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Nossa terceira consulta com a sage-femme – procedimentos no dia do nascimento!

Nosso terceiro “rendez-vous” com a sage-femme, no dia 06 de junho, tratou um pouco sobre a parte prática do dia do nascimento do Pedro, com o objetivo de estarmos cientes do passo a passo e não ficarmos nervosos com toda a parte “administrativa” da coisa.

 

Chegando na maternidade a pergunta que nos será feita é “porque vocês estão aqui?”. Estranho não? Estou na maternidade (o que pode ocorrer de madrugada), com um barrigão enorme, com dores e a pessoa vai me perguntar isso? Devo estar no local errado, só pode!!

 

Mas não é tão estranho assim… o fato é que existem diversas razões para uma gestante se deslocar até a maternidade. Eis algumas:

* rompimento da bolsa amniótica;

* dores (que podem aparecer antes do início do trabalho de parto);

* ausência de movimentos do bebê por algumas horas;

* febre da gestante;

* perda de sangue;

* início de trabalho de parto.

Sendo assim, não devemos estranhar o questionamento e com calma explicar que o trabalho de parto começou.

 

Tendo ocorrida a recepção pelas sages-femmes da maternidade, seremos encaminhados para uma sala de exames, onde serão checados os batimentos cardíacos do bebê e as contrações da parturiente.

Os batimentos cardíacos são medidos em um aparelho e mostrados através de um papelzinho quadriculado com uma faixa verde. Estando dentro da faixa verde, está tudo certo!! Esses exames duram pelo menos 30 minutos, e neste tempo ficaremos uma boa parte do tempo sozinhos na sala, porém a sage-femme tem em sua sala um monitor onde estará acompanhando esses dados durante todo o período. Porém, caso os batimentos baixem dessa faixa verde (como mostra a figura abaixo), devemos chamar a sage-femme, pois significa que os batimentos do bebê estão fracos/lentos, devendo ser averiguada a razão.

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É normal que os batimentos baixem um pouco durante a contração, afinal ele ficará espremido no útero… mas não deve descer muito da parte verde e nem lá permanecer.

A análise das contrações é mais simples, e serve para verificar se realmente a gestante já está em trabalho de parto ativo.

Desta sala, ao contrário do que imaginávamos (que iríamos para um quarto aguardar até o nascimento), vamos para a “sala do nascimento”, onde ficaremos durante todo o trabalho de parto até que o Pedro resolva mostrar seu rostinho!

Nesta sala teremos esses dois monitoramentos (idêntico aos realizados na sala de exames) e também será realizada a perfuração, ou seja, serei preparada para a introdução de medicamentos na veia. Essa perfuração ocorre especialmente se a gestante já sabe se vai querer a peridural posteriormente, e se dá inicialmente com água com a finalidade de hidratar a gestante.

Como já disse no relato da primeira consulta, é possível pedir uma peridural mais fraca (ou mois fort, menos forte, como dizem os franceses), com o objetivo de continuar sentindo um pouco as contrações. Com qual finalidade? Primeiro porque é mais fácil você fazer força se está sentindo as contrações e controlar essa força (é só imaginar como é mexer um braço ou perna anestesiados, se você não os sente, como conseguirá mexê-los?). Um segundo motivo, que é consequência desse primeiro, é o uso do fórceps. Ocorre que devido a impossibilidade da gestante fazer a devida força para que o bebê saia, o uso do fórceps é mais comum quando solicitada a peridural na sua dose mais elevada.

 

Por fim, nesta consultam conversamos sobre os casos de cesáreas aqui na França. São 3 as situações em que a gestante terá cesárea. Lembrando que esse tipo de parto não é a regra, acredito que na grande parte dos países europeus.

1) cesárea programada – devido a alguma doença da gestante ou do bebê, ou de algum fator verificado antes do trabalho do parto que impossibilite o parto natural;

2) não evolução das dilatações;

3) urgência – como o caso dos batimentos o bebê caírem, indicando o seu sofrimento.

 

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Sobre os casos de cesárea, quero fazer um parênteses:

Quero contar para vocês algo que eu vi na televisão aqui e que me chamou muito a atenção, me alertando para a diferença do que se entende por “necessidade de cesárea” entre França e Brasil.

Logo que engravidei, assistia um programa de televisão que era como um “reality show” na maternidade, chamava-se “En immersion dans une maternité”. Ficava umas 2 a 3 horas assistindo o que acontecia numa maternidade de Paris, desde a chegada das gestantes, exames realizados, falsos trabalhos de parto, até o nascimento dos bebês, tanto partos normais como cesáreas.

Teve um dia do programa que me marcou muito, pois uma gestante chegou no consultório do médico e esse, constatando que o bebê não estava bem posicionado para o nascimento, passou um gel na barriga da gestante e girou o bebê, com suas mãos, posicionando-o. Ele realmente “modelou” a barriga da gestante (como se estivesse mexendo em uma argila, fazendo um vaso), virando o bebê em 180 graus. A gestante levantou e saiu caminhando, com o seu filho bem posicionado para o nascimento que ocorreria dentro de alguns dias.

Fiquei abismada com essa cena… me questionava: porque no Brasil o não posicionamento do bebê corretamente é motivo de agendamento antecipado de cesárea se é possível fazer essa manobra?

Foi então que pesquisei e li que o bebê pode mudar de posição até o o último minuto antes do nascimento, durante o trabalho de parto.

Na primeira consulta em que o médico me disse que o Pedro estava bem posicionado para o nascimento, no dia 21 de maio, o questionei a respeito (o médico, e não o Pedro), perguntando se ele (o Pedro, e não o médico :P) poderia se virar (ou se “desposicionar”) e sobre essa manobra que vi na televisão. A primeira resposta foi que SIM, o bebê pode se virar e até sentar-se (posição que realmente dificulta o parto normal) até o momento do nascimento, mas que  uma vez posicionado, devido ao tamanho do piá e a gravidade, seria muito difícil que ele mudasse de posição, podendo contudo girar sobre o mesmo eixo, ou seja, colocar as costas para um lado da barriga ou para o outro, mas não mudar a cabeça que está para baixo colocando-a para cima. –> uau! Que difícil escrever essa explicação!!

Quanto à manobra, ele confirmou que realmente é possível realizá-la e que há médicos que fazem sim. Porém, confirmou que ele opta por não fazer, e se for o caso do bebê não estar posicionado, ele prefere marcar cesárea (conforme feito no Brasil, porém não com tanta antecedência – dando a chance do bebê virar sozinho), pois confirmou que há um risco grande de, durante essa manobra, o cordão umbilical ficar ao redor do pescoço do bebê.

 

Quanto ao cordão umbilical, após esse dia já ouvi de amigas que seus médicos afirmaram que o cordão ao redor do pescoço não é impedimento para o parto natural, já li informações semelhantes, e também escutei da sage-femme, que inclusive me afirmou que é normal verificar na saída do bebê, no nascimento por parto normal, que o cordão estava dando duas voltas no pescoço. Isso devido ao tamanho do cordão, que é grande, e ao fato do bebê se mexer bastante e até “brincar” com o cordão.

Bem, mas foi a justificativa do meu médico neste caso de mau posicionamento do bebê.

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Fechado esse parêntese, e seguindo nossa consulta com a sage-femme, ainda no assunto da cesárea, ela nos falou de uma única vantagem da cesárea sobre o parto normal… porém essa vantagem não é para o bebê e muito menos para a parturiente, mas para o papai!

Ocorre que aqui na França em casos de cesárea o papai não pode participar do nascimento, não pode acompanhar a gestante, eis que se trata realmente de uma cirurgia, havendo alto risco de contaminação –> eis a justificativa francesa!

Em se tratando de uma grande cirurgia, após o nascimento a mãe passa apenas alguns poucos segundos com seu filho (muitas vezes só o tempo de dar um beijinho, sem nem mesmo ter um contato maior entre os dois), pois os procedimentos da cirurgia continuam e o bebê precisa de cuidados imediatos que não são necessários no caso de parto natural.

E aqui entra a vantagem para o papai: como o contato pele-a-pele é super importante para o bebê logo após o nascimento, e como a gestante fica aproximadamente 2 horas em função da cirurgia (finalização e recuperação), o contato é feito com o pai! Assim, o pai é orientado a tirar a camisa e aproveitar o seu filho deitado no seu peito, sozinhos, num momento só deles, durante pelo menos 2 horas!! Vejam que delícia esse procedimento! 😉

Para finalizar, uma orientação importante para o papai neste período em que estará com total responsabilidade sobre as decisões a respeito do bebê: caso verificado que o bebê está faminto, não permitir que seja dado leite na mamadeira, solicitando que a amamentação seja feita por meio de seringa. Isso se deve ao fato da maior facilidade do bebê sugar a mamadeira que o seio, dificultando o posterior processo de amamentação materna.

 

Era isso… beijinhos meus e chutinhos do Pedro!