óssea (coluna e escápulas), apenas a musculatura.

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Nas fotos abaixo os polegares das massagistas estão posicionados nestas linhas referidas; perceba que na segunda foto a linha é menos central.

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* inicialmente, antes mesmo de passar qualquer produto, massagear todas as costas com uma bolinha (borracha ou de tênis), com o objetivo de soltar a região.

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* passar um creme ou óleo na região das costas – o ideal é que seja um óleo especial para massagem (passar sem exagero, o suficiente para deslisar), pois com o creme é necessário ficar repassando devido a absorção do mesmo;

* movimentos a serem feitos: na verdade qualquer manobra que movimente a musculatura vai ajudar, pois vai mobilizar e soltar a região que está sempre contraída. porém há algumas clássicas:

– na musculatura que fica ao lado da coluna vertebral, fazer os seguintes movimentos, nos dois sentidos (de baixo para cima e o inverso): círculos com os polegares, deslisamento com os polegares, pressão com os polegares.

– repetir os movimentos na linha que fica ao lado das escápulas (linha menos central).

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Pressão com os polegares

– massagear ao redor da escápula (e não em cima dela). É muito bom se conseguires massagear por baixo da escápula, erguendo-a um pouco e até mesmo mexendo (mobilizando) um pouco essa estrutura óssea (facilitará se você apoiar  com a mão que não está massageando no ombro, fazendo uma leve força contrária). imagem7 – com uma mão por cima da outra, massagear toda a lateral das costas em movimentos circulares e amplos, com a parte mais gordinha da palma da mão (reparar na foto abaixo). Caso a gestante esteja deitada de lado, o ideal é fazeres este movimento na região da coluna para cima e depois a gestante vira de lado para receber do outro lado das costas.

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 – para finalizar, com a gestante sentada, massagear a região do trapézio e pescoço. Nesta região é comum as pessoas fazerem uma espécie de “amassamento” (aquela massagem clássica que todo mundo faz nesta região) –> aconselho que seja realizado apenas o deslisamento com os polegares ou com a lateral da mão, da região do pescoço, passando pelo trapézio até os ombros, pois é uma região muito dolorida, e caso o amassamento não seja bem feito, pode causar forte dores.

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Com os polegares…

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…com a lateral das mãos

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Sentido da massagem

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como NÃO fazer (exceto se for profissional)

 

OBS.: muitas fotos deste post foram retiradas do google. Assim, caso o(a) autor(a) das mesmas desejem que eu as retire do blog, basta entrar em contato comigo pelo email abpetry@gmail.com

Você sabe como respirar durante o trabalho de parto?

No nosso sétimo encontro com a sage-femme aprendemos sobre a RESPIRAÇÃO. Ela nos explicou o porquê da importância de bem respirar, sendo os objetivos a boa oxigenação do bebê, e também a concentração no momento da contração no ato de respirar, o que fará com que não se perca o foco e acabe por dar uma atenção maior que a necessária para a dor. Ou seja, prestando atenção no ato de respirar durante a contração e dedicando-se totalmente a isso, a dor tende a não tomar uma proporção maior que a real.

No post do primeiro encontro com a sage-femme escrevi o seguinte:

“(…)ficou claro que o ideal é desligar do mundo e estar o máximo possível relaxada, sem preocupações… conhecer o que virá pela frente apenas para aceitar o trabalho de parto, as contrações e a dor, passando por cada contração com tranquilidade. Respirar, respirar, respirar!

É possível? Diferentemente do que a maioria das pessoas imagina, o trabalho de parto não é todo ele dolorido. Apesar de poder durar horas e horas (e isso também varia conforme a natureza de cada mulher, mas em média umas 10 horas – 1h para cada centímetro de dilatação), as contrações ocorrem, quando no trabalho de parto chamado ativo, a cada 5 minutos, e com duração de 60 a 90 segundos.

Bem, pensando nestes números, temos que a cada 1 minuto de dores, terei 4 de total ausência de dor! Pensando assim, fica mais fácil aceitar o momento e respirar, buscando a calma e a tranquilidade para mais 1 minutinho, e mais um… um após o outro.”

Então, vamos aprender como respirar neste momento tão dolorido mas igualmente especial.

Entre as contrações, a respiração deve ser a mais normal possível! Neste momento o útero encontra-se relaxado e o corpo descansa, buscando energia para a próxima contração. Não há desconfortos nesta etapa, por isso é importante a respiração normal da gestante.

Mas como é a sua respiração? Normal? A minha, por exemplo, não é nada do que podemos chamar de “normal”, respiro pela boca na maior parte do tempo e tenho uma respiração essencialmente abdominal. Pois é, cada pessoa tem o seu modo de respirar, e é importante conhecer o seu!

Durante as contrações, apesar de um pouco diferente, a respiração é muito simples de ser realizada. E tinha que ser assim, afinal, estar com dores e fazer algo complexo seria pedir demais né?!

Então em cada contração o que devemos fazer é inspirar lentamente, preferencialmente pelo nariz, sentindo o ar entrar no corpo e encher primeiro o abdômen e logo após os pulmões. Quando isso ocorrer, nosso abdômen e o tórax vão inflar (as costelas se afastam), e por fim os ombros vão se elevar. Após, expirar lentamente pela boca, fazendo um biquinho (como se estivesse soprando uma vela) para que o ar saia bem devagar – neste momento tórax e abdômen murcham.

Cada pessoa te o seu ritmo, mas é importante que faça a respiração lentamente e, preferencialmente que o tempo de inspiração seja o mesmo que levamos para expirar, podendo até contar.

No encontro, fizemos uma simulação do tempo das contrações. A sage-femme marcava no relógio 4 minutos de respiração normal, e após 1 minuto fazendo essa respiração, imaginando a contração. Após algumas repetições, ela passou a diminuir gradualmente o tempo entre as contrações, para 3 minutos, 2 minutos e enfim um minuto, mantendo a duração de 1 minuto para cada contração.

No meu caso, por exemplo, eu conseguia fazer umas 4 respirações completas em 1 minuto. Passava rapidinho… e isso foi muito bom para que eu pudesse perceber que é possível aguentar a dor, além de notar que o tempo que ficamos sem contração é essencial para uma boa recuperação para a próxima contração.

Uma coisa muito importante é treinar a respiração! E uma ótima hora para treinar é quando estamos tendo as contrações de treinamento (aquelas que vem antes do trabalho de parto, e são irregulares e indolores – no meu caso começaram mais ou menos com 34 ou 35 semanas, mas conheço mulheres que tinham desde a metade da gestação).

Para mim, que normalmente respiro com o abdômen e pela boca, foi muito difícil essa respiração, sendo essencial o treinamento. Meu tórax não enchia muito de ar, não sentia ele inflar, além de sentir que inspirando pelo nariz não entrava ar suficiente… mas passei a repetir a respiração durante as contrações de treinamento, e mesmo nos momentos que estava descansando, deitada no sofá, por exemplo, e hoje posso dizer que melhorei muito! Hoje percebo claramente o tórax inflando e sinto que recebo mais ar, e sei que isso beneficiará a mim e ao Pedro no seu nascimento.

Por fim, na nossa simulação veio a hora da expulsão do bebê. Nesta hora certamente terá alguém da equipe médica orientando a gestante a como proceder, avisando quando segurar o ar e fazer força, especialmente se a mamãe recebeu uma peridural (pois neste caso não estará sentindo as contrações).

Neste momento a respiração deve ser igual a descrita acima, realizada durante as contrações, com um pequeno intervalo entre a inspiração e a expiração, onde seguramos o ar, por aproximadamente 7 segundos, e fazemos força para a expulsão do bebê. Essa força é a mesma de quando vamos ao banheiro. Repetimos até que a contração termine.

OBSERVAÇÃO: li em diversos lugares outra respiração que deve ser feita na fase de expulsão, informando que ao segurarmos o ar e fazermos força com o abdômen o bebê sobe, ao contrário do que queremos neste momento, que ele desça.

Podemos fazer a experiência colocando a mão sobre o abdômen e sentindo que realmente a tendência é que o bebê suba se fizermos força abdominal da maneira descrita.

Assim, a outra forma de respirar na fase de expulsão é expirar profundamente usando os pulmões e o diafragma para empurrar o bebê para baixo, sendo possível sentir que a barriga realmente desce.

 

Neste encontro fizemos as simulações, eu e o Cris. Inicialmente parece estranho o papai fazer os exercícios de respiração… para que? Porém, é essencial que ele também tenha conhecimento sobre os tipos de respiração, pois desta forma será muito mais fácil perceber se estivermos respirando de modo errado ou mesmo “esquecendo” de respirar durante o trabalho de parto. Poderá assim ajudar orientando a respiração e até fazendo junto, ajudando e vivenciando esse momento único!

Uma delícia de encontro – Sage-femme…

Super relaxante… assim poderia definir o nosso sexto encontro com a sage-femme!!

O assunto: posições e técnicas para aliviar a dor no trabalho de parto!

Essas posições servem para tornar o trabalho de parto mais rápido e menos dolorido. Ficar deitada na cama é a pior coisa a fazer durante esses momentos, eis que dificulta a descida do bebê, além de pressionar o cóccix contra a cama, não permitindo a mobilidade natural e necessária que ele necessita para a passagem do bebê!

Esse encontro foi bem prático, e eu ganhei muitas massagens e pude até relaxar um pouquinho… adorei!

Abaixo seguem as fotos com as explicações de algumas posições que aprendemos:

1) Pressão sobre o cóccix com a palma da mão (em qualquer sentido, como mostram as fotos). Diminui a dor que a gestante pode estar sentindo nesta região.

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2) Pressionar com os polegares ao lado do cóccix. Mesmo objetivo!

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3) Apertar com os polegares a musculatura que fica ao lado da coluna vertebral, de cima a baixo (meridiano da bexiga). Relaxa muito, pois essa musculatura é muito exigida desde o momento em que a barriga cresce. É o local onde tenho mais dores, especialmente à noite!

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4) Massagear as costas com uma bolinha de tênis. Nem preciso falar o quanto é relaxante e bom (pelo mesmo motivo descrito acima)… é só olhar a minha cara de felicidade na foto! 😉

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5) Posições para alongar as costas!

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Pobre marido…

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movimentando-se na bola suíça

6) Posição para descansar… para aliviar a pressão sobre as costas e sobre o cóccix, o ideal é colocar uma pequena almofada ou travesseiro fino levantando um pouco o quadril (foto 2).

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7) Pontos de acupuntura no pé (na parte de trás e na da frente) –> estimulam as contrações e ajudam na dilatação do colo do útero. Serve para ajudar nos casos do trabalho de parto estar lento.

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8) Pontos para aumentar a tolerância a dor. Abaixo dos maléolos (ossos do tornozelo). Apertar preferencialmente nos dois pés ao mesmo tempo e durante as contrações. Caso a gestante não tolere a dor, fazer entre as contrações.

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Importante o papel do pai neste momento né? Além de um suporte emocional, ele realmente pode fazer algo de concreto para ajudar neste momento tão dolorido. Contudo precisa estar ciente da sua ação, não sendo “necessário” questionar a gestante se ela “quer” que faça a massagem ou que aperte algum ponto, uma vez que está com dores e certamente dirá que não, com receio de que a dor piore. A orientação é no sentido de fazer o que estiver ao seu alcance (sem perguntar), parando caso a gestante peça ou relate piora.

Neste encontro foi o que aprendemos… mas haverá mais um sobre massagens!! Aguardo ansiosa!

Amamentação – Quinto encontro com a sage-feme

“A amamentação é uma capacidade aprendida, é necessário preparo e prática – e nem todo mundo pode ou deve fazê-lo.” Tracy Hoog, Os segredos de uma encantadora de bebês.

Esse livro acima, no capítulo “De quem é essa boquinha?” aborda o tema da amamentação de uma forma maravilhosa! Fala da diferença entre dar o peito e dar a mamadeira, entre o leite materno e o industrializado, trazendo pontos de vistas diversos  (físicos e emocionais) para que a mãe possa decidir a melhor forma de alimentar seu filho. –> sugiro a leitura! Por esse motivo, neste post, fiz uma mistura de informações passadas pela sage-femme, retiradas deste livro e do blog http://vilamamifera.com/depeitoaberto

 

Amamentação, esse é um assunto que já tinha sido conversado no primeiro dia de sage-femme, no dia em que ela fez minha “ficha completa” colhendo informações de todos os tipos. Ao ser questionada se tinha feito alguma cirurgia, disse com tristeza que tinha feito a mamoplastia, e que por esse motivo acreditava que não poderia amamentar.

OBS.: a tristeza se refere ao momento que estou passando, onde a amamentação para mim é mais importante que o tamanho dos seios. Mas claro que durante os 17 anos que separam essa fase com a data da cirurgia curti muitoooooo o resultado!

Bem, lá naquele dia ela disse que tudo dependeria da forma como foi realizada a cirurgia. A cicatriz realmente indica que tenha sido realizada com o corte dos ductos, porém não podemos ter certeza. Ainda, me afirmou que mesmo assim existe sim a chance/possibilidade de amamentar, confirmando que conheceu mulheres que tiveram sucesso mesmo tendo realizado a mamoplastia com o corte dos ductos, apenas tiveram um pouco mais de trabalho.

Já saí daquele encontro bem mais feliz!

 

Agora estávamos tendo um encontro onde o assunto era a amamentação! E mesmo sendo um assunto de mãe, o Cris esteve ao meu lado, me dando um apoio enorme e acreditando junto comigo que poderei dar o peito ao nosso filho! Queremos muito, pois acreditamos que é mais saudável para o nosso pequeno!!

 

Seguem abaixo algumas informações que nos foi passada:

* segundo a OMS até os 6 meses o bebê deve ser alimentado apenas com o leite materno, a partir dos 6 meses até os 2 anos ocorre a inclusão de frutas e legumes.

* 2 anos –> esse é o período ideal para dar leite ao seu bebê! Após esta idade, a criança não precisa mais de leite.

* duração da amamentação: de 5 a 40 minutos (intervalo nada objetivo)

          Tracy Hogg: “a medida que os bebês crescem eles se tornam mais eficientes em mamar e demoram menos. Seguem estimativas:

4 – 8 semanas:   até 40 minutos

8 a 12 semanas: até 30 minutos

3 a 6 meses:       até 20 minutos”

* o bebê mama de 7 a 12 vezes no dia, devendo ser alimentado a cada 2 a 4 horas –> devemos esperar os sinais do bebê indicando que está com fome (item abaixo). Caso não dê sinais, esperar no máximo por 4 horas.

* dar o seio antes do bebê chorar, quando ele der sinais de que está com fome (ele se mexe bastante, tenta colocar a mão na boca, mexe a cabeça para o lado como que procurando o seio, e mexe a boca lambendo os lábios sutilmente), pois dessa forma o bebê não associa o “direito de mamar” com a fome, que para ele é algo ruim   –> diferentemente de um adulto que consegue suportar algum tempo com fome, para o bebê não é nada agradável sentir fome (faz mal para o bebê).

* para pegar o seio, o bebê deve estar com a boca bem aberta e os lábios abertos. Normalmente sugam 2 ou 3 vezes para depois deglutir.

* é preciso estimular o bebê para que ele não durma enquanto está mamando –> algumas dicas do livro “os segredos de uma encantadora de bebês”: a) esfregar suavemente seu polegar na palma da mão do bebê, em movimentos circulares; b) acaricie as costas ou o braço do bebê; c) corra os dedos pela coluna vertebral dele. Nunca colocar pano úmido na testa do bebê ou fazer cócegas em seu pé para mantê-lo acordado! Se nada funcionar deixe-o dormir por 30 min.

* a cada amamentação, dar um seio até que o mesmo esvazie.

 

Abaixo algumas informações sobre as fases e composições do leite materno, retiradas do site http://vilamamifera.com/depeitoaberto

O leite materno é perfeito, pois contém todos os nutrientes necessários para conseguir um crescimento e um desenvolvimento ideais,  com a quantidade adequada de nutrientes para cada fase do bebê.

“O milagre do leite materno é que sua composição muda à medida que o bebê cresce!” Tracy Hogg

Nos primeiros dias (de 5 a 7 dias) tem-se o colostro (produzido desde 20 semanas de gestação, aproximadamente), um leite amarelado e cremoso/viscoso, rico em proteínas, vitaminas, sais minerais e lactose. Rico em anticorpos formados na glândula mamária, fornece ao bebê a primeira imunização pós-parto, além de diversos outros benefícios, como o favorecimento da expulsão do mecônio, limpando o tubo digestivo.

Após essa primeira fase ocorre a produção do “leite de transição”, durante uma ou duas semanas. Tem um aspecto mais aguado, o que não significa tratar-se de um leite mais fraco. Ele vai se modificando de modo gradual (por isso o nome “de transição”) conforme as necessidades nutricionais e digestivas do bebê:  a concentração de imunoglobulinas e o teor de vitaminas lipossolúveis tornam-se progressivamente menores, enquanto aumenta o conteúdo de vitaminas hidrossolúveis, lípidos e lactose, com consequente acréscimo do aporte calórico. Esta fase é conhecida como a “descida do leite”, e pode acarretar febre na mãe, dor de cabeça e congestão vascular, sendo o momento em que ocorre um novo aumento no volume das mamas.

Por fim temos o “leite maduro” ou “definitivo” que surge por volta da terceira semana após o parto, tem um aspecto mais consistente que o leite de transição e coloração mais branca. Sua produção aumenta ao longo da lactação e de acordo com a necessidade da criança. Possui maior teor de lipídio e de lactose, e menor quantidade de proteína. Importantíssimo salientar que nesta fase o leite também apresenta modificações, em função da etapa da amamentação, da hora do dia, da nutrição da mãe e da idade do bebê. No início da mamada, é normalmente mais acinzentado e aguado, rico em proteínas, lactose, vitaminas, minerais e água, e, no final da mamada,costuma ser mais branco e rico em energia, ou seja, é rico em gordura. E é o alto teor lipídico no leite do final da mamada (o chamado leite posterior) que induz a sensação de saciedade, pois cerca de metade da energia fornecida pelo leite materno é mediada por gorduras.

A quantidade de gordura no leite aumenta ao longo da mamada. Não é um aumento pequeno; está comprovado que a concentração de gordura ao final da mamada pode ser cinco vezes maior que no princípio –> a respeito do assunto, aconselho a leitura do seguinte texto, achei muito interessante: http://vilamamifera.com/depeitoaberto/como-se-faz-o-leite/

“Existem variações significativas na composição do leite materno de hora para hora, de mês para mês ou de mulher para mulher.”  Tracy Hoog

 

Devido a essa modificação da composição do leite durante a mamada (inicialmente rico em proteínas, lactose, vitaminas, água e minerais e após em gordura), a sage-femme passou a orientação de a cada mamada dar um seio, até que o mesmo reste vazio, para que assim o bebê possa ingerir todos os nutrientes necessários, especialmente no caso de necessidade do bebê aumentar o peso, eis que a gordura está presente na parte final do processo.

Caso a mama esvazie e o bebê continue a sugar, dar o outro seio. Contudo, na próxima mamada iniciar pelo segundo seio, ou seja, pelo que o bebê terminou na mamada anterior.

 

* o leite materno pode ser retirado com bombinhas próprias para ser dado ao bebê em outro momento, na mamadeira (caso a mãe não possa estar presente no horário da fome), podendo ficar 24 horas na geladeira e até 3 meses no congelador. Deve ser armazenado em mamadeiras esterilizadas os em sacos próprios para isso (não utilizar plásticos comuns), devendo sempre ser rotulado com a data e o horário da extração. Armazene em recipientes de 50 a 100ml, evitando desperdícios.

* temperatura ideal para aquecer o leite: 36 graus centígrados –> deve ser aquecido em banho-Maria ou em aparelhos próprios para o aquecimento, evitando-se ao máximo o microondas, pois ele altera a composição do leite, decompondo as proteínas. Use o leite descongelado imediatamente ou guarde-o na geladeira por, no máximo, 24h. Você pode combinar o leite descongelado com o fresco, mas nunca congele-o novamente.

* apesar da possibilidade de dar o leite em mamadeiras, não é aconselhável que seja feito antes dos 15 dias de vida do bebê, eis que a sucção na mamadeira é mais fácil, dificultando assim o posterior retorno ao seio.

* é normal o bebê perder cerca de 10% do seu peso nos primeiros dias, isso ocorre porque antes, no útero, ele era alimentado pela placenta, e agora precisa aprender a se alimentar, e isso pode demorar alguns dias. Porém, a maioria dos bebês recuperam o peso dentro de sete ou dez dias. Se após a segunda semana não ocorrer essa recuperação, a visita ao pediatra de faz obrigatória!

* Pico ou impulso de crescimento: período de 1 ou 2 dias durante o qual o bebê precisa de mais alimento que o normal. Geralmente esses impulsos acontecem a cada 3 ou 4 semanas. São como “ataques de fome”, onde parece que o bebê está mais faminto, querendo comer o dia inteiro –> dê mais leite para o seu bebê!!

Com o processo de crescimento as necessidades do bebê mudam e o aumento da necessidade de sucção é a forma que a natureza encontra de enviar uma mensagem para o corpo da mãe, para que o mesmo produza mais leite.

* o leite industrializado é digerido mais lentamente que o leite humano, o que significa que os bebês alimentados desta forma fazem intervalos entre as mamadas maiores, de aproximadamente 4 horas ao invés de 3 horas.

 

Posicionamento para a amamentação:

É importante que a mãe esteja bem posicionada ao dar o seio para o bebê, uma vez que o fará com muita frequência, e caso contrário restará possivelmente com dores nas costas e ombros.

* encostar as costas no sofá

* utilizar um sofá ou cadeira com suporte para os braços

* acomodar o bebê sobre uma almofada de amamentação ou travesseiros, para que não seja necessário sustentar o bebê, aliviando assim o esforço nos braços e ombros

* o bebê deve ficar com a barriga colada na barriga da mãe, ou seja, posicionado bem de frente para o corpo da mãe.

* segundo Tracy Hogg “para um encaixe adequado, os lábios do bebê devem estar ao redor do mamilo e da aréola. Estenda ligeiramente o pescoço do bebê de forma que o nariz e o queixo encostem no seu seio. Isso ajuda a manter o nariz do bebê desobstruído, sem ter de segurar-se ao seio. Se você tiver os seios grandes, coloque uma meia enrolada sob eles para mantê-los erguidos.”

Abaixo seguem fotos de algumas posições para amamentar:

Repare que na primeira foto há uma almofada florida abaixo da almofada de amamentação, na altura da cabeça do bebê. Importante o posicionamento da mão direita, mantendo firme a cabeça do bebê na correta posição – de frente para o seio da mãe.

DSC07848

Nesta segunda posição a almofada florida passa da lateral esquerda para o meio das pernas, acompanhando o posicionamento da cabeça do bebê, mantendo-a assim ligeiramente mais elevada.

DSC07849

Segundo Tracy Hogg o posicionamento ideal da mão que segura o seio é segurá-lo com os dedos a 2,5cm acima e 2,5cm abaixo do mamilo.

Finalizando, abaixo segue a posição ideal para amamentar à noite.

DSC07850

 

Chegamos em casa, e agora? –> Quarto encontro com a sage-femme

Aprés-accouchement (após o nascimento), esse foi o tema do nosso quarto encontro com a sage-femme!

 

Ao escolher o título deste post lembrei muito de um casal de amigos de Campinas – o Rafael e a Alessandra, que quando chegaram na casa deles após o nascimento da primeira filha, se olharam e veio a pergunta: “E agora? O que a gente faz com esse bebê?”. Ria muito quando eles contavam sobre esse dia!!

 

Neste encontro foram nos passadas algumas informações que acredito que no Brasil sejam passadas pelo Médico Pediatra, algumas ainda no hospital e outras nas primeiras consultas! Aqui na França temos esse primeiro encontro antes do nascimento para algumas informações básicas, e depois para as consultas do Pedro podemos escolher entre um médico especialista – pediatra – ou um médico geral (e caso seja necessário esse encaminha posteriormente para um pediatra).

 

Durante o primeiro mês levaremos o Pedro nesta sage-femme, ela fará a pesagem semanal dele e verificará se tudo está dentro da normalidade. Após, o Pedro terá seu próprio médico com consultas mensais.

 

Bem, o Pedro já tem a pediatra brasileira dele, a Titia Viviane, como não poderia deixar de ser! Porém, em que pese esse super apoio e que sei será recheado de amor, mesmo que a distância num primeiro momento, seguimos aprendendo aqui com algumas informações.

 

* Com 3 dias de vida o bebê recebe, ainda na maternidade, um pique no pézinho, para a realização de exames e detectar 5 doenças graves.

* Caso o bebê tenha febre (o que verificaremos em casa) nos 3 primeiros meses de vida, e essa febre for abaixo de 38,5 graus centígrados, podemos dar um remédio (receitado pelo médico ou sage-femme) e aguardar ver se a febre baixa. Caso seja superior ou não ceder com o remédio, devemos ir para o hospital imediatamente. Para verificar a febre o ideal (como o bebê se mexe muito na verificação do estado febril) é o termômetro retal, e a temperatura normal é entre 36,5 e 37,5 graus centígrados.

* Limpeza do rosto: realizada com soro fisiológico;

* Limpeza do olho: realizada quando o bebê está com o olho sujinho (por óbvio, mas quero dizer que não precisa ser feita a todo instante), na direção “de fora para dentro”

* Limpeza da orelha: não precisa ser diária e deve ser feita com compressa enroladinha, não usando-se inicialmente o cotonete.

* Higiene das roupas do bebê: deve ser feita com sabão neutro apropriado para bebês ou sabão BIO (e nesta caso as roupas podem ser lavadas juntamente com as roupas dos pais), porém não deve ser utilizado amaciante!

 

Além dos cuidados com o bebê, no período aprés-accouchement, há alguns cuidados com a nova mamãe.

* o sangramento pós-parto pode durar até 3 semanas, claro variando de mulher para mulher e de outros fatores, como por exemplo, se a mamãe está amamentando (pois dar o seio estimula a contração e o retorno do útero, estancando o sangramento);

*caminhadas são aconselhadas somente após 1 mês do parto;

* entre 6 e 8 semanas após o parto deve ser agendada uma consulta com o ginecologista. Neste encontro além de da análise da recuperação física do corpo da mulher, são passadas informações sobre a preservação… afinal, você sabia que no período pós parto a mulher fica “mais fértil”?

* após 2 meses há sessões de reeducação perineal e abdominal. Interessante não?

O períneo, após a gestação e nascimento, normalmente costuma ser estirado, restando frouxo o canal vaginal e, como consequência, as mães podem soltar um pouco de urina involuntariamente quando tossem ou espirram. –> Na França esses problemas não são aceitáveis, havendo sessões de reeducação perineal pagas pelo sistema de saúde, bem como reeducação abdominal, tudo visando o bem-estar do relacionamento do casal.
Por hoje era isso… até o próximo encontro!

Nossa terceira consulta com a sage-femme – procedimentos no dia do nascimento!

Nosso terceiro “rendez-vous” com a sage-femme, no dia 06 de junho, tratou um pouco sobre a parte prática do dia do nascimento do Pedro, com o objetivo de estarmos cientes do passo a passo e não ficarmos nervosos com toda a parte “administrativa” da coisa.

 

Chegando na maternidade a pergunta que nos será feita é “porque vocês estão aqui?”. Estranho não? Estou na maternidade (o que pode ocorrer de madrugada), com um barrigão enorme, com dores e a pessoa vai me perguntar isso? Devo estar no local errado, só pode!!

 

Mas não é tão estranho assim… o fato é que existem diversas razões para uma gestante se deslocar até a maternidade. Eis algumas:

* rompimento da bolsa amniótica;

* dores (que podem aparecer antes do início do trabalho de parto);

* ausência de movimentos do bebê por algumas horas;

* febre da gestante;

* perda de sangue;

* início de trabalho de parto.

Sendo assim, não devemos estranhar o questionamento e com calma explicar que o trabalho de parto começou.

 

Tendo ocorrida a recepção pelas sages-femmes da maternidade, seremos encaminhados para uma sala de exames, onde serão checados os batimentos cardíacos do bebê e as contrações da parturiente.

Os batimentos cardíacos são medidos em um aparelho e mostrados através de um papelzinho quadriculado com uma faixa verde. Estando dentro da faixa verde, está tudo certo!! Esses exames duram pelo menos 30 minutos, e neste tempo ficaremos uma boa parte do tempo sozinhos na sala, porém a sage-femme tem em sua sala um monitor onde estará acompanhando esses dados durante todo o período. Porém, caso os batimentos baixem dessa faixa verde (como mostra a figura abaixo), devemos chamar a sage-femme, pois significa que os batimentos do bebê estão fracos/lentos, devendo ser averiguada a razão.

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É normal que os batimentos baixem um pouco durante a contração, afinal ele ficará espremido no útero… mas não deve descer muito da parte verde e nem lá permanecer.

A análise das contrações é mais simples, e serve para verificar se realmente a gestante já está em trabalho de parto ativo.

Desta sala, ao contrário do que imaginávamos (que iríamos para um quarto aguardar até o nascimento), vamos para a “sala do nascimento”, onde ficaremos durante todo o trabalho de parto até que o Pedro resolva mostrar seu rostinho!

Nesta sala teremos esses dois monitoramentos (idêntico aos realizados na sala de exames) e também será realizada a perfuração, ou seja, serei preparada para a introdução de medicamentos na veia. Essa perfuração ocorre especialmente se a gestante já sabe se vai querer a peridural posteriormente, e se dá inicialmente com água com a finalidade de hidratar a gestante.

Como já disse no relato da primeira consulta, é possível pedir uma peridural mais fraca (ou mois fort, menos forte, como dizem os franceses), com o objetivo de continuar sentindo um pouco as contrações. Com qual finalidade? Primeiro porque é mais fácil você fazer força se está sentindo as contrações e controlar essa força (é só imaginar como é mexer um braço ou perna anestesiados, se você não os sente, como conseguirá mexê-los?). Um segundo motivo, que é consequência desse primeiro, é o uso do fórceps. Ocorre que devido a impossibilidade da gestante fazer a devida força para que o bebê saia, o uso do fórceps é mais comum quando solicitada a peridural na sua dose mais elevada.

 

Por fim, nesta consultam conversamos sobre os casos de cesáreas aqui na França. São 3 as situações em que a gestante terá cesárea. Lembrando que esse tipo de parto não é a regra, acredito que na grande parte dos países europeus.

1) cesárea programada – devido a alguma doença da gestante ou do bebê, ou de algum fator verificado antes do trabalho do parto que impossibilite o parto natural;

2) não evolução das dilatações;

3) urgência – como o caso dos batimentos o bebê caírem, indicando o seu sofrimento.

 

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Sobre os casos de cesárea, quero fazer um parênteses:

Quero contar para vocês algo que eu vi na televisão aqui e que me chamou muito a atenção, me alertando para a diferença do que se entende por “necessidade de cesárea” entre França e Brasil.

Logo que engravidei, assistia um programa de televisão que era como um “reality show” na maternidade, chamava-se “En immersion dans une maternité”. Ficava umas 2 a 3 horas assistindo o que acontecia numa maternidade de Paris, desde a chegada das gestantes, exames realizados, falsos trabalhos de parto, até o nascimento dos bebês, tanto partos normais como cesáreas.

Teve um dia do programa que me marcou muito, pois uma gestante chegou no consultório do médico e esse, constatando que o bebê não estava bem posicionado para o nascimento, passou um gel na barriga da gestante e girou o bebê, com suas mãos, posicionando-o. Ele realmente “modelou” a barriga da gestante (como se estivesse mexendo em uma argila, fazendo um vaso), virando o bebê em 180 graus. A gestante levantou e saiu caminhando, com o seu filho bem posicionado para o nascimento que ocorreria dentro de alguns dias.

Fiquei abismada com essa cena… me questionava: porque no Brasil o não posicionamento do bebê corretamente é motivo de agendamento antecipado de cesárea se é possível fazer essa manobra?

Foi então que pesquisei e li que o bebê pode mudar de posição até o o último minuto antes do nascimento, durante o trabalho de parto.

Na primeira consulta em que o médico me disse que o Pedro estava bem posicionado para o nascimento, no dia 21 de maio, o questionei a respeito (o médico, e não o Pedro), perguntando se ele (o Pedro, e não o médico :P) poderia se virar (ou se “desposicionar”) e sobre essa manobra que vi na televisão. A primeira resposta foi que SIM, o bebê pode se virar e até sentar-se (posição que realmente dificulta o parto normal) até o momento do nascimento, mas que  uma vez posicionado, devido ao tamanho do piá e a gravidade, seria muito difícil que ele mudasse de posição, podendo contudo girar sobre o mesmo eixo, ou seja, colocar as costas para um lado da barriga ou para o outro, mas não mudar a cabeça que está para baixo colocando-a para cima. –> uau! Que difícil escrever essa explicação!!

Quanto à manobra, ele confirmou que realmente é possível realizá-la e que há médicos que fazem sim. Porém, confirmou que ele opta por não fazer, e se for o caso do bebê não estar posicionado, ele prefere marcar cesárea (conforme feito no Brasil, porém não com tanta antecedência – dando a chance do bebê virar sozinho), pois confirmou que há um risco grande de, durante essa manobra, o cordão umbilical ficar ao redor do pescoço do bebê.

 

Quanto ao cordão umbilical, após esse dia já ouvi de amigas que seus médicos afirmaram que o cordão ao redor do pescoço não é impedimento para o parto natural, já li informações semelhantes, e também escutei da sage-femme, que inclusive me afirmou que é normal verificar na saída do bebê, no nascimento por parto normal, que o cordão estava dando duas voltas no pescoço. Isso devido ao tamanho do cordão, que é grande, e ao fato do bebê se mexer bastante e até “brincar” com o cordão.

Bem, mas foi a justificativa do meu médico neste caso de mau posicionamento do bebê.

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Fechado esse parêntese, e seguindo nossa consulta com a sage-femme, ainda no assunto da cesárea, ela nos falou de uma única vantagem da cesárea sobre o parto normal… porém essa vantagem não é para o bebê e muito menos para a parturiente, mas para o papai!

Ocorre que aqui na França em casos de cesárea o papai não pode participar do nascimento, não pode acompanhar a gestante, eis que se trata realmente de uma cirurgia, havendo alto risco de contaminação –> eis a justificativa francesa!

Em se tratando de uma grande cirurgia, após o nascimento a mãe passa apenas alguns poucos segundos com seu filho (muitas vezes só o tempo de dar um beijinho, sem nem mesmo ter um contato maior entre os dois), pois os procedimentos da cirurgia continuam e o bebê precisa de cuidados imediatos que não são necessários no caso de parto natural.

E aqui entra a vantagem para o papai: como o contato pele-a-pele é super importante para o bebê logo após o nascimento, e como a gestante fica aproximadamente 2 horas em função da cirurgia (finalização e recuperação), o contato é feito com o pai! Assim, o pai é orientado a tirar a camisa e aproveitar o seu filho deitado no seu peito, sozinhos, num momento só deles, durante pelo menos 2 horas!! Vejam que delícia esse procedimento! 😉

Para finalizar, uma orientação importante para o papai neste período em que estará com total responsabilidade sobre as decisões a respeito do bebê: caso verificado que o bebê está faminto, não permitir que seja dado leite na mamadeira, solicitando que a amamentação seja feita por meio de seringa. Isso se deve ao fato da maior facilidade do bebê sugar a mamadeira que o seio, dificultando o posterior processo de amamentação materna.

 

Era isso… beijinhos meus e chutinhos do Pedro!

Barriguda? Eu???

Hoje eu e o Cris nos divertimos muito vendo as fotos da evolução da barriga na gestação! Foi muito divertido olhar as primeiras fotos e lembrar da nossa felicidade fazendo a comparação e da nossa alegria ao mostrar as fotos para a família e para os amigos. E a minha ansiedade em fazer os posts para o blog e colocar aqui as fotos? Só eu mesma!

Para lembrarem as primeiras fotos: “barrigudinha” (fotos com 8,13 e 17 semanas) e “barriguda… a evolução” (foto com 27 semanas).

Ficamos imaginando o que o pessoal comentou quando mostramos as fotos… deviam pensar que estávamos loucos de enxergar alguma diferença, hehehehe!!

Bem, o Cris, naquela época, já me chamava de barrigudinha… agora a coisa ficou mais intensa, mais direta, barriguda, pançuda, barriga cambota e até transporte são os nomes carinhosos que recebo! “Transporte” se deve a um amigo espanhol que disse que só fui aceita no clube da cerveja de quinta-feira (em um dia que o Cris ia sozinho e aceitou a minha companhia) porque estava transportando o Pedro, que na verdade quem estava acompanhando o Cris era o Pedro, e não eu… ok, comecei a ser ignorada fisicamente 😛

Mas agora a barriga esta realmente grande, tivemos uma evolução considerável. Hoje completamos 32 semanas de gestação, pesando 69kg, ou seja, aumentei mais ou menos 7kg (ou 7,5kg) desde o início da gestação. Segundo os sites especializados, a partir de agora é possível que eu aumente até meio quilo por semana, pois nesta fase final o Pedro ganhara muito peso (aproximadamente metade do peso que terá ao nascer). Caramba… confesso que isso me assusta um pouco, mas vamos em frente!!
O Pedro deve estar com aproximadamente 42 centímetros e 1,7kg, mas saberemos certinho no dia 12/06, dia da próxima (e última) ecografia.

Como poderão ver nas fotos abaixo a barriga está realmente grande, e nesta última semana (após a última foto) ela parece estar mudando não só de tamanho, mas de formato também, ficando cada vez mais alta. Isso tem me trazido um pouco mais de desconforto ao dormir, uma pequena dificuldade de respirar mesmo quando parada (dependendo da posição) e uma dor bem forte abaixo da primeira costela do lado direito. Segundo o médico, essa dor se deve a presença da vesícula biliar no local, então quando o Pedro chuta ali naquele cantinho, dói mesmo!

C’est la vie!! 😉
E o que tenho a dizer é que estou muito feliz com tudo isso! A emoção tem tomado conta dessa mamãe nesta fase final da gestação (simmmm, estamos no último trimestre), onde a reparação para o parto está mais intensa. E com o Pedro respondendo aos nossos carinhos com chute e muitas cambalhotas, não tem como não se emocionar a cada dia!

Querem ver como o Pedro tá grandão?

7meses

Sage-femme – segundo encontro!

Após o segundo encontro com a sage-femme, ocorrido no dia de hoje, fiquei pensando o que eu escreveria aqui, e quase quase que este post não sai.

O fato é que o assunto de hoje foi mais técnico, poderia assim dizer, onde ela desenhou o posicionamento do bebê do ventre, nomeou algumas estruturas fisiológicas que participam do parto e simulou com uma boneca, alguns tecidos e a pelve (osso da bacia – forma antiga de chamar essa estrutura) a forma como o bebê saí no parto natural. Falou do rompimento da bolsa, do início do trabalho de parto e mais algumas informações práticas do dia do nascimento. O que falar de tudo isso? E o mais importante: para que?

Bem, o fato é que eu e o Cris, apesar de percebemos que são informações com as quais não podemos fazer nada de prático, são super importantes para que a gente saiba o que estará acontecendo com o meu corpo na hora do parto e o simples saber, certamente nos deixará mais tranquilos. E nada melhor do que a tranquilidade para esse dia tão especial!

 

Sendo assim, começamos o nosso trabalho de parto, o de hoje virtual e imaginário.

Algumas pessoas tem como marco para este momento o rompimento da bolsa amniótica, mas é sabido que um bebê pode nascer até mesmo sem essa se romper. Então, o trabalho de parto tem como “início oficial” quando a gestante tem, por 1 hora, contrações fortes e regulares, numa frequência de aproximadamente uma a cada 5 minutos. 

É importante ter em mente que a gestante normalmente tem contrações irregulares antes desse “início oficial”, que são chamadas de pródromos ou contrações de treinamento ou contrações de Braxton-Hicks ou ainda, contrações falsas. São contrações que aparecem e desaparacem, não sendo doloridas, um leve desconforto, e que duram em média de 30 a 60 segundos. Podem ocorrer por vários dias e sua principal característica é a IRREGULARIDADE e o fato de não aumentarem de intensidade. Há mulheres que quase nem percebem essas contrações. Costumam ser sentidas a partir da 16a semana, mas podem vir até antes ou bem depois!

Outro fenômeno que pode ocorrer é a saída do tampão… uma espécie de gelatina, como a clara do ovo, que serve para proteger a entrada do útero. Ele pode ter uma cor mais escura, até meio amarronzado, devido a presença de um pouco de sangue, sem que seja um motivo para maiores preocupações. O tampão pode até mesmo ser refeito naturalmente, e não é motivo para perder a calma! Normalmente a saída do tampão é um indicativo de que o trabalho de parto se aproxima, porém o tempo é variável, podendo iniciar horas após ou até mesmo dias depois (até mesmo 2 semanas).

 

A duração do trabalho de parto pode variar de mulher para mulher, mas em média, em uma primeira gestação, ela dura entre 8 e 15 horas, considerando-se o “início oficial” acima descrito.

PS.: como podemos ver, todos os prazos são variáveis! Isso porque cada mulher é uma, cada parto também… a mesma mulher pode ter partos que ocorrem de maneiras completamente diferentes! Então, tudo o que se fala aqui e o que os livros trazem, são médias, servem apenas para termos uma idéia da sequência que estamos descrevendo.

 

Como normalmente a bolsa amniótica se rompe, preciso estar preparada para “o que fazer?” e saber “O que vou sentir?”

Quando esse fenômeno natural ocorrer, o esperado é que saia um líquido claro como a água e que o bebê continue a se movimentar normalmente, se assim for, a parturiente não precisa se assustar e correr para o hospital. Importante frisar que a indicação médica mais comum é de que se vá diretamente para o hospital/maternidade, uma vez que com esse rompimento abriu-se uma janela para as infecções, pois não há mais a proteção natural do bebê e o meio em que ele se encontra passa a não ser totalmente estéril. Contudo, é sabido que o ambiente hospitalar não é o mais indicado quando falamos de infecções, afinal é para lá que as pessoas vão para se tratarem de problemas infecciosos, e as bactérias existentes no hospital são, de regra, inúmeras vezes mais resistentes que as presentes em nossa casa. Assim, presente estes requisitos (líquido claro e movimentação normal do bebê), podemos ficar tranquilos e em casa, por mais umas 3 ou 4 horas. É permitida e recomendada (para se ter energia para as horas que teremos pela frente) a ingestão de comidas leves (churrasco não é o mais indicado, atenção!) como frutas frescas ou secas e carboidratos de fácil digestão – afinal após chegar ao hospital você ficará impedida de comer por várias horas -, um banho de chuveiro (no caso do rompimento da bolsa não é indicado o banho de banheira face ao maior risco de infecção) e muita calma!

As contrações passarão a ser mais fortes após esse momento. Por este motivo, caso não ocorra o rompimento da bolsa amniótica naturalmente e a parturiente ainda não tenha solicitado a peridural, é recomendado que o rompimento não seja feito pelo profissional de saúde, pois só fará aumentar as dores da gestante.

 

Na hora exata do nascimento ocorre um alargamento da pelve (ela tem uma certa mobilidade) que somada com a mobilidade da cabeça do bebê (suas placas ósseas na cabeça ainda não são fixas) permite a passagem do mesmo. Para isso o ideal é que ele esteja posicionado com o rosto virado para as costas da mãe, e logo após a saída da cabeça naturalmente ocorre uma pequena torção do bebê para o lado, saindo então o seu corpinho, que é bem mais molinho que a cabeça.

Caso ele esteja virado com a face para a parte da frente do corpo da mãe, o nascimento por parto normal pode ocorrer, porém devido a compressão da nuca do bebê (parte com maior diâmetro) com o osso pelve, a gestante pode sentir dores nas costas durante as contrações (normalmente a dor da contração é centrada no abdômen).

 

Aproximadamente após uns 20 minutinhos sairá, também com uma contração (mas bem menos dolorida), a placenta e o trabalho de parto está finalmente finalizado. A partir deste momento, ocorre um sangramento natural, ficando a gestante por mais ou menos 2 horas na sala do nascimento para que seja monitorada. Neste tempo a família (bebê, papai e mamãe) está se descobrindo, é também o momento da primeira amamentação e essas 2 horas passam rapidamente.

 

No próximo encontro continuaremos falando sobre o andamento do dia do nascimento e as intervenções médicas que são obrigatórias e as que são dispensáveis…

 

Em tempo, e por conta: Caso você, assim como eu, tenha interesse em estudar sobre o trabalho de parto, verá que existem descrições de diferentes fases e estágios do trabalho de parto. E neste caso perceberá algumas diferenças com o que relatei aqui (até mesmo porque não entrei no assunto de nenhuma fase com nomes específicos).

O fato é que o objetivo desses posts é informar sobre meus encontros com a sage-femme, as informações repassadas por ela e como estou me sentindo a respeito da minha gestação e da proximidade com o parto.

Mas vou tentar resumir esses estágios e fases para que fique o registro e não haja confusões.

Primeiramente pode-se dizer que o trabalho de parto tem 3 estágios, compostos de fases:

A) Estágio onde ocorrem as contrações, composto de 3 fases:

FASE LATENTE ou PRÉ-TRABALHO DE PARTO –> contrações ritmadas, de 20 em 20 minutos, 15 em 15 minutos e cada vez diminuindo mais esse tempo de intervalo. Neste momento as dores são suportáveis e o corpo feminino passa a se banhar de ocitocina, o hormônio do bem-estar. Estar conectada com o maridão nesta fase é ótimo, pois a emoção de saber que logo chegará seu bebê e de passar por esse período tão importante juntos é enorme!

Curiosidade: Inúmeros relatos falam de um pico de energia nesta fase, como o aumento da vontade de caminhar, correr, limpar a casa, lavar o carro, organizar as roupinhas do bebê, etc. Loucura hormonal? Pode ser, mas acredito que o melhor seja economizar as energias e tentar manter a calma, pois em breve seu corpo será super exigido.

 

FASE ATIVA –> é a fase em que a sage-femme considera o início do trabalho de parto, ou seja, contrações regulares com intervalos de 5 minutos, aproximadamente. Porém há relatos desse requisito ser ligado ou alternado, leia-se e/ou, com mais de 4 ou 5 centímetros de dilatação. Normalmente por serem bem mais doloridas, a gestante não consegue falar enquanto está tendo uma contração. Apesar da variação entre as gestantes, ao que tudo indica esta é a fase mais longa do trabalho de parto. aqui a respiração e o relaxamento são essenciais.

 

FASE DE TRANSIÇÃO –> inicia-se em torno de 7 ou 8 centímetros de dilatação e vai até a dilatação completa, ou seja, 10 centímetros. Nesta fase as contrações vem em intervalos ainda menores, aproximadamente de 2 em 2 minutos.

É comum a mulher entrar em uma espécie de “estado de transe”, face ao elevado nível de ocitocina no corpo. Pode até mesmo ocorrer dela sequer responder com coerência o que lhe questionam, isso quando responder. Nesta fase a mulher pode desacreditar na sua capacidade de seguir com o parto normal, diz não conseguirá, que vai desmaiar ou morrer. Pode sentir náuseas, tremedeiras e até vomitar. É comum pedir a peridural nesta fase.

Medidas de conforto são necessárias aqui, palavras que a estimulem e a encorajem, música relaxante, massagens, mas devido ao estado em que se encontra, tudo isso pode irritá-la. Pode-se dizer que é o período mais intenso, físico e emocionalmente, do trabalho de parto!!

 

B) Estágio Expulsivo –> é nesta etapa que ocorre a saída do bebê. A gestante encontra-se normalmente mais lúcida e ativa. Este período inicia com 10 centímetros de dilatação e é quando o útero empurra o bebê pelo canal vaginal. As contrações continuam (podendo haver um pequeno intervalo entre estes estágios), e a cada uma delas o bebê desce mais um pouquinho (recuando um pouquinho também quando a contração cessa, mas é o normal, desde que ele desça um pouco cada vez). E vai assim até o médico dizer que o bebê está “coroando”, que significa que ele está próximo a vagina. Nesta hora é comum a parturiente sentir um ardor na vagina, conhecido como “círculo de fogo”.

Aqui ocorrem os “puxos” que é a vontade de fazer força, respeite seu corpo e ache a posição mais confortável para fazê-la.

Duração? Este estágio pode levar poucos minutos, mas em mamães de primeira viagem pode ser que dure horas. E nesta etapa que pode ser necessária a episiotomia, que é um pequeno corte no períneo, músculo que fica entre a vagina e o ânus, aumentando o espaço para o bebê passar e evitando assim lacerações.

 

C) Estágio onde ocorre a saída da placenta –> aqui ocorre um descolamento da placenta da parede uterina e a consequente saída, através de contrações que não são tão doloridas como as anteriores. A placenta sai juntamente com a bolsa amniótica vazia e o médico deve examiná-la a fim de verificar se saiu íntegra ou se restou algum pedacinho no abdômen.

 

Acredito que era isso… mas sigo nos meus estudos! 😉

Beijinhos